Sábado, 31/07/2010
Valterci Santos/Gazeta do Povo
Cartaxo “acha” que roubaram dinheiro do casal e suspeito deve ser indiciado por latrocínio.
Secretaria de Segurança Pública do Paraná diz que preso é o principal suspeito e vai responder pelos crimes de latrocínio consumado e atentado violento ao pudor
Publicado em 21/02/2009 | Karlos Kolbach e Pollianna MilanA partir dessas informações, o suspeito preso na terça-feira deve ser indiciado. A polícia tem dez dias para concluir o inquérito após a prisão. E o Ministério Público, depois disso, tem cinco dias para oferecer ou não a denúncia. Só assim o processo judicial será aberto e o homem passará a responder a processo.
Veja a seguir a transcrição de uma entrevista com o delegado Cartaxo, feita ontem à tarde:
Repórter – O senhor pode conversar comigo sobre a matéria que saiu na agência (Agência Estadual de Notícias, do governo do estado)?
Cartaxo – Não. É aquilo lá. Sem comentários.
Repórter – Só uma pergunta, por gentileza. O senhor me disse na sexta-feira (13) que não havia sido roubado nada do casal. E hoje veio a informação do indiciamento por latrocínio (roubo seguido de morte);
Cartaxo – Eu não lembro de ter dito isso para você.
Repórter – Está gravado aqui.
Cartaxo – Ah, você gravou? Então eu devo ter me enganado.
Repórter – O que mudou nesses (sete) dias?
Cartaxo – O depoimento dela. Foi feito na quinta-feira.
Repórter – Pois é, mas a gente conversou na sexta-feira.
Cartaxo – Não, o depoimento dela foi na segunda-feira.
Repórter – Na segunda-feira agora?
Cartaxo – É.
Repórter – E roubaram o que deles?
Cartaxo – Dinheiro.
Repórter – Quanto?
Cartaxo – Ah, vai. Tá na matéria? Você quer me derrubar de novo?
Repórter – Não.
Cartaxo – Então não me pergunte isso. Se não tá na matéria não é para noticiar.
Repórter – Roubaram dinheiro deles então?
Cartaxo – Acho que sim.
Repórter – Algum outro objeto de valor? Máquina, alguma coisa.
Cartaxo – Eu não vou te esclarecer isso, Karlos. P..., mas que coisa!
Repórter – Mas, doutor...
Cartaxo – Ah, pô. Ah, para de me encher o saco, c...
Repórter – Mas não elucidou o caso?
Delegado desliga o telefone.
Por meio de um texto divulgado ontem no site da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), a polícia afirmou ainda que a camiseta polo encontrada no local foi descartada como prova criminal: o exame de DNA feito pelo Instituto de Criminalística comparando o material genético do homem preso e o de uma mancha de sangue na camiseta deu negativo.
O delegado coordenador das investigações, Luiz Alberto Cartaxo
Uma declaração do secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, dá a entender que as investigações foram resolvidas. “Este era mais um caso que desafiava a polícia do Paraná, mas o fato de a jovem ter sobrevivido, ser vítima e testemunha ocular do crime foi decisivo para elucidarmos o caso. Desde que tudo aconteceu, a polícia não descansou um minuto sequer para identificar e prender este criminoso, que agora será colocado à disposição da Justiça”, disse.
A polícia, pelo menos até o momento, não apresentou provas materiais à imprensa ou ao advogado de defesa do suspeito que possam incriminá-lo. A secretaria diz apenas que a jovem carregava R$ 90 no bolso e que o dinheiro sumiu. A principal prova é testemunhal: a jovem reconheceu o suspeito como sendo o autor do crime. Há ainda outras duas testemunhas: uma que viu o mesmo homem descendo do Morro do Boi por volta das 21 horas do dia 31 de janeiro e outra que afirmou ter enxergado um homem com as características do suspeito na Praia Mansa, no dia seguinte ao crime, acompanhando o resgate da vítima. Ainda não se sabe as motivações do crime e onde está o revólver calibre 38 usado no atentado.
Colegas de trabalho do suspeito teriam dito à polícia que ele não foi visto no dia e horário do crime na empresa. Uma funcionária, que terá o nome preservado por medo de represálias, disse ontem à reportagem que esteve com o suspeito entre 20 e 21 horas do dia 31 de janeiro. Ela contou que não prestou depoimento ainda porque não foi procurada para depor. É exatamente nesse horário que a polícia acredita que o homem voltou ao morro para molestar a jovem.
O advogado de defesa do suspeito, Nilton Ribeiro, está indignado com a mudança na tipificação do crime, o que, segundo ele, foi uma manobra da polícia para que o caso não fosse a júri popular. “Se hoje ele fosse julgado em júri, seria absolvido. Disseram que foi latrocínio, e não homicídio, para que o processo corra normalmente e seja julgado por apenas um juiz e um promotor e não por um júri de sete pessoas”, disse. Ribeiro disse ainda que não há provas de roubo, que as testemunhas ouvidas foram coagidas e que o cliente nega veemente ter cometido o crime.
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