Terça-feira, 09/02/2010
Priscila Forone/Gazeta do Povo
Dr. Fábio de bike - o arquiteto e urbanista Fábio Duarte, coordenador do mestrado de Gestão Urbana da PUCPR, é um símbolo da Curitiba descontente com a “são-paulização” da cidade. Faz pesquisas sobre poluição provocada por carros, gerou grupos de discussão universitária e mostra que é possível dar uma reviravolta na cidade: ele enfrenta o trânsito caótico do Prado Velho sobre duas rodas – com mochila nas costas – sem deixar de ser doutor.
Se você fosse prefeito, o que faria? Nestas páginas, dez sugestões resumem as propostas recolhidas junto a centenas de curitibanos e de especialistas. Em comum, todos têm o desejo por uma cidade da qual se possa de fato participar
Publicado em 05/10/2008 | Rosana Félix e José Carlos FernandesNos últimos quatro meses, a reportagem da Gazeta do Povo circulou por Curitiba e por alguns pontos da região metropolitana para saber se a população estava satisfeita com a cidade em que vive. O objetivo era bolar diagnósticos, que servissem de debate para o período eleitoral. Para tanto, foi preciso circular cerca de 500 quilômetros, quase que unicamente dentro da capital.
O resultado da expedição Curitiba adentro é que de cada viagem se voltava para a redação não só com pilhas de depoimentos, de idéias e de dados a checar, mas também com propostas. A população não só quer participar como tem o que dizer.
Marcelo Elias/Gazeta do Povo
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Quem quer pão? - Seis a cinco. Esse é o placar dos bairros mais pobres de Curitiba versus os mais ricos. Em meia dúzia deles, a renda familiar média não chega a R$ 1 mil. Nos cinco top de linha, os rendimentos médios vão de R$ 6 mil a quase R$ 9 mil. Entre os que pouco têm, muitos recorrem aos pães que são distribuídos toda terça-feira na Igreja do Bom Jesus. São 13 mil pães para cerca de mil pessoas, distribuídos por 50 senhoras da Pia União de Santo Antônio.
O mesmo se diga das fontes especializadas. A reportagem registrou 96 entrevistas com autoridades em assuntos tão diversos quanto alimentação e transporte coletivo. Raro um que não aproveitasse a deixa para mandar um recado aos gestores públicos.
O resultado dessas duas escutas – a dos populares e das autoridades no assunto – rendeu as dez propostas apresentadas nesta reportagem. Nenhuma delas é extraordinária. São simples, factíveis, urgentes como o buraco da rua.
É o caso do aumento de programas culturais, de lazer e de emprego para adolescentes com mais de 14 anos, quase sempre órfãos da rede de proteção. É o caso também das casas especializadas em atendimento a dependentes químicos, condenadas à invisibilidade numa cidade que ainda lida muito mal com o problema da drogadição.
Entre idas e vindas a lugares tão diferentes quanto o Jardim Social e a Vila Icaraí – a mais pobre e violenta do Bolsão Audi-União – a reportagem procurou ainda um outro elemento: exemplos positivos. Sem eles, diagnósticos e propostas corriam o risco de se tornar mulas-mancas.
Pois exemplos não faltaram. No Batel, o engenheiro Paulo Nascimento criou um conselho de moradores, rompendo com o silêncio dos habitantes de zonas nobres. Na Terra Santa, a líder comunitária Rosa Siqueira criou uma espécie de cooperativa de mulheres pintoras de casas populares.
Quando a série Retratos de Curitiba já estava chegando ao fim, soube-se que o supergraduado arquiteto Fábio Duarte, da PUCPR enfrenta o trânsito de Curitiba de bicicleta. Verdade seja dita: Fábio é uma raridade. Difícil encontrar as classes médias nos ônibus e nas ruas, empenhando seu quinhão para melhorar a cidade. Particularmente no trânsito – com folga o tema mais explosivo da campanha municipal de 2008.
Tomara em 2012, o arquiteto não esteja sozinho nas ruas. É isso ou 1,5 milhão de carros.
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