Terça-feira, 09/02/2010
Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo
Um estranho no ninho tucano: Romanelli (de óculos), entre Richa e Serra
Líder do governo Requião, Luiz Cláudio Romanelli prestigiou o pré-candidato tucano à Presidência em evento promovido pela prefeitura de Curitiba
Publicado em 20/11/2009 | Caroline OlindaRodolfo Bührer/ Gazeta do Povo
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Prefeitura bancou ônibus Aproximadamente 2 mil pessoas participaram do lançamento do programa Mulher Curitibana, realizado ontem no centro de convenções da Universidade Positivo. A maioria foi para o evento e voltou em ônibus cedidos pela prefeitura de Curitiba, que lotaram o pátio localizado ao lado do centro de exposições. Para transportar tanta gente, até um modelo antigo do ônibus turístico, a jardineira, foi usado.
Programa ampliará mamografias
O programa Mulher Curitibana, lançado ontem com a presença do governador paulista José Serra, pretende ampliar o número de mamografias realizadas por mês na capital paranaense. A intenção é passar da média atual de 6 mil mamografias mensais para 10 mil – e, com isso, aumentar a prevenção ao câncer de mama. Para atingir o objetivo, será feito um trabalho de reforço da importância da visita anual das mulheres ao médico para a realização de exames clínicos, como o do colo do útero e a mamografia.
O programa vai funcionar de forma semelhante ao Mãe Curitibana, com forte participação dos agentes de saúde. Eles visitarão a usuária do SUS no dia do seu aniversário, com um convite para que a mulher compareça à unidade de saúde mais próxima para fazer exames e uma avaliação básica de saúde. A paciente ainda sairá da consulta com um pedido do médico para realizar a mamografia.
Cada mulher ganhará uma caderneta, que servirá como histórico médico. Na caderneta, serão anotados os resultados dos exames, medicamentos prescritos, problemas de saúde, vacinas que tomou, e outras informações relacionadas à saúde da paciente. Isso ajudará o médico a acompanhar melhor a evolução da mulher. As primeiras cadernetas foram entregues ontem, na cerimônia de lançamento do programa.
A visita a Curitiba do governador paulista e pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, teve um convidado inusitado: o líder do governo Requião na Assembleia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). O deputado peemedebista não só compareceu ao evento organizado pela prefeitura curitibana como acompanhou pessoalmente Serra na van que o transportou do Aeroporto Afonso Pena ao câmpus da Universidade Positivo – onde o paulista participou do lançamento do programa municipal Mulher Curitibana e para assinar um termo de cooperação técnica entre o governo de São Paulo e a prefeitura da capital para a erradicação de favelas.
Romanelli subiu ao palco do evento e ficou em meio a políticos do DEM, PPS e PSDB – partidos que fazem oposição ao governador Roberto Requião. O deputado não quis informar o teor da conversa que teve com Serra no trajeto entre o aeroporto e a universidade. “Foi muito agradável”, limitou-se a declarar o deputado. Segundo ele, Requião e Serra devem se encontrar ainda nesta semana. O encontro dos dois governadores, no entanto, não foi confirmado pela assessoria do governador de São Paulo.
Possível aliança
A presença de Romanelli no evento, e no palanque tucano, foi interpretada como uma mostra de que as conversas entre o PMDB e o PSDB sobre uma possível aliança estadual também estão encaminhadas. O prefeito Beto Richa, pré-candidato tucano ao governo estadual, não descartou uma aliança com o partido de Requião em 2010. “Acredito que a gente pode construir um grande leque de alianças que pode fortalecer ainda mais um bom projeto a ser apresentado pelo PSDB no ano que vem. E, nesse projeto, se inclui o PDT, do senador Osmar (Dias), o PMDB...”, disse.
Richa afirmou ainda que o PSDB tem conversado com diversos partidos a respeito das eleições estaduais. “O único partido com quem o PSDB não estabeleceu diálogo foi com o PT”, declarou o prefeito, que afirmou que a Assembleia Legislativa é um dos cenários das conversações sobre 2010. Richa citou Romanelli e o deputado Alexandre Curi como integrantes do PMDB que têm “conversado muito bem com o PSDB” a respeito da eleição estadual. Nos bastidores, cogita-se inclusive o nome de Curi para ser o candidato a vice de Richa.
A inclusão de peemedebistas numa aliança tucana no Paraná iria contrariar o pré-acordo firmado entre as cúpulas nacionais do PMDB e do PT em outubro. O entendimento entre os dois partidos determina que a aliança nacional deva ser, preferencialmente, repetida em todos os estados. Esse acordo nacional, porém, tem sido criticado fortemente pelo governador Requião, que briga por uma candidatura própria do PMDB à Presidência. Amanhã, o governador estará em Curitiba em um evento de peemedebistas que lutam por essa tese.
Um candidato próprio do PMDB à Presidência facilitaria uma aliança entre peemedebistas e tucanos no Paraná. Além disso, há quem considere o movimento de Requião uma forma de minar a candidatura da petista Dilma Rousseff. Requião é próximo a Serra e é visto como um dos simpatizantes da candidatura do governador paulista. O paranaense também tem uma proximidade com o grupo de Orestes Quércia, presidente do PMDB de São Paulo, que já declarou sua posição pró-Serra.
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