Domingo, 05/09/2010
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Carlo, Isabella, Márcia e Maurício contam com acompanhamento da ONG italiana Ação Famílias Novas
Queda não modifica a posição do estado no ranking nacional: segundo lugar, atrás apenas de SP
Publicado em 19/08/2008 | Vinicius BorekiAs razões que movem os casais interessados em adotar crianças brasileiras costumam ser as mesmas. “Geralmente os motivos são a pobreza do país e a simpatia pelo povo brasileiro por saber se relacionar com vários credos e viver em paz”, afirma Amélia Reiko Jojima, assistente social da Ceja-PR.
A adoção internacional representa a última oportunidade para algumas crianças. Confira a ordem de preferência dos candidatos à adoção:
1 - Moradores da comarca de origem da criança.
2 - Moradores do estado de nascimento.
3 - Qualquer cidadão do Brasil.
4 - Brasileiros que vivem fora do país ou estrangeiros que moram em território nacional.
5 - Portugueses (pela afinidade com a língua).
6 - Demais estrangeiros.
Fonte: Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Paraná.
O tema adoção ainda carrega mitos. Se o desconhecimento é, ainda, freqüente em crianças que não apresentam nenhuma enfermidade, o panorama é pior quando se trata da adoção de portadores do vírus da aids, o HIV. Tentando diminuir as dúvidas que rondam essa ação, a jornalista Dayane Carvalho lança, nesta quinta-feira, nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação, o livro Adoção PositHIVa. No evento, profissionais entrevistados na obra estarão presentes para um bate-papo.
Segundo Dayane, a idéia surgiu da necessidade de escolher um tema para o seu trabalho de conclusão de curso, em 2006. “Eu gostaria de falar sobre adoção e acabei focando nas crianças com HIV”, conta, ressaltando que o principal objetivo do livro é o de desmistificar. “Como a aids não tem cura, o medo de adotar uma criança é maior.”
Em oito meses, a jornalista fez um estudo aprofundado da adoção de crianças soropositivas, entrevistando “quem vive e convive com a aids”. (VB)
Serviço
Lançamento e bate-papo sobre o livro Adoção PositHIVa. Quinta-feira, 21 de agosto, às 19h30. Livrarias Curitiba do Shopping Estação (Av. Sete de Setembro, 2775). A entrada é franca. Mais informações: www.adocaoposithiva.blogspot.com.
De acordo com a assessoria da Sedh, há uma orientação corrente para tentar frear o número de adoções internacionais, em razão da dificuldade de controlar o bem-estar das crianças fora do país. Geralmente elogiada, com o argumento de que “as crianças serão criadas em países de primeiro mundo”, a adoção internacional é uma das últimas alternativas. Primeiro procuram-se moradores da comarca de origem, do estado ou do país. Depois, brasileiros vivendo fora do país e portugueses – pela afinidade com a língua. Por último, autoriza-se a adoção para estrangeiros. Porém as prioridades podem ser modificadas se o objetivo for manter o vínculo familiar.
Na prática, a adoção por estrangeiros representa uma dupla rejeição: dos pais e de todo um país. “As crianças e adolescentes apresentadas para a adoção internacional não receberam oportunidades no Brasil”, explica Amélia Reiko Jojima, assistente social da Ceja-PR.
Dois casais italianos estão em Curitiba para adotar pequenos brasileiros. Maurício e Márcia e Isabella e Carlo (nomes fictícios) permaneceram na cidade por mais de 40 dias para, finalmente, voltar à Itália com as novas integrantes das famílias: irmãs de 8 e 11 anos, no primeiro caso, e as duas meninas, uma de 5 e outra de 8 anos, no segundo caso.
As Cejas são responsáveis pela habilitação dos cidadãos estrangeiros ou brasileiros que moram fora do país interessados em adotar uma criança. Paralelamente, a Comissão tem um cadastro de crianças e adolescentes disponíveis para a adoção internacional. “Especificamente em Curitiba, temos uma equipe técnica com psicólogos e assistentes sociais que fazem o levantamento de dados e os estudos comportamentais e médicos da criança. Depois, traçamos um perfil e descobrimos se realmente querem ser adotadas”, explica Amélia.
Conforme prevê a Convenção de Haia, de 1993 – que discutiu a proteção de crianças e a cooperação na adoção internacional –, a Ceja encaminha todos os dados aos interessados na adoção, que desembarcam no Brasil, geralmente, para o período de convivência, que varia de 15 dias (para crianças abaixo dos 2 anos) a 30 dias (para crianças com idade superior a 2 anos).
A partir daí, o trabalho da Ceja se encerra e, no caso dos casais italianos, a responsabilidade recai para Sandro Rogério de Andrade Melo, advogado e representante brasileiro da ONG italiana Ação Famílias Novas (AFN). Esses profissionais acompanham o período de convivência com a família, tentando oferecer o suporte necessário. Um dos motivos de maior orgulho para Melo é a viagem à Itália, uma vez ao ano, para um encontro com as crianças – alguns, hoje, já adultos – que passaram por esse namoro inicial com a nova família.
“Esse acompanhamento é muito importante”, diz a italiana Márcia. “Você está em um país estrangeiro, com diferenças culturais, e essa pessoa está do seu lado, ajudando a contornar as dificuldades. Além disso, pessoas como o Sandro, aconselham os novos pais neste início de relação.”
Alguns conselhos podem ser importantes para ganhar a confiança dos pequenos. “Muitas vezes, as crianças querem testar essas novas pessoas que aparecem em suas vidas”, explica Melo. “Como já sofreram com rejeições, elas temem um novo abandono, o que pode acontecer nas adoções internacionais em caso de desistência dos pais.”
Juridicamente, as crianças já integram a nova família depois de 30 dias do período de convivência.
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