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Comportamento

Mais antiga de Curitiba, escola de samba Embaixadores da Alegria celebra 70 anos

Agremiação, que já venceu nove carnavais na capital, nasceu como um bloco carnavalesco no centro da cidade

Ronald Salvatore, presidente e carnavalesco da Embaixadores da Alegria. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Vermelha, azul e branca são cores conhecidas da população do bairro Santa Quitéria. Os batuques já fazem parte dos arredores do bairro. Completando 70 anos neste mês de fevereiro de 2018, a Associação Cultural Carnavalesca Embaixadores da Alegria é, atualmente, a mais antiga escola de samba em atividade em Curitiba. E como toda curitibana, a agremiação preza pela tradição e fortalecimento das raízes.

A escola de samba nasceu como um bloco carnavalesco no centro de capital paranaense, conforme conta o atual presidente da agremiação, Ronaldo Martins. Inicialmente o bloco se chamava Cevadinhas do Amor e foi fundado por pessoas da elite curitibana que pertenciam ao Clube Thalia.

Saphira Molina (Madrinha da Bateria), Cristiane Magalhães (Rainha da Bateria) e Simone (Rainha da Escola). Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Primeiros passos

A partir da criação, o bloco passou a participar de desfiles e a disputar com blocos de outros bairros quem era o melhor da cidade. “Naquela época já existia um concurso com premiação de melhores blocos, o que incentivou muita gente a participar do carnaval, porque, naquela época, ninguém era muito ligado ao carnaval de Curitiba”, diz o presidente da Embaixadores da Alegria.

Nos primeiros desfiles como bloco Cevadinhas do Amor, o grupo levava para a avenida fantasias e temas que faziam referência ao nome do bloco: cervejas e outros tipos de bebidas. “Em um dos anos, eles saíram no carnaval vestidos de pinguim, em uma representação à Antártica, que, naquela época, patrocinava o Cevadinhas do Amor”, conta Martins.

Ensaio geral da escola, que se prepara para o Carnaval 2018. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

O sucesso veio rápido. Logo nos sete primeiros anos de atividade como bloco, o grupo cresceu e tornou-se uma escola de samba, devido ao número de pessoas que passou a integrar a agremiação. Isso porque um bloco precisa ter, no mínimo 80 pessoas, e, para ser considerado escola de samba, são necessários 150 componentes, conforme explica o presidente da escola.

Origem do nome

O nome da escola e o símbolo mostram a ligação do grupo com sua raiz. “O nome embaixadores veio por serem [os criadores] pessoas da elite, de bom porte, por serem magnatas daquela época e que fundaram a escola de samba”, explica o presidente. O logotipo é formado por luvas, por cartola e uma batuta, o que também remete a sua criação por pessoas que frequentavam a alta sociedade curitibana na década de 1940.

Zumbi, que desfila pela escola há 40 anos. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

E as cores da escola curitibana tem relação com uma das agremiações mais tradicionais do Rio de Janeiro: a Acadêmicos do Salgueiro, que, segundo o presidente, apadrinha a Embaixadores da Alegria. A coincidência das datas de desfile impossibilita a participação da escola curitibana no carnaval cariosa. Mesmo assim, o grupo da capital paranaense se organiza para visitar, sempre que possível, a escola do Rio de Janeiro.

Tradição

Na Embaixadores da Alegria, os integrantes buscam preservar os laços com o bairro Santa Quitéria. Apesar de terem nascido no centro de capital paranaense e desde novembro de 2017 terem transferido sua quadra de ensaios para o bairro Cidade Industrial de Curitiba, o presidente garante que os laços permanecem preservados. A proximidade com o bairro facilita para que a ligação com os moradores continue forte.

“São 60 anos dentro do bairro Santa Quitéria e essa tradição a gente não quer perder. As pessoas do bairro vestem a camisa. No ateliê da escola as pessoas estão todos os dias, perto do Carnaval, virando a noite para montar os carros e deixar tudo pronto. É um comprometimento que se iguala às pessoas de Curitiba, de permanecer com os mesmos laços.

Mestre Brinco prepara sua bateria para o desfile deste ano. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Comemoração

Em seus 70 anos, foram nove títulos de campeã do carnaval curitibano – o último em 2007. Para quebrar o jejum de mais de dez anos, a escola se empenhou para, além de homenagear os seus 70 anos, trazer para a avenida grandes nomes da música dentro do enredo “O céu se abre para cantar: Embaixadores, como é grande o meu amor por você”.

“Vamos trazer para a avenida nomes de cantores como Elis Regina, Clara Nunes, Chiquinha Gonzaga e Cartola, como se essas pessoas descessem do céu para homenagear a embaixadores”, explica o presidente, que também é carnavalesco do grupo.

Patrick Cordeiro, mestre-sala da agremiação, ajuda na ornamentação das fantasias. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Em 2018, a agremiação vai desfilar com aproximadamente 700 componentes. Mas as vagas ainda estão abertas para novos membros. Aqueles que têm curiosidade em conhecer a escola e desfilar no carnaval deste ano, a Embaixadores da Alegria ainda possui fantasias disponíveis até a última quinta-feira antes do carnaval. A quadra da escola de samba fica na Rua Marquês de Barbacena, 288, na Cidade Industrial.

 

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