Terça-feira, 09/02/2010
Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo de SC
Balões foram encontrados por um avião da Força Aérea Brasileira na Praia de Porto Belo - bem distante de onde o padre teria caído
Os balões utilizados pelo padre Adelir de Carli, encontrados nesta terça-feira (22) a 50 km da costa da ilha de Florianópolis, capital de Santa Catarina, sugerem que o padre está sendo levado pela maré e pode aparecer até mesmo no litoral do Rio Grande do Sul. A constatação é do comandante do grupo de radiopatrulha área da Polícia Militar de Santa Catarina, Nelson Henrique Coelho.
"A distância entre o local em que ele teria pousado e de onde os balões foram encontrados é muito grande (160 km). Quanto mais tempo se passa, maiores as chances da maré levar ele para o Rio Grande do Sul", diz Coelho. "Ele está descendo", completou. Os locais onde os balões foram achados é bem distante (cerca de 160 km) de onde o padre teria caído
RPC TV
Resgate não encontrou nenhuma pista do padre próximo dos balões
Durante o dia (22), o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e um helicóptero da Marinha do Brasil localizaram os balões utilizados pelo padre. "Próximo das 8 horas balões foram encontrados na Praia de Porto Belo. Embarcações com mergulhadores foram para o local, mas nada (além dos balões) foram encontrados", disse Coelho. "Por causa da distância, os navios da Marinha ainda não chegaram aos balões encontrados em Florianópolis", completou.
Vigília
Em Paranaguá, no Litoral do Paraná, amigos e fiéis se revezem na vigília de orações para encontrar Adelir com vida. Entretanto, diz Coelho, a cada dia que passa a situação vai se agravando mais. "Não temos informação se ele estava com colete salva-vida. E a estrutura usada pelo padre é pesada. Cada dia que passa infelizmente as chances de encontrá-lo vivo diminuem. Mas ainda há esperança", ressaltou o comandante.
O trabalho das equipes de busca é integrado. As aeronaves sobrevoam o mar e quando alguma coisa é avistada as embarcações são acionadas. "No Paraná tivemos muitos problemas com a quantidade de saco de lixo. O avião avistava algo, mas quando as lanchas chegavam se deparavam com os sacos de lixo", diz Coelho.
Em entrevista à reportagem do Paraná TV, José Agnaldo de Morais, integrante da equipe de apoio do padre, contou que Adelir estava bem preparado, conhecia os riscos da aventura e sabia usar o aparelho de GPS. "Ele pegou uma corrente de ar errada, que o levou para o mar. Mas tudo que foi feito foi bem planejado. O vôo não aconteceu de um dia para outro, muitos testes foram feitos", comentou.
O vôo
O padre Adelir de Carli está desaparecido desde a noite de domingo (20), após levantar vôo de Paranaguá, no litoral paranaense, com cerca de mil balões festivos cheios de gás hélio. Mesmo com o mau tempo, Carli resolveu continuar a aventura.
O objetivo era ir para o Oeste do estado, mas os ventos fortes levaram o religioso para o Sul e para o meio do mar. Ele saiu de Paranaguá por volta das 13h de domingo e o último contato foi por volta das 21h. Desde então não há qualquer informação sobre o padre.
Adelir de Carli criou o evento Voar Social como forma de atrair atenção da imprensa e divulgar a Pastoral Rodoviária, da qual faz parte. O religioso declara ter experiência como esportista de montanhismo, mergulho, pára-quedismo e vôo livre (parapente).
Carli já levantou vôo com a ajuda de 500 balões em 13 de janeiro deste ano, no Sudoeste paranaense. O padre atingiu 5.337 metros e desceu quatro horas e 15 minutos depois, a 110 quilômetros dali, em San Antonio, na Argentina. Desta vez, Carli pretendia bater o recorde de tempo, que é de 19 horas, e ficar uma hora a mais nos ares.
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