Terça-feira, 09/02/2010
Íttala Nandi se divide entre o interesse público e o particular
Publicado em 28/08/2007 | Caio Castro LimaO contrato da atriz com o estado, segundo ela própria, é de prestação de serviços. Isso significa que, formalmente, Íttala não é uma funcionária do estado e não precisa cumprir horário de trabalho específico. Assim, a atriz estaria liberada para gravar a novela em outro estado.
Hedeson Alves/GP
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Íttala Nandi: embora ganhe do PR, passa parte do tempo no RJ
O contrato da atriz Íttala Nandi com o governo do estado, por meio do qual ela presta o serviço de coordenação da Escola Sul-Americana de Cinema e Televisão, é um assunto nebuloso. Ela e o próprio governo não esclareceram à Gazeta do Povo os exatos termos do contrato.
A coordenadora da Escola Sul-Americana de Cinema, a atriz Íttala Nandi, embora não queira comentar sobre o contrato que mantém com o governo do Paraná, considera que está fazendo um bem pelo cinema paranaense. Ao mesmo tempo, revela um modo muito peculiar de compreender o Paraná e seus habitantes.
O aluno Daniel Duda, de 26 anos, da Escola Sul-Americana de Cinema e Televisão, afirma que a situação do curso é caótica, tanto no quesito disciplinar quanto no administrativo. Segundo ele, há outros professores que têm o mesmo regime contratual de Íttala Nandi, que é o de prestação de serviços, o que tem atrapalhado nas disciplinas curriculares. “Há professores que não poderiam estar dando aula, pois não possuem a diplomação necessária. E põem outros professores da FAP para que assinem como se eles tivessem dado as aulas”, disse Duda. Segundo ele, em alguns períodos os alunos chegaram a ficar até duas semanas sem aulas.
O advogado Flávio Pansieri, especialista em direito administrativo, entende que alguém desempenhar uma função de estado de forma terceirizada seria irregular. “Na função que ela exerce, não era para ter sido contratada nessa modalidade, de prestação de serviços.” Segundo ele, esse tipo de contrato deveria ser usado para prestação de serviços pontuais, mas não para uma função de administração de estado, como a coordenação de um curso superior.
Pansieri diz ainda que a outra função desempenhada por Ítalla na escola, a de professora, também seria uma carreira de estado. Ela até poderia, nesse caso, ser considerada uma professora-visitante, tipo de contrato usado em universidades públicas para contratar, por exemplo, grandes especialistas de outros países que, assim, não precisam passar por concurso público. Mas esses contratos especiais, como os existentes na Universidade Federal do Paraná (UFPR), exigem dedicação integral.
A atriz ainda afirmou que as duas atividades profissionais que têm não são inconciliáveis. “Consigo conciliar porque tenho uma boa equipe. Se precisasse, estaria no curso o tempo todo. Vivo na ponte-aérea e tenho esse privilégio devido à boa equipe (que tenho). Poucas pessoas têm capacidade para fazer isso”, disse Íttala. “Faço com amor e dedicação e sou responsável. As outras pessoas não têm o meu currículo. Talvez por isso não consigam fazer como eu. Tenho 50 anos de profissão.” Ela ainda afirmou que não é obrigada a cumprir horário de trabalho no estado. “Faço horários loucos porque quero que a escola vá para frente.”
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