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Crise em Londrina

Pressionado, prefeito de Londrina sai de licença médica por 10 dias

Desde que confessou em depoimento ao Gaeco ter recebido R$ 150 mil de empresários, José Joaquim Ribeiro tem dito que sua saúde está debilitada

13/09/2012 | 11:37 |
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O prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido), que recentemente admitiu ter recebido R$ 150 mil de empresários que venceram a licitação dos uniformes escolares e está sendo pressionado para renunciar ao cargo, vai ficar afastado da Prefeitura. Isso porque ele conseguiu uma licença médica de 10 dias. Desde seu depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o prefeito tem afirmado que sua saúde está debilitada. Ninguém ocupará oficialmente a função de Ribeiro neste período. Quem passa a gerenciar a administração é o secretário municipal de Governo, Gervázio Luiz de Martin Junior. O atestado médico será protocolado na Prefeitura ao meio-dia.

Apesar de manter a confissão do recebimento do dinheiro de empresários, mudando apenas o fato de que não teria ficado com nenhuma parte dos R$ 150 mil, Ribeiro insiste em permanecer no comando da administração municipal. Várias entidades representativas de Londrina, como a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Ordem dos Advogados do Brasil de Londrina (OAB), Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte), Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Londrina, Sociedade Rural do Paraná (SRP) já se manifestaram pela renúncia imediata do prefeito.

Na quarta-feira (12) à tarde, o Sindicato dos Contabilistas de Londrina e Região (Sincolon), o Observatório de Gestão Pública de Londrina e o Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina (Sescap- LDR) protocolaram um documento na Prefeitura pedindo a saída do prefeito dao cargo.

“O Sincolon protocolou junto à Prefeitura do Município de Londrina um manifesto solicitando que o atual prefeito renuncie”, diz um trecho da nota enviada à imprensa na manhã desta quinta-feira (13), sobre a manifestação favorável pela renúncia.

O presidente do Sescap-LDR, Marcelo Odetto Esquiante, disse que os associados estavam cobrando uma posição da entidade. “Ontem nos reunimos e decidimos pela renúncia”, contou. José Joaquim Ribeiro, que é contador, já presidiu o sindicato. “[Na época da gestão dele] Nunca teve nada que o desabonasse. Para nós está sendo muito difícil tomar essa decisão [pela renúncia]”, disse.

O presidente do Observatório de Gestao Pública de Londrina, Waldomiro Grade, disse que a decisão foi muito pensada. “Até em homenagem à história que ele [Ribeiro] tem em Londrina é melhor que ele deixe o cargo para que a administração possa prosseguir de forma regular”, explicou. Na opinião de Grade, a confissão de Ribeiro gerou uma situação muito desagradável, que está fazendo mal para ele mesmo. "Segundo informações que nos deram, ele estava visitando o médico [na quarta]", contou, referindo-se à visita que as três entidades fizeram à Prefeitura na quarta. Eles contaram querer entregar o pedido de renúncia pessoalmente ao prefeito, mas ele não foi localizado no gabiente.

O JL ligou para o celular do secretário de Governo, Gervázio Luiz de Martin Junior, mas o telefone estava na caixa postal. Por volta das 10 horas ele estava em uma reunião fora da Prefeitura.

14 foram indiciados por irregularidades na licitação dos uniformes

Quatorze pessoas, entre elas o prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC) e o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) foram indiciadas por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato (corrupção no caso dos agentes públicos) e corrupção ativa [no caso dos empresários] na investigação sobre supostas irregularidades na compra dos kits escolares pela Prefeitura de Londrina. O inquérito inclui fatos ocorridos em 2010 e 2011, quando foi usada a modalidade “carona” com relação à licitação da Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) e em 2012, quando seria feita uma licitação, que foi suspensa pelo Judiciário.

Os representantes das empresas que venceram a licitação disseram ter pagado R$ 270 mil de propina, dos quais Ribeiro admitiu, em depoimento prestado ao Gaeco no dia 3 de setembro, ter pegado R$ 150 mil. Segundo os depoimentos prestados pela ex-secretária da Educação, Karin Sabec, a propina seria de 17% do valor dos contratos – ela declarou ter ouvido do gerente financeiro da Kriswil, José Lemes, que seriam 12% para o prefeito e 5% para o secretário da Educação, mas Karin Sabec nega ter recebido.

De acordo com o promotor de Patrimônio Público, Renato Lima Castro, Ribeiro disse que a propina veio da G8 e a primeira parcela, de R$ 50 mil, foi repassada ao ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). As outras duas remessas, no valor de R$ 100 mil, foram divididas entre atual prefeito e o ex-secretário da Fazenda, Lindomar Santos. Em entrevista aos veículos de imprensa na terça (11), após um período de silêncio sobre o caso, Ribeiro disse que apenas recebeu o dinheiro e repassou todo o montante ao então prefeito Barbosa Neto (PDT) para quitar dívidas de campanha.

Após a conclusão das investigações, o inquérito foi enviado ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), já que Joaquim Ribeiro tem foro privilegiado. O indiciamento foi referendado pelo TJ e encaminhado ao Ministério Público (MP) para que seja oferecida a denúncia. O MP também pode pedir o afastamento do prefeito do cargo na Justiça local.


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