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O maior paranaense da Histria

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Reproduo / Bento Munhoz da Rocha Netto Bento Munhoz da Rocha Netto
Especial

Bento Munhoz da Rocha, o unificador do estado

Pesquisa indita feita pela Gazeta do Povo aponta o poltico como a personalidade mais importante do Paran em todos os tempos

Publicado em 28/12/2008 |
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Como parte das comemoraes dos 90 anos, a Gazeta do Povo elaborou uma edio histrica para os leitores. As prximas pginas do jornal so dedicadas vida de trs personalidades mais importantes na formao do estado. Elas foram eleitas a partir de uma enquete que teve a participao de 100 pessoas de grande representatividade no Paran.

Polticos, educadores, empresrios, profissionais liberais e artistas elegeram os paranaenses de maior expresso de todos os tempos. O primeiro colocado foi Bento Munhoz da Rocha Netto, que recebeu 15 votos, seguido de Ney Braga com 11 e Victor Ferreira do Amaral com nove indicaes. Jaime Lerner foi citado seis vezes; e, com cinco votos cada, empataram na quinta posio duas mulheres: Zilda Arns e Helena Kolody.

Perfil

Nascimento: 17 de dezembro de 1905, em Paranagu.

Morte: 12 de novembro de 1973, de enfisema pulmonar.

Profisso: engenheiro civil.

Cargos que ocupou: alm de ter trabalhado como engenheiro pela Caixa Econmica Federal, onde se aposentou, foi duas vezes deputado federal (em uma delas foi primeiro secretrio da Cmara dos Deputados). Foi governador do Paran de 1951 a 1954 e ministro da Agricultura no governo de Caf Filho. Sua paixo foi ser professor de Filosofia da Universidade do Paran.

O que deixou para o Paran: Centro Cvico; federalizao da Universidade do Paran (atual UFPR); construo da Biblioteca Pblica do Paran e do Arquivo Pblico; incio das obras do Teatro Guara. Criao da Copel. Criao do primeiro Plano Estadual Rodovirio do Paran.

Grande feito: como deputado federal, na Constituinte de 1946, liderou o movimento pela extino do Territrio do Iguau e devoluo de parte de suas terras ao Paran.

Obras literrias: Uma interpretao das Amricas, Perfis, Itinerrio, Imprensa, Mensagem da Amrica, Ensaios, Perfis Parlamentares, Discursos e Conferncias, Tingis: Curitiba, A significao do Paran, Variaes sobre Kipling, O territrio de Iguau na Constituinte, Presena do Brasil e Radiografia de Novembro.

Para homenagear os trs primeiros colocados, a Gazeta publica uma pequena biografia de cada um. So pessoas que exerceram funes pblicas e se destacaram na atividade poltica. Um foi intelectual; o outro, militar; e o terceiro, mdico.

Todos os jurados tiveram a oportunidade de fazer uma breve justificativa do voto. A votao no teve prvia indicao de nomes. Os eleitores responderam pergunta: quem foi a figura mais importante do Paran em todos os tempos? A nica exigncia era de que o voto deveria ser dado a algum que teve ou tem importncia para o estado, independentemente de ter nascido ou no no Paran.

At mesmo dom Pedro II foi citado na pesquisa: apesar de ser carioca, ele sancionou a lei imperial que criou a provncia.

Sabedoria para governar

Dentre todas as pessoas que tiveram um papel relevante na formao do Paran, o governador Bento Munhoz da Rocha Netto foi escolhido pelo maior nmero de votos como o mais importante. Por qu? As respostas dos eleitores variam, mas costumam citar algumas das caractersticas que o tornaram famoso: intelectual, erudito, com grande vocao para a retrica, Bento se destacava facilmente entre seus pares.

Professor por vocao, entrou para a poltica e se tornou referncia de tica. Desde que assumiu o governo do estado, em 1951, ele soube remar contra a mar e se antecipar opinio pblica. Acabou com a velha tese sociolgica dos trs Parans: unificou o estado a partir do Centro Cvico, uma obra grandiosa para uma poca em que o territrio paranaense deveria ter pouco mais de 100 quilmetros de estradas asfaltadas.

Estudiosos diziam que o estado era dividido em trs partes: o tradicional, formado pela regio de Curitiba, Paranagu, Morretes, Antonina, Ponta Grossa, Castro e Lapa; o Norte, construdo em razo da exploso do caf; e o Oeste e Sudoeste, regio habitada por colonizadores catarinenses e gachos. O distanciamento fsico e psicolgico era grande nas trs regies, mas quando Curitiba ganhou o Centro Cvico, com o Palcio Iguau e o Tribunal de Justia, Bento conseguiu consolidar a capital como sendo a cidade de todos os paranaenses. Estava encerrada uma tese que at ento desestruturava a formao do prprio estado.

