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Comportamento

MOI, BRÉSILIENNE: projeto de fotógrafa paranaense combate o preconceito da brasileira na Europa

Movimento reúne depoimentos de mulheres que sofrem com estereótipo no exterior

Fotos: Fernanda PeruzzoFotos: Fernanda Peruzzo

Feminismo. Simone de Beauvoir. Empoderamento feminino. A luta pela igualdade de gênero nunca foi tão falada. E tem paranaense lutando pelas mulheres lá em Paris. A fotógrafa e jornalista Fernanda Peruzzo lançou no dia 22 de outubro um convite às internautas da comunidade “Brasileiras em Paris”, que conta hoje com cerca de 670 usuárias, no Facebook, perguntando quem gostaria de participar de seu projeto “Moi, Brésilienne” (“Eu, Brasileira”), um trabalho inconográfico e textual que visa retratar os estereótipos aos quais a imagem da mulher brasileira ainda é  apontada no exterior.

Entre os relatos, estão histórias de estudantes que foram aconselhadas a procurar outro apartamento em outro bairro porque aquele que visitava era ‘um lugar familiar, entende?’, mulheres foram agredidas dentro de ônibus (cuspiram nelas); colegas de universidade que perguntaram à brasileira se ela terá que casar e engravidar para ficar na França; colegas de trabalho que vão conhecer/ver ‘quem é a brasileira’; jovens, na balada, que se aproximam interessados e ao ouvir que a garota é brasileira perguntam quanto custaria…

Fernanda, que mora em Paris desde 2011, aponta que na Europa o estereótipo negativo da mulher brasileira é de que ela é fácil, promíscua e que faz sexo com qualquer um. Pode ser também de quem vive em realidade miserável, sem acesso à informação e educação. “Chegam a dizer que elas vêm para a Europa em busca de condições de vida melhor, leia-se um marido europeu”, explicou. Além desses, ela aponta outros rótulos que não são necessariamente negativos, mas que podem soar mal. “Vão pedir para você sambar e perguntar qual o tamanho do seu biquíni”, disse.

Por conta disso, muitas brasileiras que vivem em Paris preferem esconder ou mentir a sua nacionalidade. Para ela é preciso reagir, responder que o outro está sendo desagradável. “É importante apontar o preconceito porque muita gente realmente não sabe que se trata de um. Não percebe que seu comentário “engraçadinho” pode ser humilhante ou constrangedor e que só reproduz uma ideia feita”, explica. No momento, a fotógrafa está na fase da produção de fotos. Já são 20 prontas e outras dezenas agendadas para as próximas semanas. “Desde que passei a divulgar o projeto e publicar chamados à participação, a cada dia recebo ao menos uma mensagem de uma brasileira querendo participar”, comenta.

 

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