Terça-feira, 09/02/2010
Amigo de Rafaeli só ficou sabendo que o projétil havia ficado alojado quando foi ao dentista
16/07/2008 | 14:12 | Célio YanoO estudante Diogo Soldi Schuhli, de 21 anos, que dirigia o carro onde estava
Na segunda-feira (14), o estudante foi ao dentista, no município de Palmeira, na mesma região, pois sentia dores na boca. “Achei que um dente tinha quebrado por causa da colisão do carro”, conta. “O dentista falou que era um objeto de metal”. Segundo ele, o próprio dentista retirou o projétil, que estava alojado entre a bochecha e a gengiva, no lado esquerdo de sua cabeça. “Levei um susto quando vi que a bala inteira estava lá”. A extração do projétil foi fotografada, e as fotos e a bala foram encaminhadas para a Polícia Civil de Palmeira, que investiga o caso. Schuhli prestou depoimento ainda na segunda-feira.
RPC TV
A bala deve passar por perícia para saber de qual arma partiu o disparo
O jovem diz estar bastante abalado com o que aconteceu. “Estamos tentando levar a vida como era antes, mas as coisas nunca voltarão ao normal”, lamenta. Schuhli era parente distante de Rafaeli e conhecia a estudante há quatro anos. “Meu pai é primo de segundo grau do pai dela. Se minha família já está arrasada, fico pensando como não está a família dela”.
Ele condena a atitude dos policiais, que, depois do erro, ainda teriam mentido, dizendo que o carro dele vinha na contramão. "Eu estava no sentido correto, havia acabado de passar por uma lombada e ia fazer uma curva, estava andando a 20 quilômetros por hora e com as luzes acesas", diz. "De repente, eles vieram com tudo, na contramão, bateram e saíram disparando".
Inquérito policial
O tenente-coronel Sérgio Renor Vendrametto, que preside o Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a conduta de Luis Gustavo Landmann e Dioneti dos Santos Rodrigues, os policiais envolvidos na morte de Rafaeli, pediu na terça-feira (15) a prisão preventiva de envolvidos. Até o final manhã desta quarta-feira, no entanto, a Justiça ainda não havia decretado a prisão e os dois permaneciam no Quartel do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) de Ponta Grossa. Os soldados estão afastados do trabalho de rua e administrativos, segundo o Major João Jorge Santos, do 1º BPM. O caso é acompanhado pelo Ministério Público (MP).
O Landmann, apontado como o autor do disparo que matou Rafaeli, responde processo na Justiça por tortura desde 2001. O outro PM que participou da desastrosa abordagem, Dioneti dos Santos Rodrigues, completou o curso de formação antes do tempo normal.
Morta por engano
Os policiais estavam atrás de um carro suspeito desde as 4h20 de domingo que havia passado por dois bloqueios policiais. A Polícia Rodoviária de São Mateus do Sul foi chamada para fazer outra barreira na PR-427 e tentar parar o veículo que era perseguido por policiais de União da Vitória. No terceiro bloqueio o carro conseguiu passar novamente. Policiais da Lapa foram acionados e as características do carro - possivelmente um Celta ou um Palio preto - foram repassadas.
No trevo da Lapa, o carro conseguiu fugir novamente e seguiu na contramão em direção a Porto Amazonas. De acordo com agência estadual, os ocupantes do carro suspeito fizeram disparos contra a viatura policial de São Mateus do Sul, que acompanhava o veículo desde o início da perseguição.
No trevo de Porto Amazonas, o veículo no qual estava Rafaeli se envolveu em um acidente com um carro da polícia local. O soldado Dioneti dos Santos Rodrigues, do 1.º BPM de Porto Amazonas, e o soldado Luis Gustavo Landmann viram o Gol batido no carro policial. Segundo a nota da PM, os dois policiais “acharam que se tratava de mais um integrante de uma possível quadrilha e que havia colidido intencionalmente com a viatura”. Os soldados atiraram contra o carro e só depois perceberam que o veículo era ocupado por um casal, que havia se acidentado com o carro policial e nada tinha a ver com a perseguição.
Erro fatal
Estavam no Gol preto atingido pelos tiros o estudante Diogo e Rafaeli. Diogo saiu do carro e deitou no chão. Rafaeli foi atingida na cabeça. Ela foi levada o Hospital Menino Jesus, em Porto Amazonas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O rapaz foi encaminhado para um hospital em Palmeira, passou por exames e recebeu alta em seguida.
O provável veículo foragido foi encontrado momentos depois, um Palio com placas de Curitiba. O carro foi abandonado com certa quantidade de cigarros trazidos do Paraguai, segundo a polícia.
Rafaeli morava com os pais em um sítio em Palmital, a quatro quilômetros da cidade, mas passava os fins de semana com os avós. No sábado havia ido ao baile e voltava de carona com Diogo.
ATUALIZADOhá 4h
Ney repetirá seu feito de 2008?
ATUALIZADOhá 13h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé