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Hugo HaradaGazeta do Povo

Hugo HaradaGazeta do Povo / Rosileni Kappes de Oliveira, acompanhada da mãe (segunda à esquerda) e dos dois filhos: mesmo vivendo na área rural, família tem acesso à escola e atividades recreativas para a terceira idade Rosileni Kappes de Oliveira, acompanhada da mãe (segunda à esquerda) e dos dois filhos: mesmo vivendo na área rural, família tem acesso à escola e atividades recreativas para a terceira idade
DESENVOLVIMENTO

Pequena, mas com índices de dar inveja

Cidade de 3,8 mil habitantes no Oeste do estado, Quatro Pontes apresenta as menores taxas de analfabetismo e pobreza do Paraná

31/12/2011 | 00:05 |
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Quatro Pontes - Quando se chega a uma das entradas do município de Quatro Pontes, na Região Oeste do Paraná, um portal anuncia a cidade como a “capital da longevidade”. Não se trata de mero marketing, mas de uma estatística a encabeçar uma série de indicadores positivos que fazem do pequeno município um local invejável. A maior expectativa de vida do Paraná é acompanhada das menores taxas de analfabetismo, elevado rendimento médio da população e baixos índices de pobreza. Qual o segredo? Ao que parece, uma comunidade unida e bem-estruturada, movida pela agricultura familiar e por um círculo produtivo voltado aos próprios habitantes.

Em Quatro Pontes, poucos carros circulam pelas vias arborizadas, onde o mais fácil é encontrar alguém fazendo seu trajeto de bicicleta. Boa parte das casas não possui muros ou grades. A população é de apenas 3,8 mil habitantes, dos quais 90% são de origem alemã.

NO TOPO DO RANKING

Quatro Pontes está entre as cidades mais desenvolvidas do Paraná.

- Dos 3.378 moradores com 10 anos ou mais, 3.340 são alfabetizados.

- A esperança de vida ao nascer é de 83,1 anos, enquanto a média paranaense é de 74,7 anos.

- Os habitantes têm ainda o sétimo maior rendimento médio domiciliar per capita do estado, de R$ 909,76.

EXPECTATIVA DE VIDA

Longevidade é a marca do município

As dificuldades para caminhar e a fala prejudicada já realçam os efeitos do tempo sobre Erminda Kappes, que vive com a neta e os bisnetos em uma propriedade rural. Isso não impede que aos 88 anos ela represente uma das estatísticas mais exaltadas pelos moradores de Quatro Pontes, a de cidade com a maior expectativa de vida do Paraná.

Para um cidadão de Quatro Pontes, a esperança de vida ao nascer é de 83,1 anos, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com base em estimativa calculada pelo IBGE em 2009. Na prática, isso significa que uma criança recém-nascida local viveria esse período se os padrões de mortalidade se mantivessem os mesmos ao longo de sua vida. É o maior índice entre todas as cidades paranaenses, próximo de 85, valor máximo estabelecido pelo Pnud. A expectativa de vida média no estado é de 74,7 anos.

Foi apenas dos últimos anos para cá, por conta dos problemas de saúde, que Erminda deixou de participar das atividades do grupo de terceira idade de Quatro Pontes. A chefe da divisão de Assistência Social, Loni Topper, relata que são mais de 100 idosos que participam de diversas atividades, como passeios, dança e atividades físicas. “É mantendo a mente deles ativa que nós vamos preservar a qualidade de vida”, acredita.

A cidade detém ainda o segundo melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná, ficando atrás apenas de Curitiba. O índice, cujo último cálculo foi feito em 2000, considera indicadores de educação, longevidade e renda. O IDH de Quatro Pontes é de 0,851, enquanto o da capital ficou em 0,856.

A riqueza do município está evidenciada nos números do rendimento médio de seus habitantes, calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao lado de Ma­ringá, a cidade possui a menor porcentagem de domicílios considerados pobres no Paraná. Apenas 7% dos domicílios possuem renda per capita mensal inferior a meio salário mínimo. Além disso, o rendimento médio domiciliar per capita é de R$ 909,76, o sétimo maior em todo o estado.

Segundo o prefeito Rudi Kuns (DEM), essa condição privilegiada tem origem nas raízes do município. Quando se desmembrou de Marechal Cândido Rondon, em 1993, a cidade reunia um conjunto bem-estruturado de pequenas propriedades rurais que, ao lado de novas indústrias, alavanca a economia do município. “Nós temos uma agropecuária forte e emprego na indústria, o que movimenta o comércio e garante estabilidade financeira. Quase toda a cadeia produtiva se concentra na cidade”, avalia. De acordo com ele, a geração de renda no campo tem feito não apenas com que a população rural permaneça, mas também atraído as novas gerações.

Foi o que aconteceu na família de Irineu e Inez Toillier, que acompanharam o nascimento do município em sua propriedade rural, onde vivem há mais de duas décadas. As duas filhas saíram da cidade para cursar Administração, mas uma delas, Taniclei, voltou para ajudar a gerenciar a propriedade ao lado do marido, Valdecir Ferster. “Viver aqui é uma experiência muito boa, existe uma relação interpessoal que não existe nas grandes cidades. Todos acabam se ajudando”, diz Irineu.

Educação à frente

Analfabetos praticamente não existem em Quatro Pontes. Com 98,9% de sua população acima de 10 anos alfabetizada, o município tem o melhor índice no Paraná. Dados da secretaria municipal de Educação revelam que todas as crianças em idade escolar, da educação infantil às séries iniciais do ensino fundamental, estão na escola. Casos de William Roberto Kappes, de 10 anos, e Gabrielly Stefany de Oliveira, de 7, que mesmo vivendo na zona rural não deixam de frequentar as aulas. “A maioria das pessoas aqui têm consciência da importância dos estudos”, observa a mãe das crianças, Rosileni Kappes de Oliveira.

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