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Comportamento

Como evitar birras das crianças na hora de comprar os materiais escolares

A solução não é deixar os filhos em casa; veja técnicas de como conversar com as crianças para que a odisséia da preparação volta às aulas seja o mais divertida possível

Foto: Daniel Caron / Gazeta do Povo

Dizem que o ano começa para valer só depois do Carnaval. Isso pode até ser verdade para muita gente, mas não para os pais com filhos em plena fase escolar. Aliás, o período que antecede as festividades – e o começo das aulas – é o mais agitado e representa uma missão árdua: a compra dos materiais escolares. Nesta hora, o dilema levar-ou-não-levar-as-crianças é praticamente inevitável.

A tarefa não precisa ser estressante. Segundo a psicopedagoga clínica Rejane Cássio Chibior, o ideal é que os pais permitam que os filhos os acompanhem durante todo o processo. “Ao participarem da escolha dos cadernos, canetas e outros itens, as crianças passam a valorizar mais os materiais”, afirma.

“E se meu filho não aceitar um ‘não’?”

A vendedora Alessandra Bornancin já presenciou várias cenas de dor e sofrimento por parte de crianças que não ganharam o caderno de seu personagem favorito. Mesmo assim, ela percebeu que os pais têm sido firmes na decisão. “Não sei se é a crise. Eles levam o mais barato, não querem saber de birra. E dão graças a Deus quando a lista de materiais vem com ‘proibido personagem'”, diz, rindo.

Para evitar “manhas” ao longo do passeio pelos corredores das papelarias, os pais devem explicar exatamente como será o processo. A dica, segundo a psicopedagoga, é designar uma tarefa para a criança (indicar qual é o próximo item da lista, fazer as contas na calculadora, organizar os materiais na cestinha). “Isso pode se tornar prazeroso para a família e ainda é uma forma de a criança praticar habilidades de leitura e cálculo”, diz Rejane.

A costureira Neiva Alves Makioswek, 35, segue mais ou menos a mesma tática. Ela faz questão de incluir seu filho de cinco anos, Samuel, na escolha dos materiais e nunca presenciou uma cena de “birra” na loja. “Ele já está bem acostumado com o nosso jeito. Antes de sair, explicamos que não adianta ficar pedindo. Deixamos ele escolher o caderno, mas o resto é por nossa conta”, afirma.

Neiva: “ele sabe que não adianta fazer birra”. Foto: Daniel Caron / Gazeta do Povo

Trabalho conjunto 

Todos os anos, no início de fevereiro, Maria Eduarda Cordeiro Haenich, 10, acompanha sua mãe, a dona de casa Luciane Cordeiro, 42, na compra dos materiais escolares. Juntas, elas visitam até três lojas na mesma tarde para garantir o melhor preço. Mas nem tudo se baseia apenas na economia. “Procuro levar o que ela gosta, mas dentro do preço estipulado. Se eu comprar só pelo preço, ela também não vai gostar”, diz a mãe.

Mãe e filha vão sempre juntas comprar os materiais. Foto: Daniel Caron / Gazeta do Povo

Regra de ouro

Ameaças só causam insegurança nas crianças. Mas pior do que isso são as falsas intimidações. A especialista tem uma máxima para todos os pais: “o que você fala, você faz”. Ou seja: se a criança está fazendo birra porque quer um caderno caro demais, não adianta negar o pedido e, cinco minutos depois, ceder à manha.

As regras devem ser muito claras para que os pais não tenham que voltar atrás. “Caso contrário, é aí que eles perdem a credibilidade e, os filhos, a confiança”, alerta a psicopedagoga.

Olhos nos olhos

Seja para explicar como será a compra dos materiais, seja para “dar uma bronca”, a recomendação é que os pais sempre se ajoelhem de modo que sua altura esteja alinhada com a da criança. Esta tática, segundo Rejane, é essencial para estabelecer uma relação de confiança.

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