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Saúde e Bem-Estar

O perigo do colesterol alto em crianças: exame deve ser feito a partir dos 10 anos

Dislipidemia não é uma doença exclusiva dos adultos e crianças precisam receber tratamento precoce para prevenir AVCs e enfartes

Crianças cujos pais têm colesterol alterado devem ser investigadas para doenças do colesterol também (Foto: Bigstock)Crianças cujos pais têm colesterol alterado devem ser investigadas para doenças do colesterol também (Foto: Bigstock)

Se os pais tiverem níveis de colesterol alto, investigar a quantidade de gordura circulante no organismo dos filhos deveria ser obrigação. Colesterol alto não é uma doença exclusiva dos adultos e quanto mais cedo diagnosticada nas crianças, menores serão os riscos de enfartes e outras doenças cardiovasculares precocemente, aos 35 ou 40 anos.

Embora a dislipidemia (aumento do colesterol e outras gorduras no sangue) nos adultos esteja muito relacionada à alimentação, nas crianças pode ou não ser o caso. “Se a criança tem uma tendência a ter colesterol alto e ainda come errado, você agrava esse risco. Mas há crianças que comem errado e nem por isso têm colesterol alto. A principal causa no público infantil ainda é genética, um risco que vem do histórico familiar”, explica Rosângela Réa, médica endocrinologista do hospital Pequeno Príncipe.

Uma das doenças herdadas pelos pais, e ainda pouco conhecida, é a hipercolesterolemia familiar, que exige o uso de medicamentos para o controle. “Nestes casos, só a alimentação e a inclusão de exercícios físicos, embora importantes, não são suficientes. Crianças com pais com problemas de colesterol devem fazer a investigação para a dislipidemia a partir dos 10 anos”, reforça a médica.

A obesidade e o sedentarismo, porém, também prejudicam e podem causar alterações importantes nos níveis de colesterol das crianças. Nestes casos, melhora na dieta e os exercícios físicos são fundamentais.
“Essas dislipidemias infantis podem causar a formação de placas de gordura que se aderem às artérias. Esse processo é muito lento, leva anos para formar uma placa que forme uma obstrução grave. Mas, eventualmente ocorre e se a criança tem essa formação, elas podem enfartar mais cedo”, reforça Mauro Scharf, médico endocrinologista vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, médico do hospital Nossa Senhora das Graças e diretor da Unimed Laboratórios.

Exames indicados

Os exames para investigar níveis de colesterol no organismo infantil são indicados, principalmente, a crianças cujos pais e parentes próximos sofram com colesterol alto ou tiveram problemas cardiovasculares importantes, como AVC ou enfartes. Nestes casos, a indicação é para começar a investigação a partir dos 10 anos de idade.

O mais comum é o lipidograma completo, composto pelo colesterol total, LDL (conhecido como o colesterol ‘ruim’), HDL (ou o colesterol ‘bom’) e o VLDL (colesterol tão ‘ruim’ quanto o LDL). Esses são feitos a partir de uma coleta sanguínea e permitem analisar os níveis de cada tipo de colesterol, bem como direcionar a conduta de tratamento.

Se for necessário o uso de medicamentos, eles podem ser usados de forma intermitente, durante seis meses e, então, os exames são refeitos para verificar a necessidade, ou de forma contínua. “Nos casos mais graves, a criança precisa tomar com frequência. Isso depende de cada caso, de cada criança. Mas o médico precisa pensar: há mais risco em se medicar a criança ou deixa-la sem medicamento?”, explica Mauro Scharf, médico endocrinologista.

“Para as crianças com problemas de colesterol, é importante que o hábito saudável acompanhe a família toda. Que ela se acostume desde cedo a diminuir o consumo de alimentos embutidos e processados, e preferir os mais naturais” – Rosângela Réa, médica endocrinologista.

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