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Terça-feira, 09/02/2010

Curitiba e região

Empresários se unem no combate as drogas sintéticas em festas raves

01/04/2008 | 22:24 | Karlos Kohlbach

A dificuldade para impedir a entrada de micro pontos de LSD e de ecstasy em festas, principalmente em raves e casas noturnas que tocam música eletrônica, exigiram dos empresários e da secretaria Antidrogas de Curitiba novas ações para tentar conter a comercialização e o consumo de drogas sintéticas. Até cães farejadores, treinados para identificar anfetamina, trabalharão na prevenção. "Os cachorros são dóceis, da raça Labrador. Eles ficarão na entrada da festa. O trabalho é de prevenção", resumiu o secretário municipal Fernando Francisquini.

A presença dos animais agradou Ana Cláudia Gritz, que costuma freqüentar raves. E não somente por ela ser veterinária: "as pessoas têm de pensar no bem estar das outras. A presença de drogas nas festas afasta os que verdadeiramente gostam da música eletrônica", esclarece. Uma estudante universitária, que preferiu não se identificar, diz que a revista antes de entrar nas festas é rigorosa, mas o problema maior é lá dentro. "Dentro da festa o controle deve ser maior. Você facilmente vê quem está usando drogas", contou.

Lá dentro, explica Francisquini, a mudança será sutil para aqueles que vão curtir a festa, mas importante no trabalho da secretaria e da polícia. "Serão instaladas câmeras nas festas raves e nas casas noturnas. Após as festas, os DVD's com as imagens nos serão entregues. Elas poderão ser usadas pela polícia, seja Militar, Civil e Federal, numa ação de repressão contra o tráfico de drogas", contou o secretário.

Divulgação / Cesar Brustolin / SMCS

Divulgação / Cesar Brustolin / SMCS / Empresários se reúnem com Francisquini para combater tráfico e uso de drogas nas raves e em casas noturnas de Curitiba Ampliar imagem

Empresários se reúnem com Francisquini para combater tráfico e uso de drogas nas raves e em casas noturnas de Curitiba

Projeto de lei tenta regulamentar festas raves

Um projeto de lei apresentado pelo deputado Fábio Camargo pretende regulamentar as festas de música eletrônica no Paraná. O projeto deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa, que vai atestar a constitucionalidade.

O projeto propõe que todas as festas só podem ser realizadas se toda a documentação necessária for entregue até dois dias antes do evento. As festas só podem ser organizadas por empresas regularmente constituídas e com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

No seu artigo 3º a proposta de lei diz que a empresa deve contratar empresa de segurança com registro na Polícia Federal, para eventos com mais de 50 pessoas. E que todas as pessoas devem ser revistados na entrada do evento, inclusive com detector de metais.

O projeto prevê que o tempo da festa é limitado em 15 horas e 5% da arrecadação com a venda dos ingressos deve ser destinada para instituição regularmente inscrita no Conselho Municipal da criança e Adolescente - e no seu último artigo obriga o organizador do evento a apresentar apólice de seguro contra riscos de incêndios e seguro de danos pessoais de todo o evento, no valor mínimo de R$ 500 mil.

Todos os empresários ouvidos pela Gazeta do Povo se mostraram favoráveis ao projeto do deputado.

Secretaria Antidrogas vai contar com R$ 1,5 milhão em 2008

Por unanimidade, os vereadores de Curitiba aprovaram nesta segunda-feira (31) os dois projetos de lei envolvendo a secretaria municipal Antidrogas. Os projetos são de autoria do prefeito Beto Richa.

A secretaria agora faz parte do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) e contará com 19 cargos. "É uma estrutura básica. São assessores, diretores e superintendentes", explicou o secretário Fernando Francischini.

O outro projeto, aprovado pelos vereadores, permitiu a injeção de R$ 1,2 milhão ao orçamento de 2008 da pasta - que somado aos R$ 230 mil do fundo antidrogas chega a quase R$ 1,5 milhão.

Secretaria Antidrogas se expande para Tijucas do Sul

Tramita na Câmara Municipal de Tijucas do Sul um projeto de lei que cria a Secretaria Antidrogas da cidade - semelhante à pasta comandada pelo delegado da Polícia Federal Fernando Francesquini em Curitiba.

O prefeito Oni Júnior (PSC) conta que a idéia surgiu durante a posse de Francisquini. "É uma parceria com Curitiba para combater o tráfico de drogas", diz. A intenção da secretaria, ressalta o prefeito, é também regulamentar as festas raves em Tijucas.

Se aprovada na Câmara, o titular da pasta será o agente aposentado da PF Arthur Rodrigues de Almeida - indicado por Francisquini.

Os projetos de combate às drogas desenvolvido pela secretaria de Curitiba está se expandindo também para a região metropolitana de Curitiba. "Já conversei com o prefeito de Colombo, Fazenda Rio Grande e de Pinhais.

Sempre disse que não se pode combater as drogas na capital e esquecer a região metropolitana", disse Francesquini. A parceria será viabilizada com a assinatura de um convênio.

A iniciativa de usar cães farejadores e instalar câmeras nas festas foram delineadas numa reunião no início desta semana entre Francisquini e os empresários de casas noturnas e festas raves. "O interessante é que essas atitudes partiram dos empresários que não querem atrelar a imagens das festas com o tráfico de drogas", comentou o secretário. A terceira atitude definida na reunião foi a divulgação de orientações sobre o efeito das drogas sintéticas no material de divulgação das festas.

