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Filhos

Pequenos bilíngues

Escolas de idioma abrem turmas para crianças em idade pré-escolar


Móveis antigos ficam charmosos com o acabamento patinado. Neste, encontrado na Capim Limão, em vez de vidros nas portas foram usadas telas de galinheiro
Sophia (de vestido estampado) vai para as aulas de inglês uma vez por semana com colegas de 2 a 4 anos

A pequena Sophia da Costa Gonçalves ainda não sabe falar diversas palavras do português, mas já aprendeu a dizer yellow, um­­­brella e a contar one, two, three. Aos 3 anos, ela está matriculada nas aulas de inglês para a qual vai uma vez por semana. “Ma­­triculei cedo pensando no futuro dela. É a língua oficial mundial e, quanto mais precoce, mais fácil para ela aprender, ainda mais se for junto com a alfabetização em português”, afirma Caroline da Costa Bezerra, mãe de Sophia.

A demanda pelo ensino pré-escolar de línguas estrangeiras, principalmente da inglesa, aliada à crença de que quanto mais novas, mais facilidade as crianças terão em aprender o segundo idioma com a pronúncia correta, tem levado escolas a abrirem turmas iniciais para crian­­­ças de 6, 4 e até 2 anos de idade. “Nessa idade, de 2 a 3 anos, as crianças têm mais facilidade de ouvir e gravar sons de outros idiomas, como o ‘th’, muito presente na língua inglesa, ou ainda a diferença de pronúncia entre o ‘m’ e o ‘n’, que em português misturamos muito. Não que uma criança mais velha não consiga, mas as menores, por estarem na época de formação do sistema fonético e articulatório, têm mais facilidade”, diz Tereza Cristina Ma­­nassés, coordenadora pedagógica da escola de idiomas Teddy Bear, especializada em turmas infantis.

Para os defensores da iniciação precoce, a outra língua junto com o aprendizado das primeiras palavras em português faria com que o aluno conseguisse falar um segundo idioma com uma pronúncia próxima da original quando chegasse na adolescência. “A criança consegue assimilar a segunda língua como uma vivência natural e a qualidade da absorção tende a ser melhor”, complementa Elvio Peralta, diretor pedagógico da Fundação Richard Hugh Fisk.

Como na pré-escola os alunos não sabem ler nem escrever, as aulas de idioma para esses pequeninos são baseadas em fantasias, além de serem mais dinâmicas do que as convencionais. Assim, atividades como culinária e jardinagem são aliadas a jogos e brincadeiras em sala de aula e no pátio do colégio. “Atividades agitadas precisam ser mescladas com momentos de concentração para que as crianças se sintam motivadas, mas ao mesmo tempo aprendam o que lhes é passado”, diz Tereza.

Essa contínua motivação, levando para as aulas os gostos dos alunos, como personagens infantis e mais adiante internet e filmes, é o que faz com que os pequenos continuem estudando outro idioma até chegar à adolescência. Iniciando aos dois anos, diz Tereza, aos 16 o aluno pode fazer um exame de proficiência na língua e entrar na faculdade com um problema a menos para resolver.

A maior parte dessas escolas atende um público acostumado a viajar para outros países nas férias e expectador de tevê por assinatura. Ou seja, gente que têm mais acesso a outros idiomas. Elvio Peralta diz que, além dessa necessidade maior pelo ensino de outra língua, muitos pais levam os filhos e aproveitam para estudar no mesmo horário, em outra turma. De olho nos avós, público acostumado a levar os netos para o inglês, o Fisk abriu turmas de aperfeiçoamento em língua portuguesa e informática para iniciantes.

Diversas escolas oferecem turmas para crianças, com métodos e tempo de aulas com dinâmicas diferentes. A Aliança Francesa tem turmas para crianças a partir de 6 anos e o Goethe Institut de Curitiba tem cursos de alemão para alunos a partir de 8 anos. A escola de inglês Phil Young’s tem turmas para crianças a partir de 7 anos e a Cultura Inglesa tem turmas para alunos a partir de 8 anos de idade.

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