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Saúde

Desnutrição programada

Cirurgia bariátrica necessariamente resulta em deficiências nutricionais, que devem ser diagnosticadas rapidamente

Engana-se quem pensa que a preocupação de um paciente submetido à cirurgia bariátrica termina junto com o procedimento. A passagem pelo centro cirúrgico é apenas a segunda – e mais curta fase – de um tratamento que, segundo os médicos, tem duração indeterminada, já que a operação causa mudanças no funcionamento do organismo que podem acarretar outras alterações na saúde.

“A cirurgia bariátrica é uma cirurgia com um grau de desnutrição programada”, diz o membro da Sociedade Brasileira de Endocri­nologia e Metabologia Bruno Geloneze. Isso significa que, para que haja perda de peso, é preciso restringir a capacidade de ingestão de alimentos e diminuir a absorção dos nutrientes. Assim, o procedimento provoca deficiências nutricionais no organismo.

“É comum a deficiência de vitaminas do complexo B, A, C e D, além da deficiência de nutrientes como magnésio, cobre, ferro e cálcio”, enumera o médico nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia Fernando Bahdur Chueire. Segundo ele, alguma carência nutricional é certa para todos os pacientes. A dúvida paira sobre o tempo que os sinais de que algo está faltando precisa para aparecer, já que cada organismo tem uma reserva diferente.

Se não tratadas, estas deficiências podem evoluir para condições mais sérias, como a osteoporose, resultante da baixa ingestão de vitamina D e cálcio, e a anemia, advinda da baixa absorção de ferro. “A prevenção é feita com acompanhamento nutricional e pela reposição compulsória de vitaminas, principalmente as lipossolúveis”, explica Geloneze.

Efeitos no psicológico

Além da perda de peso, da melhora no quadro geral de saúde do paciente e das deficiências nutricionais, o estado psicológico do paciente também merece atenção, principalmente nos casos em que a obesidade é causada por uma compulsão por comida.

“O acompanhamento psicológico precisa começar antes da cirurgia, para que o paciente inicie o processo de se responsabilizar pelas mudanças que vão acontecer na vida dele”, explica a psicóloga Camila Chudek. Caso isso não aconteça, há risco de o paciente desenvolver depressão ou a Síndrome de Deficiência de Recompensa, que pode levá-lo a buscar satisfação em outra forma de compulsão, como a ingestão de alimentos excessivamente calóricos, álcool ou até compras.

“É preciso tratar também as questões que surgem quando a gordura deixa de ser o foco principal”, diz Camila. Este é o foco do acompanhamento pós-cirúrgico, quando se trabalha questões como a autoestima e uma possível frustração com o resultado obtido com a cirurgia.

Reganho de peso em até 15% dos casos

Entre 10% e 15% dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica têm reganho de peso. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabologia (SBCBM), Almino Ramos, em geral isso acontece quando “o paciente não assume os hábitos saudáveis recomendados”. Há casos, porém, em que um reganho leve de peso decorre de uma adaptação anatômica do estômago, cuja capacidade cresce decorrido algum tempo do procedimento.

Reoperação


Dados da SBCBM mostram que cerca de 2% a 3% dos pacientes precisam de reoperações para tratar complicações imediatas à cirurgia, como sangramentos e infecções. Há, contudo, um número não levantado de casos em que uma segunda cirurgia é feita para corrigir uma perda insatisfatória de peso ou algum problema causado pela primeira operação. Foi o caso da designer Caroline Beatriz André, que colocou uma banda gástrica em 2011, quando tinha 29 anos e um IMC de 35 kg/m2. Quatro meses depois, ao voltar a ganhar peso e vomitar várias vezes ao dia, ela descobriu que a banda gástrica estava estrangulando seu estômago e passou por um novo procedimento, a gastroplastia com reconstituição em Y de Roux.

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