Terça-feira, 09/02/2010
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Com a vida útil no fim, Caximba deixará de receber lixo dos grandes geradores no próximo dia 15. Eles terão de buscar soluções para a destinação de seus resíduos
Após separação criteriosa, resíduos são triturados, misturados e aquecidos para eliminar bactérias. Depois, viram ração animal
Publicado em 10/04/2009 | Vinicius BorekiO processo se baseia em um modelo da Holanda e consiste basicamente na separação criteriosa do lixo orgânico. Os resíduos são levados a um triturador e, em seguida, despejados em um misturador, que mantém a “mistura” em constante movimento. Mais tarde, o produto é levado a uma estufa – aquecida a 90ºC, seguindo a legislação – com o objetivo de eliminar possíveis bactérias e micro-organismos. Depois do processo, essa espécie de “lavagem” é usada como ração para suínos em uma granja de posse da Abdalla Ambiental. E as embalagens são recicladas. “É a solução para a geração dos resíduos orgânicos, porque tudo pode ser aproveitado no processo”, afirma Pedro Joanir Zonta, presidente do grupo Condor.
De acordo com o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, a parceria entre iniciativa privada e órgão público representa grande avanço na questão. “O IAP não pode apenas fiscalizar e punir. É preciso encontrar meios e tecnologias que possam auxiliar o meio ambiente”, opina. Conforme o secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, a eficiência do projeto pode significar um ganho de qualidade no tratamento do lixo. “Esse lixo ia para um aterro sanitário e precisava de uma série de cuidados. Agora, tem destinação, deixando de gerar odor, chorume e gás metano”, afirma Rodrigues.
Conforme o secretário, as cidades do Paraná construíram 148 aterros em 12 anos. Desse total, 136 se transformaram em “lixões”. “Esse é o investimento certo, porque diminui o impacto ao meio ambiente”, diz. Conforme dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, cerca de 60% dos resíduos destinados aos aterros são orgânicos. Em países desenvolvidos, o porcentual se aproxima dos 30%. “Essa diferença significa que depositamos muitas vitaminas, proteínas, que poderiam ser aproveitadas, no lixo”, diz.
Investimento
Além da prevenção dos danos ambientais – difícil de se medir economicamente falando –, o investimento para a implantação do processo não é alto: R$ 4 milhões, incluindo compra de máquinas e tratamento de funcionários no caso do Condor. Hoje, seis dos 19 supermercados de Curitiba e Região Metropolitana adotaram a técnica (o grupo tem outras oito lojas). O objetivo é estender o projeto a todas as lojas, evitando que 20 toneladas diárias de resíduos orgânicos sejam despejadas no aterro da Caximba. Desde o mês passado, o Shopping Palladium, com a mesmo procedimento, deixou de depositar 96 toneladas de resíduos por mês.
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