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Turismo

Com sorte e paciência, é possível viajar de graça com a Força Aérea Brasileira

Chance de um civil pegar carona de graça em uma aeronave em missão do Correio Aéreo Nacional (CAN) existe, mas é remota

A C-95 Bandeirante — uma das aeronaves usadas pelo Correio Aéreo Nacional (CAN), que oferece a qualquer brasileiro a chance de viajar de graça. Foto: Soldado Teles/BAAF/FAB

Mesmo sem ter qualquer relação com as Forças Armadas, qualquer brasileiro pode se candidatar a viajar de graça em aviões da Força Aérea que estejam passando pela sua cidade durante alguma missão.

A carona é oferecida pelo Correio Aéreo Nacional (CAN), um serviço postal militar que funciona desde 1931 e opera voos em todas as regiões do país.

É fácil pleitear uma vaga: basta fazer um cadastro em um posto do CAN, fornecendo nome, documentos (RG, CPF e comprovante de residência) e o destino desejado.

Aí é só esperar: quando um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousar na cidade em que foi feito o cadastro com destino ao local especificado pelo interessado, o CAN vai entrar em contato.

Difícil é isso acontecer algum dia, por várias razões:

1. Não é possível agendar, nem saber com antecedência quando uma missão da FAB fará a rota que o interessado precisa;

2. As rotas e os voos não são regulares, e os destinos não seguem a lógica dos voos comerciais;

3. O surgimento da vaga depende de ter espaço sobrando na aeronave (as vagas são disponibilizadas em “aproveitamento de missão”);

4. Os civis estão por último na lista de prioridades do CAN, que vai desde viagens para internação até o transporte de servidores civis da FAB e seus dependentes, passando viagens de militares da FAB em férias ou núpcias, dependentes de militares da FAB da reserva e militares em geral;

5. O cadastro, embora possa ser renovado, é temporário: dura apenas dez dias;

6. Se você está em Curitiba, a chance é ainda menor: só 345 pessoas (incluindo militares e seus dependentes) usaram os serviços do CAN por aqui em 2016 — menos de 0,7% dos 50.312 passageiros em todo o país no mesmo período. Em 2015, foram 63.625 passageiros — 454 de Curitiba. O posto em Curitiba pode ficar meses sem ligar para um cadastrado;

7. Não há antecedência mínima para o CAN informar ao candidato sobre o surgimento de uma vaga (é preciso estar preparado para embarcar a qualquer momento).

Foto: Força Aérea Brasileira

C-130 Hércules, outro avião em que civis podem ser embarcados em viagens pelo CAN. Foto: Força Aérea Brasileira

É por isso que o serviço, embora seja verdadeiro, parece lenda: é até possível achar relatos de viagens de civis pelo CAN, mas geralmente é de pessoas que se encaixaram em algum dos 12 critérios de prioridade acima da carona para civis.

Se você acha que está com sorte, mesmo diante de todos estes condicionantes, vai precisar saber que não é permitido embarcar de chinelo (nem tamancos), calção, bermuda, regata ou camisetas com propaganda político partidária ou inscrições “que atentem contra a moral e os bons costumes”.

A bagagem é limitada a 15 quilos, mas pode ser ainda mais limitada dependendo da capacidade do avião (neste ponto, até o peso do passageiro pode interferir, segundo uma fonte da FAB). O voo é feito em aeronaves de transporte de FAB, como o C-95 Bandeirante, C-97 Brasília, C-98 Caravan, C-99 Emb 145 e o C-130 Hércules.

Menores de 18 precisam ser inscritos pelo responsável legal mediante a apresentação de documentos comprobatórios.

Quem quiser se candidatar pode entrar em contato com três unidades do CAN listadas pela FAB na região Sul — Canoas (51 3462-5166), Florianópolis (48 3229-5021) e Santa Maria (55 3220-3309).

O Posto do CAN em Curitiba pode ser contatado pelo telefone (41) 3381-1132. Segundo a FAB, é necessário fazer o cadastro pessoalmente.

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