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Comportamento

Viva a autoestima! Conheça pessoas que viraram o jogo

Pensamentos autodestrutivos, síndrome da vítima, dependência do olhar do outro. Esses são alguns sintomas de que sua autoestima não anda lá essas coisas. Vire esse jogo e se permita ser feliz



Alicia precisou recorrer à terapia para tratar traumas do passado que traziam problemas no presente: “Parece que reencontrei a minha essência”
Você certamente conhece alguém assim: inteligente, talentoso, bonito, mas que não acredita nos elogios que recebe. Ou aquele que tem tudo para ser feliz – um bom trabalho, saúde, uma família linda –, mas acha que nunca nada está bom. Talvez seja até você mesmo. Os dois casos são sintomas de baixa autoestima.


Andressa terminou um namoro longo, emagreceu dez quilos, mudou o cabelo, o jeito de se vestir e de se relacionar com as pessoas. “Nunca estive tão bem, feliz e realizada comigo mesma.”

E o que é, afinal, a tal da autoestima (além de tema de inúmeros livros de autoajuda)? Uma definição simples pode ser encontrada no dicionário: “valorização de si mesmo, amor-próprio”. É o senso comum e está certo, mas vai além. A psicóloga Carla An­­drade explica que a autoestima está baseada em três tópicos: valorização – alheia e própria –, aceitação e competências. Pense em um banquinho de três pernas. Se uma delas quebra, ele vai ficar manco ou cair. É exatamente o que ocorre com a autoestima. E, às vezes, o processo é tão autodestrutivo que o seu banquinho vira apenas uma rodela no chão.

Esse processo de “desmanche” vem de traumas do passado. “Algo acontece com a criança e ela cresce com essa desvalorização de si mesma, acreditando em coisas a respeito dela que são falsas”, diz Carla, que trabalha com a terapia denominada Des­­sen­­sibilização e Reprocessa­­mento através de Movimentos Oculares – EMDR, na sigla em inglês. Pode vir da relação com a família, colegas, professores. Casos de bullying, por exemplo, costumam deixar marcas profundas. “Às vezes, a pessoa arranja mecanismos de defesa e consegue driblar. Mas qualquer coisa que acontece pode abalar sua autoconfiança.”

São situações do presente que trazem os sentimentos do passado. Pode ser uma rejeição. Uma crítica, até construtiva. Pode ser uma simples brincadeira. A famosa gota d’água… “É uma cadeia associativa relacionada ao mesmo pensamento”, afirma a psicóloga.

O outro

Depender da aprovação alheia também denota problemas de autoestima. Lembra da definição do dicionário? Precisar o tempo todo da chancela do outro é depender de um estímulo externo. O que é muito bom, todo mundo gosta e deve, sim, ser usado para aumentar a autoestima. Mas não pode ser o único caminho. A valorização precisa ser internalizada.

O que não significa apenas aparência. “Às vezes, quem investe demais na imagem tem uma autoestima mascarada. Pessoas mais inseguras precisam investir mais na aparência. O excesso de cirurgias plásticas, por exemplo, mostra que a pessoa não se aceita”, alerta a psicóloga clínica Evelyse Iwai Reis Teluski. Para ela, as duas faces precisam estar unidas: gostar daquilo que se é e o que se mostra para o mundo. O que não significa que devamos cair no outro extremo. “Desleixo é autossabotagem.”

Que o diga a estudante de Medicina Andressa Cristine Roman, 28 anos. Depois de terminar um relacionamento de dez anos, ela se redescobriu. “Ele ficava me desfazendo, nunca me elogiava, nada do que eu fazia estava bom. Tive de mudar o meu jeito, porque eu aceitava isso”, reconhece. O início da mudança foi interior. “Comecei a pensar o que eu estava fazendo com a minha vida, o que eu queria.” A partir daí, a transformação foi geral. Os cabelos, o peso – perdeu dez quilos em quatro meses – o modo de vestir. “Estava sempre largada, só usava blusas soltas e calça. Agora adoro vestido, salto alto, maquiagem. Adoro olhar para o espelho e me sentir feminina.” A moça diz que também está se relacionando melhor com as pessoas. “Nunca estive tão bem, feliz e realizada comigo mesma.”

Recuperação

Andressa conseguiu se reencontrar e passou por esse processo sozinha. Nem sempre, porém, é fácil achar esse caminho. “Quando você está de mal com a autoestima, entra em um processo de autorretaliação. Não acredita no próprio potencial, deixa de criar coisas novas, se esconde”, define a palestrante motivacional e educadora sexual Andreia Berté, do Centro Integra­­do da Mulher Joanah Pink.

Como fez Andressa, é preciso mudar o padrão de pensamento. E redescobrir o que nos faz feliz. Se não for possível sozinho, é hora de procurar ajuda profissional. Foi o que fez a jornalista aposentada Alicia Ana Dudeque, 54 anos. Desde 2003 em tratamento de depressão, neste ano problemas pessoais fizeram sua ansiedade aumentar muito. Ela recorreu à EMDR e descobriu que a morte do pai e a humilhação imputada por um professor, na sua infância, tinham feito estragos na sua autoimagem. “Eu me sentia horrorosa, achava que não fazia parte dos grupos com que convivia. Hoje, me sinto mil vezes mais segura e feliz. Parece que reencontrei minha essência.”

Projeto

Para o educador e escritor Eugênio Mussak, uma das formas de não se deixar abalar é ter um projeto e não viver apenas o presente. “O passado e o futuro existem no presente. O passado chama-se memória e o futuro chama-se sonho. Quando você consegue estabelecer essa relação entre esses três tempos, consegue transitar com mais facilidade nessa linha do tempo, você tem uma tendência a se relacionar melhor consigo mesmo. Ter um projeto de vida, saber o que você quer fazer, qual o legado você quer deixar, é muito importante para a construção do equilíbrio e da felicidade.”

O que não quer dizer deixar de lado o presente e apostar todas as fichas no futuro. “Não perca o agora. Mas não esqueça que o futuro vai virar presente. O projeto é sua conexão com o futuro. E se o agora está difícil, a pessoa meio que se desespera, porque é tudo que ela tem na mão.”

Você tem uma história de superação? Conte para o Viver Bem!

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