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Histórico

No túnel do tempo

Lambretas, jukeboxes e cílios postiços voltam à moda e inauguram uma onda retrô, que mistura de um jeito divertido estilos e modas de décadas diferentes e os dias de hoje



Genise Strappazzon Ballura segue o estilo pin-up: “Acho essa estética superfeminina. Ela valoriza o corpo, é clássica, não há como alguém olhar e achar feio


Saiba onde encontrar produtos e serviços em estilo retrô



O casal Victor Rodder e Danielle Bonatto em sua sala toda decorada com móveis dos anos 1950: casa mistura formas contemporâneas com móveis e objetos garimpados nos brechós e casas de parentes
Preparem-se para uma viagem ao túnel do tempo. Aos que têm menos de 30 e poucos, um aviso: nas páginas seguintes, vão desfilar personagens que juram que o passado guarda surpresas e delícias sem equivalentes nos dias de hoje. Cinturinhas de vespa, cílios postiços, saias rodadas, o bom (e velho) cabelão black power e até uma poltrona com pés palito voltam a ser “da hora”. Desta hora, diga-se de passagem.

Não dá nem para definir uma década-tendência. A moda é ser, estar ou ter alguma coisa retrô no meio de um contexto atualíssimo. A graça está em ser uma pin-up de corset e calça jeans na balada ou falar em paz e amor nos tempos de relações virtuais.

É esse contraste de estilos que chama a atenção quando al­guém se depara com o advogado e músico Victor Rodder, 37 anos, num dos corredores do Tribunal de Justiça de terno, gravata slim, sapatos bicolores e um indefectível topete. Isso tudo, culpa de Little Richards – cantor, compositor e pianista norte-americano que fez sucesso entre os anos 1950 e 1960 – que Victor “conheceu” aos 16 anos. “A música do cara me arrepiou. E aí fui entendendo a estética musical que eu sempre gostei, mas nunca soube o nome e de onde vinha. Com isso veio a jaqueta de couro, o jeans, a camiseta branca”, conta ele.

Desde então, soube que fazia parte da cultura rockabilly, e, como tal, não demorou a se apaixonar por Danny Doll – ou seria melhor dizer Danielle Bonatto, uma empresária de 35 anos? O roteiro parece de filme: eles se conheceram na lanchonete Peggy Sue, curtiam a mesma estética, casaram e viveram felizes para sempre. Detalhe: numa casa que mistura formas contemporâneas com móveis e objetos garimpados nos brechós e casas de parentes. “Minha mãe, no começo, achava que casa tinha de ter coisa nova. Com o tempo, ela acostumou com a ideia e passou a nos avisar quando achava alguma ‘velharia’ por aí”, brinca Danielle.

Entre os vários objetos da casa, dois xodós: a geladeira “cinquentinha” com interior rosa-bebê e o sofá bicolor. “Quando Danielle encontrou a geladeira na Rua Riachuelo, fez um escândalo e me ligou. Eu disse que depois de tanta gritaria, o vendedor da loja aumentaria o preço e, por isso, eu iria lá mais tarde. Aí resolvi fazer uma surpresa. Fui à loja e, ao voltar para casa, disse que já haviam vendido. Meses depois, ela encontrou a geladeira no meu escritório, toda reformada. Ficou furiosa, mas tudo passou quando contei que era o presente de aniversário dela…”, conta Victor. “Com o sofá foi a mesma coisa, só que quem penou foi o Victor”, brinca Danielle.

Sobre a tendência retrô que anda por aí, os dois divergem um pouco. Ele acha que a moda “banaliza” a cultura de época. Ela, no entanto, está feliz com a facilidade para encontrar produtos desse tipo no mercado – e a preços muito melhores. “Antes, eu tinha de importar tudo, dos corsets aos rolinhos para fazer os cabelos tradicionais das pin-ups. Hoje o acesso está facilitado. Fora isso, acho que todo mundo tem o direito de curtir essa estética, assim como nós um dia resolvemos fazer. Não sou tão purista quanto o Victor. Gosto muito dos anos 1950, trabalho como pin-up, mas o meu tempo é o aqui e o agora”, diz ela.

Até na hora do sim

Outra que aderiu aos corsets, delineador nos olhos e saias justinhas foi a sommelier Ge­­nise Strap­­pazzon Bal­­lura, 33 anos. Há pelo menos 11 anos, ela e seu fiel costureiro fazem réplicas de vestidos de época e, há 7, Genise faz fotos como pin-up. “Acho essa estética superfeminina. Ela valoriza o corpo, é clássica, não há como alguém olhar e achar feio. Me sinto bem de cinta-liga, espartilho e cabelos com rolls”, diz ela, que hoje não só atua como modelo, mas também faz a produção toda das fotos inspiradas nos anos 1950. “Até quando vou trabalhar, dou um jeito de fazer referência ao estilo pin-up. Seja nas unhas em meia-lua, na franja virada para dentro, no lencinho segurando os cabelos ou no batom vermelho”, conta Genise que, no seu casamento, foi de pin-up, com direito a figurino completo e noivo a caráter. “Agora estou preparando o enxoval da minha filha, com muitas roupas de bolinha…”

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