Sexta-feira, 03/09/2010
Daniel Castellano/ Agência Gazeta do Povo
Trepidação provocada pelos veículos acaba danificando os prédios
População vai discutir proposta de restringir o trânsito no setor histórico da cidade
Publicado em 21/02/2010 | Heliberton CescaParanaguá é a segunda cidade do país em que o Iphan elabora um plano de mobilidade a fim de preservar a paisagem histórica. A outra é Ouro Preto, em Minas Gerais. A intenção é fortalecer o turismo nesses locais, relacionando a conservação do casario antigo com atração de turistas e a circulação de pessoas da própria cidade no comércio, estimulando o desenvolvimento econômico dessas áreas de preservação arquitetônica. Recuperar a paisagem significa retirar o carro, que não fazia parte do cotidiano local na época da colonização.
O centro histórico de Paranaguá tem ruas pequenas, calçadas estreitas e casarões grandes e antigos. O pequeno espaço é divido entre a rua, áreas para estacionamento, várias bicicletas e muitos pedestres. Ali concentram-se lojas populares de diferentes ramos. Mesmo apertados, os comerciantes são resistentes à restrição da circulação de carros. Atualmente, há um calçadão de apenas 100 metros na Rua Hugo Simas.
“O povo tem preguiça. A mulherada quer descer na porta da loja”, explica Devanilde Genoveva Borge, dona de uma lanchonete. O histórico da diminuição da circulação de carros não é bom. “Quando eles fecham (as ruas) para algum evento, o povo some”, diz Giovani Cavalcanti, gerente de uma loja de calçados. Proprietário de uma relojoaria, Ernesto Lauro Klein lembra que a prefeitura retirou o estacionamento da via por dois anos e o resultado econômico foi ruim. “Para a segurança do pedestre é bom, mas piorou o movimento.”
A fotógrafa Cristina Lacerda, proprietária de um casarão restaurado, é a favor da retirada dos carros, mas acredita que antes de pensar nisso é importante criar, de forma gradual, outro tipo de movimento no centro, com mais restaurantes, pousadas e lojas de artesanato, por exemplo. “Se restringir a rua morre o comércio.” Porém, nem todo mundo é contra. O comerciante Antônio Geraldo Parro acha a ideia positiva: “Toda cidade que tem calçadão, tem mais movimento.”
Em Curitiba
Em 1972, os comerciantes da Rua XV de Novembro, em Curitiba, foram surpreendidos com o projeto do então prefeito Jaime Lerner de criar uma área exclusiva para pedestres. A polêmica foi parar na Justiça e Lerner começou as obras no fim do expediente para evitar medidas judiciais que impedissem o projeto.
Quase 40 anos depois, o calçadão da Rua XV é um dos cartões postais da capital do estado. Os lojistas mantêm um dos conjuntos de comércio de rua mais movimentados do país. E a ideia foi copiada por dezenas de outras cidades brasileiras.
O centro histórico de Curitiba também tem circulação de veículos controlada. “A restrição de carros pode ter resistência dos lojistas no início, mas depois o próprio comércio se beneficia com o movimento dos turistas na área de preservação. No fim, ganham todos: o comércio, o turismo e o patrimônio”, diz o historiador Marcelo Sutil, do setor de pesquisa da Fundação Cultural de Curitiba.
No caso da cidade paranaense, o centro histórico abrange a área na margem esquerda do Rio Itiberê na Rua da Praia (veja mapa), que tem casas típicas da colonização portuguesa do fim do século 19 e início do século 20. Além disso, o espaço tombado concentra a Igreja de São Benedito, a primeira igreja construída no Sul do Brasil, entre 1600 e 1650, por escravos negros devotos; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, edificada em 1578 e marco central do povoado e da Vila de Paranaguá.
O plano de mobilidade está sendo desenvolvido pela empresa TC Urbes, de São Paulo, contratada pelo Iphan, e deve ficar pronto ainda no primeiro semestre. A arquiteta Patrícia Zandonade explica que a restrição de veículos é ainda uma proposta. Para ela, o problema principal é a circulação da frota na região. “O excesso de veículos traz riscos para os pedestres e ciclistas, degrada as casas com a trepidação e desvaloriza a paisagem”, diz.
Opinião parecida tem o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Yahia Hamud. Segundo ele, a entidade apoia o plano, mas se preocupa em não prejudicar os comerciantes. “Temos algumas preocupações com a restrição ao trânsito, para que isso não inviabilize as lojas”, observa. Ele defende ações contínuas e de longo prazo para implementar o plano e mudar paulatinamente a cultura local. “A maioria ainda discorda (da restrição aos carros) porque tem uma visão imediatista.”
Audiência
O debate público da ideia deve acontecer em março e o principal desafio será convencer os comerciantes que, a longo prazo, a retirada dos carros será benéfica, vai levar mais pessoas para a área tombada e, consequentemente, melhorar o comércio. “Temos de ter cuidado para não expulsar a população residente. Queremos que seja o centro de todas as classes sociais”, adianta Patrícia.
A audiência pública colocará nove grupos de interesse no centro histórico, entre comerciantes, moradores, trabalhadores e donos de imóveis, para proporem juntos alternativas de mobilidade na região.
A prefeitura de Paranaguá acompanha a elaboração do plano e, segundo a diretora municipal de Planejamento, Rita Abe, ainda não tem um posicionamento oficial sobre a proposta da restrição de carros no setor histórico.
Serviço:
Acesse o blog no site da empresa responsável pelo plano de mobilidade de Paranaguá para ajudar no debate. O site é: www.tcurbes.com.br/paranagua.
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Interatividade
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Kelly Osbourne continua magra e vira pussycat doll
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