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Conheça a estação de trem mais solitária da Inglaterra, que funciona só uma vez por semana

Em Teesside, os únicos viajantes atualmente são aqueles atraídos pela novidade e raridade da viagem, que dura, no máximo, 14 minutos

Trem passa apenas uma vez por semana. Fotos: The New York Times.

Quando um trem meio velho surge no horizonte, dois homens esperam pacientemente no frio congelante e tiram fotos dos vagões movidos a diesel, que lentamente se aproximam e param. A seguir, embarcam.

Não é nada bom perder o trem das 14h56 para Darlington, na Inglaterra, afinal, o próximo só virá dali exatamente uma semana. Na estação menos movimentada da Inglaterra, aqui em Teesside, os únicos viajantes atualmente são aqueles atraídos pela novidade e raridade da viagem, que dura, no máximo, 14 minutos.

“Quanto mais obscuro, mais interessante é para os entusiastas dos trens”, disse um dos homens, Henry Kennedy, de Southampton. Ele e Murray Colpman viajaram centenas de quilômetros de trem e andaram durante 45 minutos para chegar a esta estação esquecida no nordeste da Inglaterra.

Não era para ser assim.

A estação

A Estação Ferroviária do Aeroporto de Teesside, cerca de uma hora ao norte de Leeds, foi construída em 1971, ao longo de uma já linha existente, para levar e trazer milhares de passageiros ao aeroporto regional, agora chamado de Aeroporto Durham Tees Valley, cujo terminal fica a poucos quilômetros de distância.

Não existe um serviço de ônibus da estação ferroviária para o aeroporto, e o número de voos do Durham Tees Valley é bem reduzido; ele já chegou a atrair cerca de 900 mil passageiros por ano, mas hoje atende apenas a cerca de 125 mil, e se conecta a poucos destinos. Então, os responsáveis pela ferrovia deixaram a estação meio de lado por anos, com apenas dois trens parando aqui por semana, um em cada direção.

Aí, em dezembro, o serviço foi novamente reduzido para apenas um trem por semana.

As várias autoridades de transporte ferroviário não conseguem entrar em um acordo sobre o fechamento da linha do aeroporto de Teesside, preferindo manter uma estação meio zumbi que hoje simboliza algumas das deficiências da rede de transportes da Inglaterra.

“Esse é um bom exemplo da natureza desconectada da política de transportes britânica”, disse Stephen Joseph, diretor-executivo do grupo de defesa Campaign for Better Transport, referindo-se ao aeroporto de Teesside. Ele contrastou a abordagem fragmentada da Inglaterra com “outros países onde as ferrovias, a aviação e o desenvolvimento econômico são planejados em nível nacional”.

Joseph também observou que quando outras rotas pouco utilizadas tiveram sua quantidade de trens aumentada, os passageiros começam a usá-las. “Quando você oferece um serviço decente, as pessoas se acostumam”, disse ele.

Escondida na parte de trás do aeroporto, a estação não é mesmo fácil de encontrar, e as instalações são mínimas: duas plataformas ligadas por uma passarela sustentada por andaimes, um abrigo e um telefone público, relíquia da época em que era regularmente usado. Quando o aeroporto mudou de nome, as placas na estação não foram atualizadas.

Para os poucos moradores que sabiam de sua existência, a estação fantasma se tornou uma piada, segundo uma militante dos transportes, Suzanne Foster, que há três anos administra uma página no Facebook, a “SAVE Teesside Airport”. Alex Nelson, o chefe da estação nas proximidades, a Chester-le-Track, descreve a situação como “perfeitamente absurda”.

Por que só uma viagem por semana?

O aeroporto é responsável pela manutenção da estação ferroviária, segundo um acordo fechado quando a proprietária majoritária, a Peel Airports, assumiu as operações, em 2003.

Quando ele disse que reduziria o número das viagens de trem para uma única semanal, culpou a infraestrutura envelhecida da estação, incluindo a passarela, e argumentou que o custo de mantê-la “poderia chegar a seis milhões de libras nos próximos cinco anos”. Foster, a militante, não concorda com essa quantia.

Ben Houchen, o prefeito da região de Tees Valley, que abrange cinco distritos, quer a reforma do aeroporto e de sua estação ferroviária. Ele afirma que se opôs aos planos da Peel Airports de fechar a estação definitivamente.

“Se for fechada agora, seria muito mais difícil reabri-la”, disse Houchen, acrescentando que “há aeroportos, especialmente os regionais, que fariam qualquer coisa para ter uma conexão como a do aeroporto de Teesside que, de fato, tem uma estação”.

A bordo do trem das 14h56, em um domingo recente, a condutora Sally Holtham disse que, em cinco anos nesse emprego, havia trabalhado em apenas três linhas que pararam na estação.

“É a primeira vez que vendo passagens aqui”, disse ela antes de perguntar, com uma longa gargalhada: “É de ida e volta?”.

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