Como parlamentar, Bento j tinha tido importncia capital para a unidade do estado: props a emenda que extinguiu o ento criado Territrio do Iguau. A ditadura do Estado Novo, de Getlio Vargas, havia criado o novo territrio a partir da juno de reas do Oeste do Paran e de Santa Catarina. A alegao era de motivos estratgicos e polticos, em virtude da proximidade com a fronteira. Com a emenda, o territrio foi extinto e o Oeste voltou a ser paranaense.

A comemorao do Centenrio de Emancipao Poltica do Paran, em 1953, foi mais uma oportunidade para que Bento cuidasse da unidade poltica e territorial do estado. Promoveu, durante vrios meses, seminrios e debates sobre o Paran. Construiu tambm um marco simblico na Praa 19 de Dezembro, em Curitiba: a esttua de um homem em tamanho gigante colocada no centro da praa, de autoria de Erbo Stenzel, representa o Paran caminhando rumo ao Oeste.

Duas outras grandes obras entraram para o currculo de Bento Munhoz: a Biblioteca Pblica do Paran e do Arquivo Pblico. A criao da Copel tambm ocorreu durante o seu governo.

Bento deu incio s obras do Teatro Guara, que no teve tempo nem recursos para acabar, em decorrncia da crise do caf. A cultura havia sido abalada pelas duas violentas geadas que aconteceram em 1953 e 1954. A arrecadao do estado caiu e o teatro ficou inacabado. S foi concludo 20 anos depois, explica o bigrafo de Bento Munhoz da Rocha Netto, o jornalista Vanderlei Rebelo.

O prprio mandato de Bento frente do governo ficou inconcluso. Em agosto de 1954, o presidente Getlio Vargas se suicida e o vice-presidente, Caf Filho, que assume o lugar de Vargas, comea a encorajar Bento a se candidatar a presidente. Ele deixa o governo do estado para assumir o Ministrio da Agricultura e investir na carreira nacional.

Segundo Rebelo, a candidatura de Bento fracassou por falta de viabilidade poltica. Primeiro porque o Paran ainda no havia conquistado projeo poltica e econmica no Brasil; segundo, porque o prprio partido de Bento, o PR (Partido Republicano), era pequeno demais para conseguir levar o candidato adiante. Esse foi o grande erro poltico dele. No se tornou candidato e, com Caf Filho na Presidncia, Bento assumiu o Ministrio da Agricultura. Ele se afunda nesse desafio, esquecendo completamente a sucesso estadual, afirma.

Em 1958, Bento Munhoz tenta uma nova eleio a deputado federal pelo Paran. Com o cunhado Ney Braga, que em 1954 ele havia apoiado para ser prefeito de Curitiba, Bento tenta fazer a dobradinha: ele sairia como deputado federal e Ney como estadual. O destino no quis assim. Ney j pensava na candidatura federal para dar um salto na poltica, o que causou a ruptura entre os dois.

Com uma carreira slida no Paran, que havia conquistado durante a prefeitura, Ney recebeu 57 mil votos e foi o segundo candidato mais votado do Paran. Bento Munhoz tambm saiu deputado, mas foi eleito com apenas 17 mil votos, em uma eleio decepcionante. Foi a gota d'gua. Tenho a impresso, pelos prprios textos escritos por Bento, que ele nunca conseguiu absorver esse resultado, comenta Rebelo.

Mas a poltica no era tudo na vida de Bento longe disso. A atividade intelectual, de professor e de escritor, era talvez mais importante do que a de poltico para ele. Entre seus ensaios est um que causou furor na poca da publicao: Uma interpretao das Amricas, que defendia a tese de que tnhamos, como brasileiros, uma ligao ntima com a Europa.

A atuao de Bento como estudioso de sociologia foi importante at mesmo para a colonizao do estado. Foi no governo dele que se iniciou uma nova fase de migrao para o Paran, como no caso dos holandeses em Castro, dos alemes em Entre Rios, dos russos em Witmarsum e dos menonitas no Boqueiro.

Ao fim da vida, Bento havia influenciado o Paran como seu governante e como pensador. Havia sido parlamentar, governador e ministro. E havia, acima de tudo, dado um exemplo de coerncia entre o que pensava e o que fazia.

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Interatividade

E na sua opinio, quem foi o paranaense mais influente de todos os tempos?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br ou comente abaixo.

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