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Turismo

Comer, voar e rezar em Prudentópolis

Recorte de uma Ucrânia que não existe mais, Prudentópolis alia tradições culturais a experiências de tirar o fôlego do visitante

O território de 2.308 km2 de Prudentópolis, a 203 km de Curitiba, é um retrato de uma Ucrânia antiga. Visitar o município de quase 50 mil habitantes é uma forma de viajar no tempo e conhecer tradições e costumes dos colonizadores que chegaram por ali há mais de cem anos. Até os ucranianos se surpreendem com a riqueza do folclore e costumes que a população mantém até hoje e vêm à cidade aprender a dançar, pintar e bordar como faziam seus ancestrais.

A força do núcleo religioso que colonizou a região foi determinante para construir a história de Prudentópolis. Foi a Igreja que manteve os pioneiros unidos e protegidos, organizando os grupos que até hoje estimulam o uso do idioma, o artesanato típico – bordados e pêssankas –, a culinária e a dança ucraniana, para citar as expressões culturais mais relevantes. Em todo o município, são 34 templos católicos do rito bizantino. O principal é o de São Josafat, padroeiro da cidade. A matriz está instalada em um amplo terreno, de jardim impecável. No interior, painéis de madeira com passagens bíblicas separam o Santuário da nave dos fiéis. Seguindo a tradição, o padre celebra a missa de costas para os presentes, em ucraniano.

VÍDEO: A descida de tirolesa é o começo da aventura em Prudentópolis

Perto da igreja principal fica o Museu do Milênio. O acervo conta a história da imigração ucraniana, com uma coleção rica de artefatos usados pelos colonizadores, peças de bordado e artesanato, mobiliário de antigas fazendas e ícones religiosos. A cooperativa das bordadeiras fica no mesmo prédio, em frente à lojinha do museu. Perto dali, a loja de suvenires Machula oferece uma infinidade de objetos artesanais tipicamente ucranianos. Não faltam as pêssankas, ovos pintados à mão com bico de pena, cera de abelha e anilina, em uma técnica milenar de artesanato mantida pelos prudentopolitanos. Todos os pontos estão no roteiro turístico local obrigatório, assim como o belo patrimônio natural, formado por cachoeiras gigantes, propriedades rurais e faxinais.

O terceiro maior município do estado tem 70% da sua população na área rural. É nos distritos e nas propriedades de agricultura familiar onde está concentrada boa parte dos atrativos turísticos de Prudentópolis. O relevo acidentado, que inviabiliza lavouras mecanizadas, deu à cidade um conjunto de 52 cachoeiras catalogadas até agora. Apenas seis têm alguma estrutura de visitação, como trilhas abertas nas matas e sinalização. Ainda assim, o guia é indispensável. É ele quem vai orientar o visitante sobre o nível de dificuldade de acesso e retorno de cada salto, além de rechear o passeio com boas histórias sobre a colonização e as principais características da região.

Circular pelas estradas de chão é uma oportunidade de revisitar o passado. Fácil ver casinhas muito coloridas, onde os moradores falam ucraniano e mantêm rituais dos colonizadores, como nos faxinais. Nessas áreas, os animais são criados em conjunto, soltos na propriedade coletiva. No fim do dia, cada um volta para o seu abrigo. O plantio e a colheita de produtos de subsistência também são comunitários.

Aventuras na mata e nas cachoeiras

Passear na zona rural de Pru­dentópolis pode ser uma atividade carregada de adrenalina (e algum esforço físico). As cachoeiras despencam em vales profundos e dá para chegar na cabeceira ou no fosso de muitas delas. No sítio do Seu Juca, a trilha leva à cabeceira do Salto São Sebastião, de onde a água cai por 126 metros. Até a propriedade, o turista vai de jipe ou de bicicleta, ambos os passeios oferecidos pelo Parque de Aventuras Ninho do Corvo.

O Ninho concentra atividades de aventura dentro e fora da área de 10,55 hectares da propriedade, onde seis quedas e cachoeiras compõem um circuito de tirar o fôlego. O visitante pode optar por circular nas trilhas locais ou praticar esportes radicais em segurança, com equipe de monitores e acompanhamento. Diante das possibilidades, voar de tirolesa por 15 segundos sobre um vale de 150 metros é fichinha, permitido até para crianças a partir de 9 anos.

Em seguida, um rapel guiado faz o visitante pairar a 70 metros de altura sobre o cânion do Rio Barra Bonita. A descida deve ser feita devagar, para dar tempo de apreciar – e fotografar – os detalhes impressionantes da mata e das rochas negras recortadas. Reestabelecido o fôlego, hora de partir para a corvolesa, uma tirolesa que corta quedas de água no meio do cânion, até acabar num mergulho no rio. O banho é inevitável. Roupas confortáveis, de tecidos leves; e tênis são essenciais para deixar a caminhada do retorno, morro acima, mais confortável.

No sossego

Se o pique para curtir o cam­­po não inclui emoções radicais, a dica é aproveitar o cenário e as atividades de um hotel fazenda. O Ózera, com 20 apartamentos em chalés, tem pedalinho, caiaques, cavalgada, piscina, pescaria, jogos e passeios na região (esses, pagos à parte da diária). A hospedagem pode incluir apenas o café da manhã ou com pensão completa. No cardápio do restaurante, a comida só poderia ser ucraniana, à base de batata, repolho, carneiro e sabores agridoces.

Os hóspedes também podem aproveitar a programação de danças típicas do grupo Vesselka, com 53 anos de tradição. Premiado em festivais nacionais e internacionais, o grupo mantém bailarinos a partir de 5 anos. “É uma das formas de garantir a continuidade de nossos costumes. A dança resume nossa história e nossa cultura”, diz o secretário municipal de turismo, Luiz Xavier.

A jornalista viajou a convite do Sebrae e da Cooperativa Paranaense de Turismo.

Prudentópolis

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