O alerta sobre o crescimento do uso e até tráfico de drogas sintéticas nas festas de música eletrônica foi disparado depois das recorrentes apreensões de LSD e ecstasy em Curitiba - a grande maioria tinha como destino as raves. Até aqueles que vivem destes eventos, os empresários, reconhecem o consumo.

Quatro empresários que participaram da reunião relatam que já enfrentaram problemas com usuários de drogas e investem no profissionalismo para coibir a circulação de drogas nas festas. "Existe sim o uso e em alguns casos o tráfico (de drogas), mas não é apenas em festas de música eletrônica", considera Riad Omari, que tem na bagagem 17 anos de experiência e mais de cem eventos promovidos - entre eles o Kokum Kaya. Dono de casas noturnas como Rave, Muzik, Eon, entre outras de música eletrônica em Curitiba, Omari reconhece o uso de drogas em suas festas. "Em toda a festa e show rola droga. É ingenuidade pensar diferente. A minha forma de combater isso é com investimento em segurança e infra-estrutura. Nas minhas festas o ingresso é mais caro, mas são raros os problemas envolvendo as pessoas", diz.

É justamente a falta de profissionalismo, aponta o empresário Carlos Civilate Júnior, que acaba denegrindo a imagem das raves. Com um extenso currículo, com as festas Orbital, XXXPERIENCE e Tribaltech, o empresário diz que o uso de drogas nas festas chega a reduzir o consumo de outros produtos das casas em até 20%. "O cara que faz uso destas drogas não bebe nada. Fica na sua 'viagem'", diz. Jeje, como é conhecido, explica que já tentou uma parceria com a polícia, mas que só conseguiu com a delegacia de Piraquara. "Já solicitei a instalação de uma delegacia móvel nas festas e infiltrar policiais nas festas, mas não deu certo. A parceria com a Delegacia de Piraquara deu certo. Nas duas últimas raves na cidade, foram encaminhadas 25 pessoas para a delegacia", explica.

Usuários são identificados e retirados das festas

A orientação, dizem os empresários, é retirar das festas as pessoas que vendem e consomem a droga. "Na Vibe (casa noturna de Curitiba) é fácil identificar. Como tudo é vendido por cartões, qualquer movimentação de dinheiro (salvo na saída) é suspeita", afirma Gustavo Gossling, que além da Vibe promove a maior festa eletrônica do mundo: o Creamfield. "A Vibe desde sua inauguração conta com câmeras de monitoramento. Inclusive já foram cedidas à Polícia Federal para ajudar em investigações", completa, admitindo casos de venda e consumo de drogas na casa noturna.

Pensar, talvez, na saída mais óbvia - que seria proibir festas raves - não surtiria efeito. A opinião é unânime entre os empresários e ratificada pelo secretário Antidrogas Fernando Francisquini. "Em Santa Catarina uma lei proíbe as festas raves. Mesmo assim elas acontecem e sem qualquer fiscalização. É aí que o traficante se sente mais tranqüilo para agir. Apesar da proibição, o tráfico de drogas é maior do que no Paraná, onde é liberado", conta o secretário. Jeje, que constuma promover eventos no estado vizinho, diz que diante da proibição pequenos grupos, de até 300 pessoas, passaram a realizar as festas. Essas festas particulares, explica Francisquini, já acontecem em Brasília também. "E, com essas ações de combate, esta pode ser uma realidade futura em Curitiba".

Gustavo Conti já teve casa noturna em Curitiba, a Rave, e há seis anos é dono da Warung, que fica em Itajaí, em Santa Catarina. O empresário avalia como positiva a lei que proíbe raves no estado. "É uma forma de deixar no mercado somente aqueles que tratam o assunto (música eletrônica) com seriedade", conclui Conti.

ancora
Comentários
Bruna Ferreira | 02/04/2008 | 21:32

Proibir rave hoje soa completamente ridículo. Concordo com o José a respeito de que cada um sabe o que faz. É maior de idade, se está usando, com certeza sabe os efeitos que aquilo vai causar. A respeito do consumo de bebidas diminuir é um caso a parte. Porque os transtornados, por assim dizer, são os que mais consomem.. Se os empresários não soubessem muito bem disso, com certeza não cobrariam R$4,00 por uma uma água !

IVETE | 02/04/2008 | 18:19

Se for regulamentado as festas reives, prefeitura vai ter que isolar som para nao ter problemas com vizinhança. Caso haja perturbaçao fora do horario estipulado pela Lei, tera muitos processos judiciais.

edemilson fernandes | 02/04/2008 | 17:14

q palhaçada...só me responde 1 pergunta:quem normal consegue dançar numa festa q dure 12 hr, 16 hr, sem se drogar? quem vai normal não aguenta ficar mais q 2 ou 3 hr no máximo...Portanto quem frequenta é dífícil de acreditar que não usa, e quem organiza também...São todos hipócritas...

André Gaston | 02/04/2008 | 14:25

Já fui frequentador de várias festas Rave e concordo com o controle rígido que estão propondo para evitar o consumo de drogras. É realmente inadmissível que seja tão liberado e discarado o uso de drogas principalmente sintéticas. É como se o Brasil não tivesse leis proibindo o seu uso. É impressionante!!! Hoje em dia não frequento mais esse tipo de festa por me achar diferente dos outros, pois a grande MAIORIA é usuária destas drogras , o que acaba estragando a minha festa também.

Silvia Zanella - Editora-Executiva | 02/04/2008 | 13:38

Leitores, Avisamos que comentários hostis e que estejam fora do contexto de discussão sobre o assunto não serão publicados. As fontes citadas na matérias são empresários presentes na reunião com Secretaria Antidrogas de Curitiba.

ancora

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