Terça-feira, 09/02/2010
Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
O empresário João Gluczkowski leva 30 minutos para ir de casa ao trabalho. Se fosse de ônibus, seriam 50 minutos de deslocamento
Mesmo sendo um meio de tranporte barato e ambientalmente correto, condições para ciclistas trafegar são adversas
Publicado em 22/03/2009 | Aline PeresPara o porteiro Esdro de Souza, 42 anos, a insegurança é o ponto negativo em se ter a bicicleta como meio de transporte. Há oito anos, Souza vem e vai diariamente de bicicleta de Piraquara ao Cristo Rei, onde trabalha. Assaltado três vezes – sempre depois que sai do trabalho, às 23 horas – ele lembra que a necessidade suplanta o medo. “Chego a economizar 15% do meu orçamento com a bicicleta, mas, pela violência, tenho medo de pedalar à noite”, afirma o porteiro.
Na opinião de Souza, se atualmente não há mais bicicletas nas ruas é pela questão cultural. “Não estamos falando de ciclista ocasional, de lazer, e sim de quem usa para ir ao trabalho, como eu”.
Em uma pesquisa do Ippuc no ano passado, 68% dos entrevistados usava bicicleta principalmente para trabalhar. (AP)
Existem dois tipos de tráfego de bicicletas. No compartilhado, não há delimitação entre as faixas de carros e bicicletas. Nesse caso, que é o de Curitiba, a faixa é apenas alargada para permitir o trânsito de carros e bicicletas. Já a ciclofaixa é uma faixa do lado direito da via em mão única e no mesmo sentido dos automóveis. Há apenas uma faixa ou blocos de concreto separando os espaços. Abaixo, veja quais são as regras de trânsito de acordo com o CBT.
Tráfego
- O trânsito de bicicletas deve ser feito pelo lado direito da pista, próximo ao meio-fio e, quando em grupo, em fila única um atrás do outro.
- É proibido transitar sobre as calçadas.
- O ciclista não deve se agarrar na traseira ou lateral de outros veículos.
- O ciclista nunca deve se infiltrar em meio a veículos em movimento.
- Para transitar à noite, a bicicleta deve ser iluminada. Também à noite é desaconselhável o trânsito de crianças em bicicletas.
A reportagem percorreu cinco grandes trechos de ciclovias e avaliou alguns aspectos como pavimentação, sinalização, iluminação, ligação entre um trecho e outro e obstáculos (veja box). O trecho que inicia da Avenida Sete de Setembro e estende-se pela Avenida Affonso Camargo, até os limites de Pinhais, na região metropolitana, é o que oferece as melhores condições de tráfego nos quesitos avaliados. Mesmo assim, em 10 minutos no local, dos oito ciclistas que passaram no trecho próximo ao Jardim Botânico, cinco andavam pela canaleta de ônibus.
Para o empresário João Gluczkowski, 50 anos, essa é uma realidade. Quem usa bicicleta para se deslocar de casa para o trabalho precisa ser ágil, o que obriga a apelar para a canaleta de ônibus. Gluczkowski sabe que a prática é a causa de muitos acidentes. Porém a falta de estrutura em alguns pontos não deixa outra alternativa para quem pedala.
Há 30 anos pedalando pela cidade, o transporte alternativo passou de necessidade à opção para Gluczkowski. Morador do Cristo Rei, ele pedala até o Mercês diariamente. Gasta 30 minutos dos 50 que levaria se fosse de ônibus. Na garagem, ele tem carro e moto e mesmo assim não abre mão da bicicleta. Para o empresário, a economia se aliou ao ganho com a saúde e ao tempo economizado.
Segundo Gluczkowski, o que atrapalha é falta de orientação aos ciclistas. Habilitado em carro, moto e caminhão, Gluczkowski lembra que já passou por inúmeros treinamentos de direção defensiva nessas modalidades, o que considera fundamental. “O ciclista deveria fazer também. O treinamento é importante para capacitá-lo e evitar problemas”, alerta. Outro aspecto lembrado é a criação de ciclofaixas (veja box). Para ele, quem é contra nunca andou de bicicleta. “Haveria o respeito mútuo e não interferiríamos na passagem do pedestre”, aponta.
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