Terça-feira, 09/02/2010
O documento ao qual a reportagem teve acesso mostra o valor das compras e as empresas que receberam os pagamentos. São, basicamente, editoras de livros e revistas, companhia de sistemas de busca de informações e empresas de mobiliário para bibliotecas.
Quando a informação de que Lígia era a servidora federal que mais teve gastos com cartões foi divulgada, no mês passado, levantou-se ainda a suspeita de que poderia haver irregularidade devido ao fato de que algumas aquisições foram sido efetuadas entre junho de 2006 e junho de 2007. Nesse período, a funcionária esteve em Paris, licenciada do cargo, sem receber salário, para acompanhar o marido, Marcos Sunye, professor da UFPR, que na época fazia curso de pós-doutorado.
“Durante o período em que estive no exterior, havia compras programadas, que não poderiam ser adiadas e que foram efetuadas com o cartão”, explicou Lígia. De acordo com ela, todas as aquisições são antecedidas de processo de importação, que tramita dentro da universidade e ainda passa por auditoria da própria UFPR e do Tribunal de Contas da União.
Lígia disse ainda que o cartão, que existe desde 1994, foi instituído para a aquisição de material bibliográfico não-disponível no Brasil. “Esses livros e revistas são necessários para o desenvolvimento científico de pesquisa, ensino e extensão.”
Outras despesas
O documento da CPI dos Cartões Corporativos que a reportagem teve acesso é o mesmo que mostra, por exemplo, que a ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro usou o cartão corporativo do governo para pagar despesas em restaurantes e cafés. Matilde deixou a pasta em fevereiro deste ano, depois da revelação de que ela fez gastos irregulares com o cartão.
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