Quinta-feira, 02/09/2010
Priscila Forone/Gazeta do Povo
Surpresa: muitos pais foram informados sobre a suspensão das aulas ontem no fim da tarde, quando foram buscar seus filhos no colégio
Escolas particulares e públicas decidem interromper atividades para evitar propagação do novo vírus
Publicado em 30/07/2009 | Tatiana Duarte e Themys Cabral - Colaboraram Adriano Kotsan e Guilherme VoitchA Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) anunciou ontem mais 94 casos confirmados de gripe A (H1N1) no Paraná – nenhum óbito foi registrado neste boletim, além dos quatro anunciados anteriormente. Mesmo representando praticamente metade dos 180 casos do estado desde a chegada da doença ao país, as 94 confirmações não representam que a doença está avançando mais rapidamente no Paraná.
Os cursos pré-vestibulares de Curitiba decidem hoje pela manhã, numa reunião no Sinepe-PR, se seguem ou não a recomendação de suspensão. De acordo com o diretor do curso Positivo, Renato Ribas Vaz, parar as aulas nesse momento traria um prejuízo incalculável para os alunos. O presidente do Sinepe-PR ressalta que a Federação Nacional da Escolas Particulares (Fenepe) fará um pleito ao Ministério da Educação (MEC) para adiamento da prova do novo Enem. Ribas Vaz diz que um pedido de adiamento ao vestibular da UFPR também será feito. O reitor da UFPR preferiu não se pronunciar sobre esses assuntos.
A suspensão nas escolas da rede privada do estado pode ser prorrogada por um período ainda maior. Só em estabelecimentos particulares estudam no Paraná 542.767 pessoas, segundo o Censo da Educação de 2008, do Ministério da Educação (MEC).
De acordo com o presidente do Sinepe-PR, Ademar Batista Pereira, a suspensão não é obrigatória. “Cada escola é autônoma para decidir sobre seu funcionamento”, diz. O Sinepe-PR só não agrega escolas das regiões de Londrina e Maringá, que ainda não decidiram paralisar as aulas.
Faculdades
Nove instituições de ensino superior da capital também decidiram acatar a orientação. O vice-reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, ressalta que não haverá prejuízos aos 11 mil alunos da instituição. “A carga horária será reposta e os prazos serão estendidos na mesma proporção”, diz.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a única mudança é para o curso de Medicina. Foram canceladas algumas atividades práticas em que há contato direto do paciente com grupos de estudantes. De acordo com vice-reitor, Rogério Mulinari, os outros cursos não devem ter aulas suspensas por enquanto. “Não há evidência científica de que a suspensão seja produtiva”, diz.
Curitiba
A prefeitura de Curitiba anunciou ontem no fim da tarde que os 110 mil alunos da rede municipal e que as 30 mil crianças que frequentam as creches públicas estão com as atividades suspensas. “Todos estamos preocupados com essa situação, mas é preciso ter cautela e responsabilidade. Por isso, decidimos adiar o retorno às aulas”, disse a secretária municipal da Educação, Eleonora Fruet.
Não houve alteração para o calendário das escolas da rede estadual. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, só haverá mudança se houver orientação por parte da Secretaria de Estado de Saúde. De acordo com a Saúde, não é necessário, pelo menos por enquanto, suspender as aulas.
Filhos
Se o problema é não ter com quem deixar os filhos, algumas escolas anunciaram medidas alternativas. O Centro de Educação Infantil Ursinho Pimpão, que atende bebês de 4 meses a crianças de 6 anos, disponibilizou a equipe composta por 40 profissionais, entre professores e auxiliares, para atender os alunos em casa. A regra, segundo a diretora da escola, Vera Lúcia Bella Cruz, é que os pais levem e busquem de carro os profissionais em casa – a ideia é evitar aglomerações do transporte público. Outra norma é que o atendimento domiciliar será acertado diretamente com o profissional. A facilidade será oferecida somente para parte da comunidade interna da escola, que conta com 160 alunos.
Vanessa Gandim, mãe de Gustavo, de 3 anos, e dos gêmeos Gabriel e Gustavo, 9 anos, foi avisada da suspensão das aulas, ontem, no fim da tarde, quando foi buscar os filhos no colégio. “Perde um pouquinho de aula, mas é melhor prevenir”, opinou. De acordo com ela, no período de férias forçadas, as crianças vão ficar na casa da avó. “É melhor deixar as crianças em casa saudáveis do que precisar tratar uma doença depois”, concorda o médico infectologista e epidemiologista Moacir Pires Ramos.
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