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Animal

Muito mais que uma voltinha na quadra

Quando fica impossível levar os cachorros para caminhar, a solução pode ser contratar um passeador de cães, que faz os animais gastarem energia, deixando-os tranquilos, saudáveis e sociáveis



Rafael Wisneski e a sócia Natalia Martins: curso em São Paulo para tirar o melhor dos passeios
Há três anos, a empresária Peggy Henzell, 41 anos, estava quase louca com os seus cachorros, um cocker macho, chamado Happy, e a SRD Lady, ambos de 13 anos. O fato de eles ficarem muito presos no apartamento os deixava estressados, conta Peggy, que não conseguia levá-los para sair com frequência. “Eles latiam demais, roíam o que encontravam pela frente e faziam xixi e cocô por toda a casa”. Aí quem se estressava era ela.

Da mesma forma, a professora aposentada Regina Ramos andava preocupada com o comportamento e a saúde de Godofredo, seu buldogue inglês, de 2 anos. O cachorro arrasava móveis e cortinas, sem falar que Regina já não dava conta de caminhar com ele. “Godofredo ia se arrastando e, se deixasse, passava o dia dormindo no apartamento”. Situação complicada para um cão com tendência a engordar e que sofre do coração.

Todos esses problemas, segundo Regina e Peggy, melhoraram muito depois que elas contrataram dogwalkers, isto é, passeadores de cães, na tradução em português.

Um passeio profissional

Para um dogwalker, um passeio com o cão é muito mais do que dar uma voltinha pela quadra. A começar que a atividade costuma durar uma hora e acontece normalmente em parques ou praças que não oferecem grandes riscos ao animal. Nesses espaços, o cão tanto caminha de forma disciplinada (por vezes recebendo algumas instruções de adestramento), como brinca e interage com outros cachorros, desenvolvendo a sua sociabilização.

“Em um passeio estruturado, os cães queimam energia e ainda resgatam os seus instintos de lobos, de quem eles descendem. Assim eles restabelecem um equilíbrio físico e mental”, diz o dogwalker Rafael Wisneski da Au Dogs, que fez o curso em São Paulo, em 2005. “Todos os cães precisam desse entretenimento pelo menos uma vez ao dia”, confirma o veterinário Alexandre Acco, da Dog Vet. “Se eles ficam muito confinados é bem provável que tenham desvios de comportamento e problema de obesidade, principalmente os animais castrados.”

Atenção e satisfação

Quem utiliza o serviço de um dogwalker aponta outro benefício proporcionado por esses profissionais: o acompanhamento semanal da saúde e do desenvolvimento dos cães. A arquiteta Denise Perrone, dona do beagle Bob Marley, de 6 anos, conta que a dogwalker Natalia Martins, da Au Dogs, sempre lhe informa se o antipulgas do Bob está em dia, se o cocô dele está mole ou se ele está com qualquer tipo de problema.

Quanto a isso, Regina Ramos também não tem do que reclamar de Lucas Ribeiro, responsável pelos passeios do seu buldogue. Quando acontece algum acidente, como da vez que o Godofredo comeu um sapo, o próprio Lucas liga para mim e encaminha o cão a um veterinário.” Por tudo isso, Peggy Henzel afirma que o investimento nos passeios (o custo por hora varia entre R$ 15 e R$ 30) vale a pena. “No fim você gasta menos com remédios para eles, deixa de ter as roupas e os sapatos roídos e, acima de tudo, melhora a qualidade de vida dos seus cães.”

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