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Ivan Amorim/Gazeta do Povo

Ivan Amorim/Gazeta do Povo / Aloísio é um dos voluntários do estudo da UEM: paciência é fundamental Aloísio é um dos voluntários do estudo da UEM: paciência é fundamental
Pesquisa

Novo remédio para vitiligo deve chegar ao mercado em dois anos

21/04/2009 | 10:01 |
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Maringá - Com pesquisa em fase final de desenvolvimento, um medicamento contra vitiligo desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) deve estar disponível no mercado dentro de dois anos. A doença, caracterizada pela despigmentação da pele e formação de manchas esbranquiçadas, não tem cura nem formas de prevenção. Aproximadamente 2% da população sofre com o vitiligo, cerca de 5 milhões de pessoas.

O estudo teve início há cinco anos com ajuda da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e em parceria com a Steviafarma Industrial, empresa farmacêutica que detém a patente do princípio ativo do medicamento, mantido em sigilo por razões comerciais. Testes em laboratórios mostraram que a substância estimulava a formação de melanina, responsável pela cor da pele, em culturas de células. Depois de experiências com camundongos, os testes com seres humanos começaram em março de 2008, explica o professor Celso Nakamura, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UEM e responsável pelo estudo.

Traumas emocionais

O vitiligo causa o surgimento de manchas brancas pelo corpo. Não existe causa certa que determine o aparecimento da doença, mas na maioria dos casos há associação direta com traumas emocionais graves. As áreas esbranquiçadas tendem a atingir os dois lados do corpo, sendo muito comuns nas mãos, pés, face, tronco e genitais. Precedentes genéticos podem influenciar. Nesses casos o vitiligo é auto-imune, ou seja, o próprio organismo desenvolve anticorpos que destróem os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, que dá cor à pele. Entre 60% e 70% dos casos os fatores externos e ambientais são predominantes, como estresse emocional. Os prejuízos psicológicos causados pelo aparecimento das primeiras manchas podem fazer com que a doença se desenvolva ainda mais. As manchas não coçam, não dóem e não são contagiosas.

Foram selecionados 35 voluntários num grupo de 100 que se candidataram, e hoje são 26. Os primeiros resultados apareceram depois de nove meses de uso do produto, mas alguns voluntários não tiveram sucesso.

O mecânico Aloísio de Souza é um dos voluntários e usa o medicamento desde ano passado. Ele explicou que paciência é fundamental, pois apenas depois de vários meses de uso as manchas começaram a diminuir. Há sete anos com a doença, ele já havia experimentado outros medicamentos, mas interrompeu o uso. “Um saiu de mercado e o outro era muito caro”, disse.

Atualmente existem vários tipos de tratamento que ajudam no controle. Segundo o professor Nakamura, alguns medicamentos são fitoterápicos, com princípio ativo retirado de plantas. Existe a possibilidade de intervenção cirúrgica e uma terapia desenvolvida com base no extrato de placenta humana, disponível apenas em Cuba. “Algumas surtem efeito, outras não, depende do caso”, explicou. Em casos extremos onde as manchas atingem mais de 50% do corpo pode ser aconselhado ao paciente a despigmentação da parte restante.

Serviço:

Ainda não é possível adquirir o medicamento. Mais informações no site www.vitiligo.com.br.

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