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Leticia Akemi/ Gazeta do Povo

Leticia Akemi/ Gazeta do Povo / Alicia precisou recorrer à terapia para tratar traumas do passado que traziam problemas no presente: “Parece que reencontrei a minha essência” Alicia precisou recorrer à terapia para tratar traumas do passado que traziam problemas no presente: “Parece que reencontrei a minha essência”
Eu me amo

Viva a autoestima! Conheça pessoas que viraram o jogo

Pensamentos autodestrutivos, síndrome da vítima, dependência do olhar do outro. Esses são alguns sintomas de que sua autoestima não anda lá essas coisas. Vire esse jogo e se permita ser feliz

20/11/2011 | 00:04 |
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Você certamente conhece alguém assim: inteligente, talentoso, bonito, mas que não acredita nos elogios que recebe. Ou aquele que tem tudo para ser feliz – um bom trabalho, saúde, uma família linda –, mas acha que nunca nada está bom. Talvez seja até você mesmo. Os dois casos são sintomas de baixa autoestima.

E o que é, afinal, a tal da autoestima (além de tema de inúmeros livros de autoajuda)? Uma definição simples pode ser encontrada no dicionário: “valorização de si mesmo, amor-próprio”. É o senso comum e está certo, mas vai além. A psicóloga Carla An­­drade explica que a autoestima está baseada em três tópicos: valorização – alheia e própria –, aceitação e competências. Pense em um banquinho de três pernas. Se uma delas quebra, ele vai ficar manco ou cair. É exatamente o que ocorre com a autoestima. E, às vezes, o processo é tão autodestrutivo que o seu banquinho vira apenas uma rodela no chão.

Esse processo de “desmanche” vem de traumas do passado. “Algo acontece com a criança e ela cresce com essa desvalorização de si mesma, acreditando em coisas a respeito dela que são falsas”, diz Carla, que trabalha com a terapia denominada Des­­sen­­sibilização e Reprocessa­­mento através de Movimentos Oculares – EMDR, na sigla em inglês. Pode vir da relação com a família, colegas, professores. Casos de bullying, por exemplo, costumam deixar marcas profundas. “Às vezes, a pessoa arranja mecanismos de defesa e consegue driblar. Mas qualquer coisa que acontece pode abalar sua autoconfiança.”

Vigilância constante

De olho na autossabotagem que ela e amigas teimavam em perpetuar, a publicitária Gisela Rao se propôs a vigiar sua autoestima por 365 dias. Criou o blog Vigilantes da Autoestima, no qual, com muito bom humor, foi descrevendo sua evolução da autoestima da palha ao tijolaço. O resultado está no livo Não comi, não rezei, mas me amei (Editora Matrix, 336 páginas, R$ 39,90). Divertido e inspirador. Confira a entrevista que Gisela deu para o Viver Bem.

Leticia Akemi/ Gazeta do Povo

Leticia Akemi/ Gazeta do Povo / Andressa terminou um namoro longo, emagreceu dez quilos, mudou o cabelo, o jeito de se vestir e de se relacionar com as pessoas. “Nunca estive tão bem, feliz e realizada comigo mesma.” Ampliar imagem

Andressa terminou um namoro longo, emagreceu dez quilos, mudou o cabelo, o jeito de se vestir e de se relacionar com as pessoas. “Nunca estive tão bem, feliz e realizada comigo mesma.”

Musculação no ego

Quando o problema da autoestima é profundo, só a terapia pode ajudar. Mas há atitudes que você pode tomar para se fortalecer no dia a dia.

- Reserve sempre um tempo para si mesmo, mesmo que você tenha uma vida atribulada, com trabalho, filhos, casa, relacionamento. Pode ser meia hora no banho ou uma caminhada. Faça desse um momento especial.

- Nunca deixe de fazer coisas que lhe dão prazer.

- Faça uma lista dos seus talentos, realizações e conquistas. Vale tudo, como aquele prato que todo mundo adora, sua capacidade de ouvir as pessoas, seu talento profissional e conquistas materiais.

- Comemore seus momentos de sucesso.

- Comece a se jogar confete todos os dias. Não espere o outro, que pode estar ocupado demais com ele mesmo.

Para os pais

- A construção da autoestima vem da infância. Portanto, os pais precisam estar atentos às atitudes que têm com os filhos:

- Jamais passe a mensagem, explícita ou implícita, de que vai gostar da criança apenas se ela for “boazinha”.

- Cuidado com as reações às notas de seu filho, boas ou ruins. Ele pode achar que é aceito apenas quando é bom o suficiente.

