Terça-feira, 09/02/2010
O crime aconteceu na manhã de domingo em um assentamento na zona norte; à tarde, revoltados, vizinhos queimaram o barraco da família
05/05/2008 | 09:35 | Glória Galembeck - Jornal de LondrinaUma menina de 39 dias de vida foi morta, no domingo (4) pela manhã, depois de ser agredida com tapas e socos pelo próprio pai, em Londrina, Norte do Paraná. Edson da Silva Bernardo, de 25 anos, confessou ao delegado Lanevilton Thodoro Moreira, da Polícia Civil, ser o agressor. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado e deve ser mantido em cela separada para garantir sua segurança. Segundo informações da assessoria de imprensa do Hospital Infantil, onde o bebê Jussara da Silva Bernardo foi atendido, a criança sofreu fratura nos dois fêmures, trauma de crânio e luxação em um dos ombros.
O caso aconteceu em uma moradia de madeira, no assentamento Nossa Senhora Aparecida (zona norte). Segundo informações prestadas pela Polícia Civil, por volta das 5h30, a criança começou a chorar sem que o pai conseguisse fazê-la parar. Ele teria desferido tapas e socos contra o bebê. A mãe, Andréa Michele da Silva, de 24 anos, acordou e, ao ver a filha ferida, decidiu pedir ajuda. Eles foram até a casa de um vizinho, que chamou a ambulância do Samu.
A criança deu entrada no hospital por volta das 8h30 com quadro de parada cardíaca e foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Meia hora depois, morreu. Segundo a assessoria de imprensa, a equipe médica foi informada de que a criança teria aspirado leite e estaria engasgada. Ao verificar as fraturas e o traumatismo, porém, o Hospital Infantil comunicou o caso ao Conselho Tutelar. O procedimento é adotado nos casos em que a família relata uma situação que não corresponde ao estado clínico do paciente, independentemente de haver óbito ou não. Dada a gravidade do caso, a polícia também foi informada. Edson foi preso no hospital.
Segundo Moreira, o pai da criança relatou que faz uso de medicação controlada e aparentava estar confuso. “A mim ele confessou informalmente a agressão, mas afirma não se lembrar exatamente de como tudo aconteceu”, disse o delegado. A polícia vai solicitar que o pai passe por avaliação de sanidade mental. A mãe foi encaminhada para uma unidade que abriga vítimas de violência doméstica. Ouvida pelo delegado, ela nega que tenha sido agredida pelo marido.
Crime revolta moradores
A casa em que a família da criança Jussara da Silva Bernardo, 39 dias, morava, de favor, foi saqueada e incendiada por moradores do local. O último bem a ser levado foi uma geladeira. Depois do incêndio, um grupo de moradores se encarregou de, a golpes de enxada, terminar a demolição. “Vou construir uma casa para a minha mãe bem aqui”, disse um rapaz de cerca de 20 anos. Segundo o jovem, a população ficou revoltada e por isso ateou fogo na casa. Ele definiu o casal como “tranqüilo” e atribui a agressão ao estresse provocado pelo choro do bebê. Um homem que também mora no assentamento e não quis se identificar disse que já houve outras situações em que a comunidade puniu moradores delituosos. “Não poderia nem estar falando com você, eles não gostam”, disse, sem identificar quem iniciou a depredação.
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