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Turismo

Viagem ao barroco brasileiro

Rico acervo de arte sacra das igrejas e museus é o ponto alto de um tour pelas cidades históricas mineiras



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Em Congonhas, um conjunto monumental: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos e os 12 profetas, esculpidos em pedra-sabão pelo mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho
Ouro Preto (MG) – Brigue, nem que seja em pensamento, com seus professores de história do Brasil. As aulas nas séries primárias sobre o século 18, que tanto falavam da importância do círculo do ouro e das cidades históricas do Sul de Minas Gerais, não fazem jus a um terço do que a região é e do que ela representa.

Saindo da capital, Belo Horizonte, pela BR 040, e, depois, seguindo pela Rodovia dos Inconfidentes (BR 356) chega-se ao circuito turístico da Estrada Real, caminho aberto pela Coroa Portuguesa para o envio de ouro e pedras preciosas das “Minas Gerais” para Paraty e Rio de Janeiro (e depois, é claro, para Lisboa). Na região, existe a rota oficial, com 7.500 km de estradas e 107 municípios, mas há também as ruelas “ilegais”, abertas por exploradores que não queriam pagar impostos para o rei. Só no ano passado, o circuito recebeu 15 milhões de turistas, que fizeram um verdadeiro mergulho num dos períodos mais importantes da história do país.

Quando Ouro Preto desponta onde os olhos já conseguem alcançar, não há quem não se surpreenda. Sem exageros, ver os altos e baixos da cidade torneada por grandes montes, pode emocionar. O lugar é o maior patrimônio colonial português do mundo, nem na pátria de Camões existe a preservação que há na cidade mineira. Há 13 igrejas e 9 capelas imperdíveis, mas infelizmente, na maioria delas, não é permitido fotografar o interior.

O registro do período colonial em Ouro Preto é tão perfeito, que dá a impressão que logo você vai acabar cruzando com homens descalços em suas precárias carroças. Essa sensação fica ainda mais viva quando se faz um passeio de maria-fumaça para a vizinha Mariana. A locomotiva do século 19 faz passeios entre as duas cidades históricas todas as sextas, sábados, domingos e feriados. A viagem dura pouco mais de 1 hora (são 14 km de uma cidade a outra), mas é tempo suficiente para se deixar levar nos pensamentos, admirando a verde paisagem lá fora e curtindo o vai e vem de um breu no vagão – que surge a cada vez que o trem passa por um túnel.

Seguindo mais 147 km (saindo de Mariana) pela estrada real, chega-se a Congonhas. A cidade não tem muitas igrejas ou museus a se visitar. A relevância maior está no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde estão as famosas esculturas de profetas feitas pelo mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Depois, é hora de chegar a Tiradentes. A cidade que leva o nome do famoso inconfidente é ideal como última parada. O local reserva toda a riqueza histórica das outras cidades, mas é bem mais interiorana. Quando for até lá, não deixe a cidade antes de fazer pedidos de amor, saúde e riqueza no chafariz de São José (1749). Isso é, se você achar que ainda precisa de algum tipo de benção, mesmo depois de visitar cidades como essas.

A jornalista viajou a convite da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.

Serviço

Passeio Maria Fumaça. De Ouro Preto, sai às 10 horas e de Mariana às 14 horas. R$ 18 cada trecho ou R$ 30 ida e volta. Informações: (31) 3551-7705 ou www.tremdavale.org.

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