- Excesso de críticas derruba a autoestima de qualquer um. Frases como “você não serve para nada”, “nunca vai ser ninguém na vida”, viram lei para uma criança. Por outro lado, excesso de elogios também é maléfico. A criança cresce precisando sempre de aplauso. Quando não recebe, fica insegura.

- Fazer tudo pelos filhos passa a impressão de que eles não são capazes. Eles precisam de autonomia.

Fontes: palestrante motivacional Andreia Berté e psicóloga Evelyse Iwai Reis Teluski.

São situações do presente que trazem os sentimentos do passado. Pode ser uma rejeição. Uma crítica, até construtiva. Pode ser uma simples brincadeira. A famosa gota d’água... “É uma cadeia associativa relacionada ao mesmo pensamento”, afirma a psicóloga.

O outro

Depender da aprovação alheia também denota problemas de autoestima. Lembra da definição do dicionário? Precisar o tempo todo da chancela do outro é depender de um estímulo externo. O que é muito bom, todo mundo gosta e deve, sim, ser usado para aumentar a autoestima. Mas não pode ser o único caminho. A valorização precisa ser internalizada.

O que não significa apenas aparência. “Às vezes, quem investe demais na imagem tem uma autoestima mascarada. Pessoas mais inseguras precisam investir mais na aparência. O excesso de cirurgias plásticas, por exemplo, mostra que a pessoa não se aceita”, alerta a psicóloga clínica Evelyse Iwai Reis Teluski. Para ela, as duas faces precisam estar unidas: gostar daquilo que se é e o que se mostra para o mundo. O que não significa que devamos cair no outro extremo. “Desleixo é autossabotagem.”

Que o diga a estudante de Medicina Andressa Cristine Roman, 28 anos. Depois de terminar um relacionamento de dez anos, ela se redescobriu. “Ele ficava me desfazendo, nunca me elogiava, nada do que eu fazia estava bom. Tive de mudar o meu jeito, porque eu aceitava isso”, reconhece. O início da mudança foi interior. “Comecei a pensar o que eu estava fazendo com a minha vida, o que eu queria.” A partir daí, a transformação foi geral. Os cabelos, o peso – perdeu dez quilos em quatro meses – o modo de vestir. “Estava sempre largada, só usava blusas soltas e calça. Agora adoro vestido, salto alto, maquiagem. Adoro olhar para o espelho e me sentir feminina.” A moça diz que também está se relacionando melhor com as pessoas. “Nunca estive tão bem, feliz e realizada comigo mesma.”

Recuperação

Andressa conseguiu se reencontrar e passou por esse processo sozinha. Nem sempre, porém, é fácil achar esse caminho. “Quando você está de mal com a autoestima, entra em um processo de autorretaliação. Não acredita no próprio potencial, deixa de criar coisas novas, se esconde”, define a palestrante motivacional e educadora sexual Andreia Berté, do Centro Integra­­do da Mulher Joanah Pink.

Como fez Andressa, é preciso mudar o padrão de pensamento. E redescobrir o que nos faz feliz. Se não for possível sozinho, é hora de procurar ajuda profissional. Foi o que fez a jornalista aposentada Alicia Ana Dudeque, 54 anos. Desde 2003 em tratamento de depressão, neste ano problemas pessoais fizeram sua ansiedade aumentar muito. Ela recorreu à EMDR e descobriu que a morte do pai e a humilhação imputada por um professor, na sua infância, tinham feito estragos na sua autoimagem. “Eu me sentia horrorosa, achava que não fazia parte dos grupos com que convivia. Hoje, me sinto mil vezes mais segura e feliz. Parece que reencontrei minha essência.”

Projeto

Para o educador e escritor Eugênio Mussak, uma das formas de não se deixar abalar é ter um projeto e não viver apenas o presente. “O passado e o futuro existem no presente. O passado chama-se memória e o futuro chama-se sonho. Quando você consegue estabelecer essa relação entre esses três tempos, consegue transitar com mais facilidade nessa linha do tempo, você tem uma tendência a se relacionar melhor consigo mesmo. Ter um projeto de vida, saber o que você quer fazer, qual o legado você quer deixar, é muito importante para a construção do equilíbrio e da felicidade.”

O que não quer dizer deixar de lado o presente e apostar todas as fichas no futuro. “Não perca o agora. Mas não esqueça que o futuro vai virar presente. O projeto é sua conexão com o futuro. E se o agora está difícil, a pessoa meio que se desespera, porque é tudo que ela tem na mão.”

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