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Comportamento

Professora da FAP une dançarinos de rua de Curitiba, RJ e NY em projeto nacional

Batizado de “Ocupação Desmistifique Sua Dança”, o intercâmbio de dança foi realizado no teatro Cacilda Becker, na capital carioca

Fotos: JP Black Soul / Divulgação

A curitibana e professora de dança Marila Velloso viveu um dos momentos de glória dos seus 37 anos de profissão recentemente. Ela reuniu, durante cinco semanas, 15 dançarinos de rua de Curitiba, Rio de Janeiro e Nova York para concretizar um sonho antigo: ocupar os palcos do Teatro Cacilda Becker, um ícone da dança na capital carioca.

O projeto, batizado de “Ocupação Desmistifique sua Dança”, ocorreu entre a última semana de novembro do ano passado e as primeiras de 2018. “Foi transformador”, diz Marila, que trabalha como docente na Faculdade de Artes do Paraná. Ela teve a ideia de promover o intercâmbio entre dançarinos em outubro de 2015, durante uma viagem a Nova York. Lá, conheceu o projeto “Dancing in the streets”, formado por jovens da região do Bronx que vivem em condições sociais difíceis.

“Soube que 200 deles foram presos por dançarem no metrô de NY. Fiquei intrigada e decidi fazer residência artística com esses rapazes no Brasil”, conta. Depois de amadurecer a ideia, Marila inscreveu a proposta no edital de Ocupação do Teatro Cacilda Becker, promovido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). Foi um sucesso.

Fotos: JP Black Soul / Divulgação

“Institucionalmente, é muito importante fazer essa articulação internacional. A presença de grandes referências das danças urbanas dos EUA foi um diferencial para que o projeto fosse contemplado”, afirma o coordenador de dança da Funarte, Fabiano Carneiro da Silva.

Mas não só. Segundo Silva, a interação entre diferentes tipos de dança – o hip hop do grupo norte-americano It’s Show Time NYC!, o passinho dos Imperadores da Dança (do morro de Manguinhos, no Rio) e os dançarinos de break de Curitiba – foi o grande destaque da ação.

“Meu objetivo era levar para espaços institucionalizadas da cidade as danças que ocorrem na rua, nos bailes funk das favelas”, diz Marila. Para representar a cena cultural curitibana, ela levou quatro dançarinos do Paraná. Um deles foi o bboy (nome dado aos praticantes de break dance) Marcos Paulo Daniel Caroba, de 27 anos. “Considero ele um dos melhores bboys do mundo”, declara.

Marcos Paulo Daniel Caroba, o Marquinhoz. Foto: Reprodução Facebook

Marquinhoz conheceu o break no intervalo das aulas do ensino médio em 2005. Na época, o adolescente passava por um momento difícil. Fazia poucos meses que sua mãe falecera e os contorcionismos acrobáticos típicos da dança logo se tornaram uma espécie de terapia. “Foi uma fase complicada. Eu dançava todos os dias, não parava. Ia para a aula de manhã e passava a tarde praticando”, conta.

Mais de uma década depois, o break continua guiando sua vida. Marcos treina quatro vezes por semana, de duas a três horas por dia, ora na entrada do Shopping Itália (o reduto dos bboys curitibanos), ora no pátio da Rua da Cidadania do bairro Fazendinha. Algumas vezes por semana, ele também ministra palestras sobre o assunto em escolas estaduais e municipais do estado.

A experiência nos palcos do Rio de Janeiro foi um evento inédito em sua vida. Depois de trocar coreografias com dançarinos que vivem realidades diferentes da sua, o bboy decidiu concretizar um sonho que antes parecia impossível: viver da dança fora do país. “Tirei meu passaporte sabendo que a qualquer momento pode surgir uma oportunidade. Estou torcendo.”

Veja o teaser da apresentação final da residência artística realizada no Teatro Cacilda Becker, na capital carioca:

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