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Animal

Passa longe do quero-quero? Veja os mitos e verdades sobre essa “temida” ave

Comum nos parques de Curitiba, o pássaro tem um esporão na asa e dá voos rasantes para intimidar os possíveis predadores. É preciso ter medo?

Foto: Jonathan Campos / Gazeta do PovoFoto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

Entre o sabiá laranjeira e o quero-quero, quem é o pássaro símbolo de Curitiba? Nenhum dos dois. O primeiro é símbolo de São Paulo, o segundo, do Rio Grande do Sul. Do grimpeiro, nossa verdadeira ave-símbolo, pouca gente ouvir falar — e do quero-quero, que está sempre por aí, ninguém quer chegar perto.

“Isso criou uma cultura de que quando a pessoa olha um quero-quero, ela já passa longe. Mas não tem nada a ver”, comenta o biólogo Fernando Straube. Com um filho de 8 anos, o biólogo já ensinou para o pequeno que não existe problema algum em se aproximar da ave — seu comportamento, aparentemente agressivo, serve apenas para intimidar os predadores.

O quero-quero ataca?

Com um grito singular, a ave é a primeira a avisar quando um possível perigo está a vista. Mas como diz o ditado popular, cão que ladra não morde: quem ousa se aproximar de um quero-quero em época de reprodução pode levar um rasante, mas nada além disso. “Apesar de ele ter um esporão na asa, ele usa isso para assustar. Mas ele não vai atacar, ele está sinalizando que ali está seu ninho”, explica o biólogo.

Quando o suposto predador continua a se aproximar do ninho mesmo depois da intimidação, o pássaro muda de tática. Ele simula que está ferido, chamando a atenção para longe do ninho. Quando o predador estiver bem próximo, o quero-quero simplesmente voa para longe.

Já os filhotes também têm uma tática contra predadores: a camuflagem. Quando nascem, eles têm cerca de cinco centímetros e penugem macia, de cor marrom, salpicada por pontinhos pretos. Quando se agacham, se confundem com grama seca, passando batido até mesmo aos olhos humanos.

Mas nada disso acontece quando não é tempo de reprodução, entre fim de agosto e início de dezembro. Fora desta época, eles costumam andar em grupos. “Uma vez eu contei 63 quero-queros juntos no Parque São Loureço. Eles fazem bandos grandes quando não estão na reprodução”, relembra Fernando.

O que a ave representa para Curitiba?

Característico de lugares abertos, como campos, banhados e pastagens, o quero-quero aponta para um desaparecimento das florestas na capital paranaense. “O quero-quero não existia em Curitiba antes dos anos 80. Era muito raro. Além de tudo, ele é um indicador de que nós criamos novos lugares para ele viver”, aponta o biólogo.

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