Terça-feira, 09/02/2010
Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Aumento de tarifa, crise econômica e medo da gripe foram os principais fatores que afastaram passageiros, segundo a Urbs
Sistema de ônibus de Curitiba perdeu mais de 12 milhões de passagens desde o início do ano, causando atrasos nos pagamentos às empresas
Publicado em 21/10/2009 | Heliberton CescaO furo de caixa só não é maior porque desde janeiro a prefeitura de Curitiba socorre o Fundo de Urbanização com o repasse contínuo do Imposto Sobre Serviços (ISS), arrecadado junto às dez empresas que operam o transporte coletivo na cidade. O valor mensal é de aproximadamente R$ 800 mil. Portanto, foram injetados no caixa da Urbs R$ 7,2 milhões desde então. Além disso, a Urbs está recebendo desde 2005 mais um aporte de cerca de R$ 1 milhão referente ao Sistema Integrado de Transporte (Sites), que atende 50 linhas de ônibus para o transporte de alunos das escolas especiais para deficientes físicos e mentais. Até 2005, o custo desse serviço era absorvido pelo sistema. Atualmente, ele é pago pela Secretaria de Educação e virou um alento neste ano de vacas magras.
Apesar de o preço da passagem ter subido R$ 0,30 em janeiro deste ano, o valor atual de R$ 2,20 não é suficiente para equilibrar o sistema devido à queda do número de passageiros transportados por mês. Para se ter uma ideia, o preço da passagem de ônibus deveria ter sido de R$ 2,32 durante o mês de agosto deste ano para que a arrecadação fosse equivalente ao custo total do sistema, estimado em cerca de R$ 55 milhões por mês. O valor da passagem é obtido pela divisão do custo total do sistema de transporte pelo número de passageiros transportados.
A atual dívida de R$ 9,2 milhões junto às dez empresas que operam o sistema de ônibus de Curitiba deverá ser paga no dia anterior ou até no mesmo dia em que a prefeitura de Curitiba irá publicar o edital de licitação para o transporte coletivo.
A medida deve evitar argumentação de desequilíbrio financeiro das empresas operadoras, possiveis concorrentes da licitação.
“O saldo devedor será pago até o dia de publicação do edital de licitação”, garante o diretor de Transporte da Urbs, Fernando Ghignone. Ele explicou que já está acordado com a prefeitura de Curitiba para que o caixa do Executivo banque o déficit atual. “Se a Urbs não tiver o dinheiro, ele virá do Tesouro Municipal”, promete.
Para o diretor executivo do Setransp, Aírton Amaral, a mudança na forma de contratar as empresas com o processo de licitação será positivo. “Vai ajudar a profissionalizar o setor, ter mais controle”, opiniou o dirigente da entidade. (HC)
O resultado deste déficit de mais de R$ 9 milhões é o atraso no pagamento do serviço prestado pelas empresas. “Estamos devendo uma média de 5 dias úteis”, informou o diretor de Transportes da Urbs, Fernando Ghignone. O diretor executivo do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Aírton Amaral, disse que o pagamento acontece, em média, com até 8 dias de atraso. A reportagem da Gazeta do Povo apurou que, no início do ano, o atraso chegou a 20 dias. Para Amaral, o problema de caixa da Urbs refletiu na contabilidade das 10 empresas que operam o sistema na cidade e elas tiveram de recorrer a empréstimos bancários para conseguir capital de giro para manter os ônibus circulando.
Causas
Não há apenas um motivo que levou as pessoas a andarem menos de ônibus em Curitiba, e sim um conjunção de fatores que prejudicaram o sistema do transporte. Dois fatos foram determinantes: a crise financeira mundial e o medo da gripe. No primeiro semestre do ano, o nível da atividade econômica diminuiu e aumentou o desemprego. Consequentemente, menos pessoas usaram os ônibus para ir ao trabalho e voltar para casa. Depois da crise, veio a gripe. Ghignone salienta que nos três meses de temor intenso em relação ao risco de contaminação, 6,6 milhões de passagens deixaram de entrar no sistema. “O mais curioso é que não tivemos nenhum caso de motorista de ônibus com a gripe suína. Só três cobradores tiveram casos confirmados, mas eles trabalhavam em estações-tubo”, diz Amaral.
O diretor do Setransp lembrou ainda os fatores políticos envolvidos. “Infelizmente o poder público federal acabou incentivando o transporte individual”, comentou, ao lembrar a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para a produção de automóveis, que ficaram mais baratos. Além disso, as pessoas continuam a optar pelas motocicletas para os deslocamentos urbanos.
Tarifa
Outro fator relevante para a queda na quantidade de pessoas transportadas neste ano pelo sistema de ônibus de Curitiba foi o aumento da passagem, que subiu de R$ 1,90 para R$ 2,20 em janeiro. O reajuste aconteceu depois de cinco anos de preço congelado. Em janeiro, a Urbs informou que a elevação da passagem era necessária para manter o nível de investimentos e evitar um déficit de R$ 122 milhões ao longo do ano.
No entanto, a medida não evitou que o caixa ficasse no vermelho. Nos quatro primeiros meses deste ano, foram perdidas 2,6 milhões de passagens, média de 600 mil por mês, devido ao aumento do preço da tarifa e à diminuição da atividade econômica influenciada pela crise financeira mundial.
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