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Comportamento

O Mercado das Flores que nunca fecha reúne os floristas mais antigos de Curitiba

Criado em 1993, o Mercado das Flores faz parte das Arcadas do Pelourinho, na Praça Generoso Marques, e funciona 24 horas

Mercado fica na Praça Generoso Marques e fica aberto 24h. Foto: Bruno Matos / Gazeta do PovoMercado fica na Praça Generoso Marques e fica aberto 24h. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

“De domingo a domingo, chego às 6h30 da manhã e só saio às 20h”, conta a florista Sirley, de 70 anos. Ela comanda uma das oito floriculturas 24h do Mercado das Flores, o reduto dos floristas da região central de Curitiba, há mais de duas décadas. Criado em 1993, o local faz parte das Arcadas do Pelourinho, na Praça Generoso Marques, projetadas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

A estrutura de 432m², localizada atrás do Paço da Liberdade, foi criada por uma iniciativa da Prefeitura em reunir em um só lugar os comerciantes de flores que trabalhavam em pontos dispersos ao redor das Praças Tiradentes e Generoso Marques. Quase uma década depois, a Prefeitura faria o mesmo com os engraxates da Boca Maldita, criando a Boca do Brilho. Ambos os espaços são administrados pela URBS. Além das floriculturas, as Arcadas do Pelourinho contam com três bancas de revistas, uma cafeteria e banheiros públicos.

A rotina de dona Sirley (tímida, não quis revelar seu sobrenome à reportagem) é puxada, mas seu trabalho é perfumado com toques diários de romantismo. Sempre que algum apaixonado quer surpreender a pessoa amada com flores, ela não mede esforços para fazer as vezes de correio elegante.

“Tem dias em que ela pega dois ônibus para fazer as entregas”, conta a funcionária que, por coincidência ou pegadinha do destino, se chama Rosa Silva. Aos 52 anos de idade, ela trabalha há 20 no Mercado das Flores e não troca o emprego por nada. “O contato com o público é muito bom, porque a maioria das pessoas que vem comprar flores vem bem intencionada. Dificilmente encontro alguém triste”, explica.

Para a florista Rosa Silva, uma das alegrias da profissão é a felicidade dos clientes. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

Para a florista Rosa Silva, uma das alegrias da profissão é a felicidade dos clientes. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

Uma geração de flores

Viviane Casagrande, 30, chegou há pouco no ramo, mas já compartilha o sentimento de Rosa. “Quando uma pessoa que está do outro lado da calçada vem em direção às flores, seu semblante muda, o olhar se torna mais carinhoso. É muito especial”, diz. Florista há cinco anos, esta é sua primeira semana de trabalho no Mercado das Flores.

“Meu pai costumava trabalhar aqui nesse mesmo lugar. Ele dizia para eu pensar bem antes de mexer com flores porque, a partir do momento em que eu começasse, não conseguiria mais parar”, lembra Viviane. Tudo indica que a profecia se concretizou. De hoje em diante, ela e o marido, Valter, vão cuidar de quatro dos oito estandes do espaço. “É um trabalho viciante”, brinca a florista.

Viviane Casagrande: "Trabalhar com flores é viciante". Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

Viviane Casagrande: “Trabalhar com flores é viciante”. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

Românticos de todas as idades

Basta observar o movimento das floriculturas durante alguns minutos para ver que há gente de todo o tipo passeando entre as flores. De tempos em tempos, um romântico se debruça sobre as rosas e escolhe as mais bonitas.

O segurança Natan Ceieslak, 23, é um deles. Mesmo jovem, já faz parte de sua rotina frequentar o Mercado das Flores. “Gosto do atendimento, da qualidade e do preço. É um lugar muito tradicional”, conta. Ele encomendou algumas rosas para enviar de surpresa a uma pretendente. “Tomara que termine em namoro”, torce.

Há também os veteranos na filosofia do amor. “Cinco rosas vermelhas, por gentileza”, encomenda Carlos Venturin, de 91 anos, à florista. O pedido é o mesmo há 65 anos, pelo menos uma vez ao ano. A presenteada: sua esposa, “Dêde”, que completa 84 primaveras neste sábado. “As flores são o sorriso eterno de Deus para a humanidade, sabia?”, diz o senhor, sorrindo, enquanto caminha com as rosas embrulhadas em papel pardo de volta para casa.

Aos 91 anos, Carlos Venturin continua o mesmo romântico de 65 anos atrás, quando subiu ao altar. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

Aos 91 anos, Carlos Venturin continua o mesmo romântico de 65 anos atrás, quando subiu ao altar. Foto: Bruno Matos / Gazeta do Povo

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