Terça-feira, 09/02/2010
Divulgação
Aventuras Provisórias: trecho picante
São Paulo - A Secretaria de Educação de São Paulo concluiu ontem a revisão de 817 títulos de livros usados em atividades de apoio nas salas de aula no Programa Ler e Escrever. A comissão que realizou o trabalho recomendou a exclusão de cinco livros.
Nas últimas semanas, reportagens mostraram que, dos 817 títulos distribuídos para alunos da rede estadual de ensino na faixa dos 9 anos, dois tinham linguagem inadequada: um livro em quadrinhos trazia palavrões e outro, um poema com ironias do tipo “nunca ame ninguém. Estupre”.
Serão excluídos, por conteúdo preconceituoso, Um Campeonato de Piadas, de Laerte Sarrumor e Guca Domenico; e por inadequação para a faixa etária, Poesia do Dia – Poetas de Hoje para Leitores de Agora, O Triste Fim do Menino Ostra e Outras Histórias, de Tim Burton, Memórias Inventadas – A Infância, de Manoel de Barros, e Manual de Desculpas Esfarrapadas: casos de humor, de Leo Cunha.
Folhapress
A obra consta numa lista preparatória dos vestibulares e ganhou o prêmio Petrobras de Literatura Brasileira 1987. O estado gastou cerca de R$ 1,5 milhão, R$ 11,75 por exemplar, numa licitação feita no ano passado.
Trecho polêmico
Num dos trechos considerados polêmicos, o autor escreve “Eu broxei vergonhosamente mesmo depois de baixar a calcinha dela com os dentes (...)”.
Segundo Cristovão Tezza, que é catarinense radicado em Curitiba, a obra é indicada para adultos, um retrato das gerações dos anos 70 e 80. “Eu não tenho nada a dizer. O meu crime foi escrever o livro”, disse, em tom irônico. “É uma questão de bom-senso e depende de como o professor vai trabalhar isso na escola. Mas hoje o adolescente tem acesso a coisa bem mais picante na internet e na novela das oito”, afirmou. “O meu medo é a caça às bruxas e que possam queimar livros em biblioteca”, completou.
De acordo com especialistas, os governos usam critérios objetivos para adotar livros didáticos, que não podem conter preconceito e estereótipos, por exemplo. Mas no caso dos livros paradidáticos, outros pontos precisam ser avaliados, como a qualidade nas obras de literatura. “É preciso ver a adequação para a idade, mas há outros critérios em jogo, como a estética, se a intenção é trabalhar literatura. A ideia é sensibilizar o aluno para o texto literário”, diz a professora Maria José Foltran, do Departamento de Linguística da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Para a professora Cristiane Gioppo, do setor de Educação da UFPR, livros com linguagem popular, palavrões e charges e com outros conteúdos podem ser trabalhados nas escolas, desde que haja um contraponto.
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