Terça-feira, 09/02/2010
Delegado solicitou gravações à Diretran na segunda-feira. Material deve servir para apurar a velocidade do carro dirigido por Fernando Ribas Carli Filho no momento da colisão
12/05/2009 | 12:48 | Célio Yano atualizado em 12/05/2009 às 15:58O delegado Armando Braga de Moraes, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), havia solicitado as gravações na segunda-feira (11). O material deverá servir para apurar a velocidade do carro dirigido pelo deputado. O delegado não foi encontrado nesta terça-feira para comentar o caso, e a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp) informou que ainda não tinha detalhes sobre as imagens recebidas.
RPCTV
Deputado estava com carteira suspensa por multas
Saiba quais as perguntas que ainda não foram respondidas sobre o caso:
Qual era a velocidade do veículo na hora da colisão?
O carro do deputado era mesmo blindado?
Não foi feita a coleta de sangue no momento do atendimento médico, que permitisse a realização de exame de teor alcoólico?
Por que a família decidiu transferi-lo para São Paulo, já que Curitiba tem profissionais especializados em reconstrução facial?
Haveria outro carro disputando um possível racha com o deputado Ribas Carli Filho?
Membros da equipe do Batalhão da Polícia de Trânsito (BPTran) que atenderam o acidente afirmaram que o velocímetro do carro do deputado estava travado em 190 quilômetros por hora. Braga não confirma a informação e disse ter visto o velocímetro em zero no pátio no qual o veículo está recolhido. A primeira conclusão do delegado no inquérito é de que não há indícios de racha ou de um terceiro carro envolvido no acidente.
Na segunda-feira, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público informaram que acompanharão as investigações. Por envolver um deputado, que tem foro privilegiado, a Procuradoria-Geral do Estado designou, na segunda-feira, o desembargador para acompanhar o caso, que também terá a participação do promotor de Justiça Rodrigo Chemim.
Multas
Reportagem da Gazeta do Povo desta terça-feira mostra que o deputado estadual Carli Filho estava com a carteira de habilitação vencida e não poderia dirigir desde julho do ano passado. O parlamentar foi multado 30 vezes nos últimos seis anos e acumula 130 pontos na carteira de motorista. Do total, 23 foram por excesso de velocidade – seis delas a menos de dois quilômetros do local da batida da última quinta-feira.
Saúde
Até o início da noite de segunda-feira, o deputado permanecia na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e mesmo com traumatismo múltiplo na face, ele estava consciente e respirando sem ajuda de aparelhos. As informações, divulgadas em nota assinada pelo neurocirugião Hallim Feres Jr., dizem ainda que os exames não haviam determinado o tratamento a ser adotado.
Acidente
A colisão aconteceu na esquina das ruas Monsenhor Ivo Zanlorenzi e Paulo Gorski na madrugada de quinta-feira (7). O deputado dirigia um Volkswagen Passat de cor preta, que acabou batendo contra um Honda Fit de cor prata. Após a colisão, os carros foram parar na Rua Barbara Cvintal, uma via local paralela à Monsenhor Ivo Zanlorenzi. Pedaços de lataria, vidros e ferros ficaram espalhados por cerca de cem metros.
Os dois ocupantes do Honda, Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, morreram no local. Eles voltavam do Park Shopping Barigui, onde Almeida trabalhava. Yared estudava psicologia e planejava viajar para Austrália.
Embora a ocorrência tenha acontecido durante a madrugada, a família só ficou sabendo que o deputado tinha se envolvido no acidente por volta das 10h de sexta-feira. A funcionária do apartamento de Fernando Ribas Carli, localizado a poucos metros do local do acidente, viu as imagens na televisão dos dois veículos pela manhã e reconheceu o deputado pelo cabelo e a roupa. Imediatamente avisou a família, que iniciou a busca em hospitais.
O automóvel dirigido por Carli Filho não era usado por ele diariamente. Ele tem uma Land Rover, que estava no conserto. O Passat era da transportadora do pai.
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