Terça-feira, 09/02/2010
Dados teriam sido passados para parlamentares aliados. Informações teriam começado a circular antes de chegar ao arquivo da CPI
13/04/2008 | 15:30 | O Globo OnlineReportagem de Alan Gripp e Bernardo Mello Franco publicada na edição deste domingo do jornal "O Globo" afirma que o governo repassou a parlamentares aliados dados sobre gastos supostamente exóticos de ex-ministros do governo FH, para constranger a oposição.
As informações começaram a circular no Congresso antes que documentos chegassem ao arquivo da CPI do Cartão Corporativo. A reportagem , porém, ressalta que não há registro de que tenham sido organizadas num dossiê, como supostamente aconteceu com gastos do próprio ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher, a antropóloga Ruth Cardoso.
Os ex-ministros Paulo Renato Souza (Educação), Francisco Weffort (Cultura) e Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) confirmam a circulação de informações sobre eles. Esse último se antecipou e tornou públicas suas despesas.
Os gastos supostamente irregulares ou exóticos foram feitos, principalmente, com recursos das chamadas contas tipo B, que antecederam a criação dos cartões corporativos e eram usadas para despesas com alimentação, transporte e hospedagem fora de Brasília.
Dilma se recolhe e assessores fazem 'boca de siri'
Numa estratégia para preservar a ministra Dilma Rousseff, os integrantes da Casa Civil têm evitado falar - até mesmo de aspectos técnicos - sobre o vazamento de gastos do governo Fernando Henrique Cardoso, alegando que tudo está sob investigação da Polícia Federal, mostra reportagem de Luiza Damé e Chico de Góis. A própria ministra, que prometeu publicamente, na entrevista de sexta-feira, dia 4, mostrar as planilhas do "banco de dados", disse semana passada que só voltaria a dar entrevista sobre o assunto quando for concluído o inquérito conduzido pela PF.
- Boca de siri - disse um assessor direto de Dilma.
A assessoria de Dilma não respondeu a um questionário de 20 perguntas sobre o caminho dos gastos até a montagem do banco de dados, encaminhado por e-mail pelo jornal "O Globo" na última quarta-feira.
Dilma exige fidelidade e não perdoa traição
A mulher que foi arrastada para o centro do escândalo do dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso mantém em torno de si um esquadrão de pelo menos 12 pessoas que lhe são fiéis. Alguns, pelo menos quatro desse grupo, são gaúchos e a acompanham desde os tempos em que era secretária no governo de Alceu Collares, no Rio Grande do Sul, entre 1991 e 1994.
Os mais novos juntaram-se a ela nos meses que antecederam a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no início de 2003, no Ministério das Minas e Energia. E lhe são igualmente leais. No meio do caminho, quando desconfiou levemente de auxiliares, agiu para que a deixassem. Ao menor sinal de infidelidade, Dilma age para afastar os suspeitos, prove-se ou não a culpa. Aconteceu recentemente com ex-auxiliares na Casa Civil, mas a decisão é sempre discreta. Na medida do possível, ele não as torna públicas.
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