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Descubra a sua beleza

Os padrões estéticos impostos fazem muita gente sofrer. Mas a diversidade pode vencer essa ditadura

15/04/2012 | 00:07 |
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Perfeição. Esse é o padrão atual de beleza? O grande desafio para homens e mulheres, nos dias de hoje, é se gostar (com suas muitas vezes chamadas “imperfeições”), descobrir o estilo próprio e usá-lo a seu favor. Não que antigamente não houvesse padrões. O que mudou foi o que os estudiosos do comportamento humano vêm chamando de “moralização da beleza”.

“A feiura é criminalizada. O caráter das pessoas é associado à estética. A magreza é associada ao sucesso, à visibilidade, a um sujeito bem-sucedido, tenaz, obstinado. E a gordura, à lentidão – e nada mais antipático nos nossos tempos que alguém lento –, ao desleixo. É uma grande perversidade: a estética respinga em vários aspectos da vida. Se alguém não dá conta da própria aparência, é como se não desse conta do trabalho, por exemplo”, diz a psicóloga social Joana de Vilhena Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ).

Mel Gabardo/ Gazeta do Povo

Mel Gabardo/ Gazeta do Povo / Rosângela Mira melhorou ainda mais sua autoestima depois que virou blogueira. “Sei que não estou dentro de um padrão e sei que não sou o que chamam de bonita. Mas eu me acho bonita.” Ampliar imagem

Rosângela Mira melhorou ainda mais sua autoestima depois que virou blogueira. “Sei que não estou dentro de um padrão e sei que não sou o que chamam de bonita. Mas eu me acho bonita.”

Na moda

Na passarela, atitude e padrão muitas vezes estranho

Quem acompanha um pouco das passarelas pelo mundo já notou: a moda nem sempre valoriza a beleza clássica. O booker Rudy Sarnovski, da Ford Models, explica que as modelos comerciais – aquelas que aparecem em propagandas, vendendo produtos – precisam sim ser bonitas e harmoniosas. Por outro lado, o fashion – passarelas e editorias de moda das revistas – trabalha muito mais com atitude. “Às vezes a menina é linda e não consegue passar vida na hora de fotografar”, diz. Como exemplos de modelos que chamam mais atenção pela atitude ou estranhamento, ele cita as brasileiras Mariana Weickert (foto 3) e Diane Conterato (foto 4) e o canadense Rick Genest (foto 5), o Zoumbie Boy.

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Confiança

A cabeleireira e maquiadora Baca Lee, 28 anos, sentiu esse preconceito. Acima do peso, com várias tatuagens e estilo retrô, ela conta que no começo foi difícil conquistar a confiança das clientes. O que não abalou a sua própria. “Nunca fui grilada com a questão do peso e me acho bem gata. Acho que as pessoas têm mais problemas com isso do que eu”, afirma.

Baca, aliás, conquistou a autoestima no momento em que muitas entrariam em desespero. “Depois dos 20 anos, comecei a engordar. E foi quando me soltei: fiz as tatuagens, achei meu estilo. Quando você encontra o que te cabe melhor, que traduz quem você é, tudo melhora.” É um caminho para remar contra essa maré de imposições de imagens, salienta ela. “O que eu mais gosto em mim é minha personalidade. Se eu pudesse ser outra pessoa, seria eu mesma”, diz a bem-resolvida Baca.

O que a cabeleireira conseguiu foi quebrar a resistência de ser original. “A maioria das pessoas não quer ser diferente para não precisar se justificar, dar explicações. E às vezes não há explicação lógica, é uma coisa tão pessoal, tão subjetiva, que fica mais fácil entrar na vala comum”, avalia o filósofo clínico Darcy Antonio Nichetti.

Para o filósofo, beleza não cabe dentro de um padrão. “Se convencionou que o rosto deve ser de tal maneira, o corpo de outra. Mas cada um entende a beleza dentro da sua vivência. Aquilo que encanta, que extasia, é bonito. Não pode ser colocado dentro de padrões pré-definidos.”

Juventude

Mas é. E um dos mais cruéis é o modelo de juventude. É preciso parecer jovem a qualquer preço. A blogueira Rosângela Mira, a Kinha do Amiga da Moda, chegou a perder seguidoras quando revelou sua idade. “Não tenho problema com isso, tenho 57 anos e sou avó. A idade trouxe uma segurança que eu não tinha. Sei que não estou dentro de um padrão e sei que não sou o que chamam de bonita. Mas eu me acho bonita.”

Rosângela é adepta de pequenos retoques em nome da estética. “Tento sempre melhorar. Acho importante a pessoa se valorizar, se cuidar”, diz. O blog, que ela escreve há quase quatro anos, é outra fonte de autoestima. “Passei a me gostar mais. Você se torna uma referência de alguma maneira.”

“É preciso ter muito prazer de estar dentro da própria pele. Caso contrário não se passa impune a tudo isso”, afirma a psicoterapeuta Janete Farion. A confiança necessária vem de dentro. “Quem não cultiva valores mais aprofundados do significado da vida não dá conta. É preciso descobrir seus valores internos, sua autoaceitação. Dizer ‘sou torto, e daí? Me vejo do jeito que sou e sou feliz com isso’”.

O ator de teatro Claudinho Castro, 37 anos, é anão, está acima do peso e dá uma aula de apreço por si mesmo. “Me olho no espelho e digo: ‘Nossa, como você é lindo!’ Se eu não fizer isso, ninguém vai fazer”, conta. “Não é só porque sou pequeno e gordo que sou feio. Posso oferecer outras coisas. Sou simpático, sei conversar, sou antenado, engraçado.” Ele garante que não deixa passar uma oportunidade de falar com uma moça que lhe agrade. E que costuma brigar com quem reclama da vida. “Às vezes a pessoa é maravilhosa e está chorando, dizendo que a vida é ruim.”

Claudinho atribui tanta confiança aos pais. “Quando eu era criança, meus pais nunca me esconderam, pelo contrário. Nunca tive vergonha de nada.” O ator inclusive tirou de letra o bullying na escola, revidando os “ataques”. “Quando alguém falava alguma coisa, eu dizia ‘E daí? Você é feio, ou você é narigudo’. Eu desmontava o bullying. O primeiro dia era terrível, depois eu entrava na turma da bagunça”, lembra.

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