Terça-feira, 09/02/2010
Testemunhas afirmam que parlamentar havia bebido horas antes do acidente e dirigia em altíssima velocidade no momento da colisão
Publicado em 17/05/2009 | Karlos KohlbachCom 112 páginas, o inquérito traz o relato de nove testemunhas que presenciaram a colisão ou que estiveram com o deputado antes e depois do acidente na madrugada do dia 7. O depoimento mais detalhado do momento da batida é de um motorista que trafegava, segundos antes do acidente, pouco atrás do Honda Fit prata – onde estavam Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20, que morreram na batida. Em depoimento à polícia, ele relata que, no cruzamento da Rua Paulo Gorski com a Avenida Ivo Zanlorenzi, no Mossunguê, Yared reduziu a velocidade e entrou na avenida em baixa velocidade. A testemunha conta que, quando parou no cruzamento, percebeu que o Passat alemão (dirigido pelo parlamentar) vinha em altíssima velocidade e teve a impressão de que o veículo do deputado havia perdido o contato com o solo. Logo em seguida, ela disse ter visto a colisão e a impressão foi de que o choque aconteceu quando o Passat veio a tocar novamente a pista. A testemunha descreveu o que viu ao chegar ao local em que o Fit e o Passat pararam após se chocarem: “A cena era de destruição”.
A reconstituição do acidente, que ocorrerá na próxima terça-feira, contará com a participação de peritos com conhecimento em física e tentará esclarecer:
– Qual a velocidade que os veículos envolvidos no acidente estavam no momento da colisão?
– Seria possível que o veículo dirigido por Carli Filho atingisse a velocidade de 190 km/h no local da colisão trafegando na Avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi a partir do último radar?
– Em caso negativo, qual a velocidade máxima possível de ser atingida nas mesmas condições?
Álcool
Uma garçonete do restaurante onde o deputado esteve momentos antes do acidente disse em depoimento que Carli Filho frequentava o local, em média, uma vez a cada 15 dias e que o deputado tinha como hábito tomar vinho em garrafas de mais ou menos 800 mililitros.
No dia do acidente, relembra a garçonete, ela serviu quatro garrafas de vinho na mesa em que o parlamentar estava – na companhia de um casal de amigos. Relata ainda que Carli Filho não comeu coisa alguma, apenas bebeu e que “quando ele saiu para ir embora apresentava visível estado de embriaguez alcoólica”. Outros dois garçons confirmaram o estado em que o parlamentar deixou o restaurante: “Apresentando visíveis sinais de embriaguez”. No boletim de atendimento a Carli Filho, os socorristas do Corpo de Bombeiros descrevem a presença de “hálito etílico” no deputado.
Radar
No inquérito também consta um relatório encaminhado pela Urbs com uma lista de veículos que passaram – seja qual for a velocidade – pelos radares da Avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, local do acidente, e Parigot de Souza, rua do Shopping Barigui – de onde saíram os dois jovens – e onde fica a residência do parlamentar. A intenção é esclarecer a que velocidade o carro do deputado trafegava antes da colisão. Os sete radares instalados nessas ruas mostraram que 550 veículos passaram pelos locais entre 0 hora e 1 hora da madrugada do dia 7 de maio. O carro dirigido por Carli Filho, no entanto, não passou por nenhum desses sete radares nesse intervalo de tempo.
No último dia 13, o delegado encaminhou um novo ofício à Urbs – ainda não respondido – solicitando a listagem de carros que passaram entre 23 horas e 2 horas pelos radares das ruas Ivo Zanlorenzi e Parigot de Souza, além das vias próximas. O ofício 20040/2009 diz que a intenção é “estabelecer a velocidade que o Passat conduzido por Carli Filho trafegava na região dos bairros Mossunguê, Campo Comprido e adjacências”.
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