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Comportamento

Quem faz a feira do Largo da Ordem: conheça quem trabalha e passeia por lá

Tradicional passeio de domingo em Curitiba, a feira de artesanatos do Centro Histórico faz parte do roteiro de quem quer conhecer a cidade e de quem sempre marca presença

Nos domingos de sol, o centro histórico da capital é parada obrigatória para quem quer aproveitar o fim de semana. Foto: Marina Mori / Gazeta do PovoNos domingos de sol, o centro histórico da capital é parada obrigatória para quem quer aproveitar o fim de semana. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

Todos os domingos, das nove da manhã às 14h, as oito quadras entre as ruas São Francisco e Doutor Kellers, no Centro Histórico de Curitiba, reúnem o que a capital paranaense tem de mais tradicional: a Feira de Arte e Artesanato Garibaldi, mais conhecida como a Feira do Largo da Ordem. As centenas de barracas, dispostas lado a lado, formam corredores de produtos para todos os usos e gostos. Sapatos, roupas, acessórios para casa, brinquedos, antiguidades. Tudo isso é pouco para descrever o que a feirinha representa. Nos domingos de sol, o passeio atrai milhares de curitibanos e turistas em busca do tradicional pastel de feira, boa música e diversão. Conheça, a seguir, um pouco de quem faz e quem frequenta a feira.

Miudezas para turistas

Dos 76 anos de vida de Regina Vera Daros Swensson, 33 foram vividos na feira do Largo da Ordem, na quadra da Rua Kellers. Formada no antigo magistério, ela se tornou artesã para aumentar a renda da família. Deu certo. “Formei meus dois filhos trabalhando na feira”, conta, orgulhosa. Dezenas de araucárias pintadas à mão ilustram canecas, porta jóias, pratinhos de enfeite e porta temperos. “Aprendi sozinha, nunca fiz curso. Pinto todos os dias”, diz.

Ela explica que cada item é pintado duas vezes, já que a porcelana passa por um forno especial que chega a 800°C para fixar a tinta, tornando o produto resistente à água e ao sabão. Os sucessos de venda são as “miudezas”, segundo a artesã, e os preços variam de R$ 5 a R$ 128. Hoje, com as vendas minguadas “por causa da crise”, Regina confessa que só continua na feira por um motivo. “Não é pelo sustento, não. É mais pelo hábito de vir toda semana e pelas amizades entre os feirantes; é como uma família mesmo”, afirma.

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A barraca mais visitada

Não muito longe das miudezas de dona Regina, em frente à Mesquita Imam Ali, uma barraca atrai os olhares de todos os passantes. Espalhados na mesa, centenas de jogos de desafio, feitos com madeira, ferro cromado e plástico, intrigam crianças, adolescentes e adultos. Cada um dos 134 modelos tem um objetivo, desde soltar uma peça da outra e depois encaixá-las novamente a organizar uma sequência de círculos divididos por cor. Os jogos, divididos por dificuldades, vêm com manual de resolução e custam de R$ 11 a R$ 50.

O responsável pela confecção de todos é o administrador Christian Ortega, de 47 anos. Ele teve a ideia de criar a Gemini Jogos Criativos em 1994, em uma viagem ao Chile. Desde então, tem um espaço na feira do Largo para atender a demanda.  “Vendo uns 200 jogos por domingo. Dizem que essa é a barraca que mais recebe turistas e visitantes, mas percebi que o turismo local tem crescido bastante nos últimos tempos”, comenta.

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Quem vai à feira do Largo da Ordem?

De tanto carinho que tem por Curitiba, a paulista Marjorie de Campos, 26, se considera cidadã curitibana e, pelo menos uma vez a cada dois meses, faz questão de passear pela feirinha com o marido, Lucas Silva dos Anjos, e as filhas pequenas. “Moro aqui há 15 anos, amo a cidade e adoro passear pela feira. Acredito que ela representa muito o que Curitiba é”, afirma.

Seja para comer pastel ou apenas passear pelas barraquinhas, a família faz questão de marcar presença na feira. Em dias de sol, o passeio fica ainda melhor. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

Seja para comer pastel ou apenas passear pelas barraquinhas, a família faz questão de marcar presença na feira. Em dias de sol, o passeio fica ainda melhor. Foto: Marina Mori / Gazeta do Povo

Entre os milhares de visitantes, há gente de todo o Brasil, como a bioquímica Vânia Maria Perdigão, de 59 anos. Ela veio de Fortaleza (CE) a passeio e se surpreendeu com a estrutura do comércio. “Estou encantada. Normalmente as feiras de artesanato tendem a ter um padrão de produtos, mas aqui a variedade é incrível.  Não queria comprar nada e já me enchi de coisas! Comprei coçador de costas, florzinha, massageador, placa, lenço, tudo”, brinca, mostrando os braços cheios de sacolas. 

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