Terça-feira, 09/02/2010
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Agora vestidos, ciclistas disseram que nudez foi impulsiva
Pela primeira vez na capital, um grupo de pessoas fica sem roupa para defender uma causa
Publicado em 24/09/2008 | Marcos Paulo de MariaManifestações públicas nas quais pessoas ficam completamente nuas são mais comuns nos países europeus. Para Carlos Alberto Balhana, antropólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a manifestação dos ciclistas é apenas uma cópia do que acontece no exterior. “O apelo físico é uma característica de manifestação popular muito comum em países desenvolvidos, como na Europa. É uma forma de chacoalhar a estrutura moral e social”, explica. O professor conta ainda que a nudez pública acontece desde os tempos mais remotos. “Na Idade Média isso já ocorria e era considerado lúdico na época”, conta.
A nudez em público no Brasil começou com atos de rebeldia. Nos anos 70, influenciadas pela cultura hippie dos norte-americanos, que pregavam o amor e o naturalismo, mulheres que freqüentavam a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, começaram a onda do topless. “Foi um choque para a sociedade e para opinião pública. A atriz Leila Diniz, grávida de seis meses (em 1971), desfilou de biquíni pelas areias cariocas e virou mito. Essas mulheres quebraram as barreiras comportamentais da época”, diz a socióloga Sandra Mattar, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. (MPM)
Vegetariana, ela não pertence a nenhuma religião e diz alimentar o corpo e o espírito com meditação e ioga. Elenice afirma ter ficado parcialmente nua para demonstrar o real significado de se ter liberdade. “A bicicleta é o meu veículo e o alimento é o combustível que movimenta o meu corpo. Cuido da minha alimentação e do meu bem-estar. Tirei a roupa para mostrar às pessoas a essência de se ter qualidade de vida”, afirma.
O estudante de Economia Gunnar Nelson Thiessen, 24 anos, ficou completamente nu em parte do trajeto que começou na reitoria da UFPR, no Centro, passou pela Boca Maldita e terminou na prefeitura, no Centro Cívico. “Somos um movimento anarquista que representa um estilo de vida alternativo. Não temos líderes no grupo e brigamos pelos direitos dos ciclistas. Ficamos nus para representar a fragilidade do corpo humano diante das máquinas motorizadas”, explica.
Gunnar também é vegetariano, nunca dirigiu em toda a vida e pedala desde a infância. Ele diz que o medo de sentar atrás do volante de um automóvel durante a adolescência se transformou em coragem para lutar pelos interesses dos ciclistas. Ele só anda de “magrela” ou ônibus. São 15 km da casa onde mora, no Batel, até chegar ao trabalho na Cidade Industrial (CIC). “Vou para o trabalho de bike porque chego mais rápido que o transporte coletivo. De ônibus demoro cerca de uma hora e pedalando chego em 30 minutos”, afirma.
Para o antropólogo da federal, o grupo conseguiu o que queria – chamar a atenção para a causa pela qual estão lutando. “Ficar nu é uma forma de chocar e chamar a atenção da sociedade. Eles conseguiram isso por meio da exposição corporal, que é uma manifestação de liberdade”, explica.
O próximo passeio ciclístico está marcado para o dia 27 deste mês, com saída do prédio da reitoria da UFPR, às 10 horas.
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