Assinaturas Classificados
Assinaturas

Publicidade

Hedeson Alves/ Gazeta do Povo

Hedeson Alves/ Gazeta do Povo / Diego tem autismo e trabalha em uma loja de material esportivo Diego tem autismo e trabalha em uma loja de material esportivo
saúde

Autismo no trabalho

Como seria se um dia você chegasse para trabalhar e descobrisse que ganhou um colega com autismo? Aos poucos, o mercado de trabalho está reconhecendo que, mesmo com o transtorno, alguns podem realizar um bom trabalho

Publicado em 28/03/2010 |
  • Comentários

Quando a assistente social do grupo SBS Adriana Amaral informa a algum gerente que ele vai receber um funcionário com deficiência que não seja física, ela costuma ouvir a pergunta: “Qual é a possibilidade de ele surtar no meio da loja?” A resposta não muda: “A mesma possibilidade da assistente social surtar no meio da loja”. O grupo para o qual Adriana trabalha é formado por 150 lojas, onde hoje estão empregadas 123 pessoas com os mais variados tipos de deficiência. Uma das lojas é a Centauro do Shopping Estação, onde conhecemos Diego Mendonza de Melo, 24 anos.

Todos os dias, ele segue de Pi­­ra­­quara de ônibus até Curitiba pa­­ra trabalhar, o que faz com um constante sorriso nos lábios. En­­quanto atravessa o shopping, cum­­primenta os funcionários que encontra e é chamado pelo nome. Figura simpática, ele conta que gosta de trabalhar e, contrariando os sintomas do autismo, também adora conversar. Quem encontra Diego pode perceber que ele tem um comportamento infantilizado para seu tamanho e idade, mas dificilmente alguém acerta o seu diagnóstico.

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal / André Arroyo Ruiz, 30 anos, recentemente diagnosticado com autismo Ampliar imagem

André Arroyo Ruiz, 30 anos, recentemente diagnosticado com autismo

"Posso ficar furioso se alguém quebra a minha confiança"

Depoimento de André Arroyo Ruiz, 30 anos, recentemente diagnosticado com autismo.

Sempre fui questionador. Em casa, virava referência sobre como operar qualquer aparelho. Na escola, era visto como a pessoa que era capaz de responder às perguntas mais difíceis.

Hoje sou engenheiro elétrico formado pela Universidade de São Paulo (USP) e trabalho na Europa como gerente financeiro de uma grande empresa. No trabalho atual estava passando por um período difícil, em que sentia que não produzia como deveria, estava infeliz e sabia que meus chefes tampouco estavam felizes. Então procurei ajuda médica.

Leia o texto completo

Dentro do espectro autista, que se divide em graus mais ou menos severos, Diego estaria entre aqueles com menor comprometimento cognitivo. No entanto, a maior parte das pessoas com graus não tão severos de autismo nem ao menos conhecem o transtorno porque não foi diagnosticado. “É mais fácil fazer o diagnóstico em casos mais graves, naqueles em que a deficiência men­­tal e o comportamento bizarro estão presentes. No caso dos aspergers (os chamados de alto funcionamento, com inteligência normal ou acima da média) é bem difícil”, diz o psiquiatra Es­­tevão Vadasz, coordenador do Pro­­jeto Transtorno do Espectro Autista do Hospital de Clínicas, em São Paulo.

Para serem contratados pela Lei de Cotas, como é conhecida a lei que estabelece um número mínimo de pessoas com deficiências em grandes empresas, além de ter autismo, a pessoa precisa ter algum grau de deficiência intelectual, ou mental, assim como acontece com a Síndrome de Down.

Entretanto a inclusão não deve ser feita apenas pela lei, mas por uma questão social, conforme a psicóloga Julianna de Matteo, da Asso­ciação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), ONG que atua no atendimento e na defesa de direitos de pessoas com deficiência. “O preconceito que as pessoas com autismo sofrem hoje vem da falta de conhecimento da sociedade. Pouco nos interessam as cotas, trabalhamos para a conscientização das empresas para a responsabilidade social”, afirma. A Avape oferece “palestras de sensibilização” em empresas sobre o potendial das diferentes deficiências. “No caso do autismo, alguns têm uma inteligência específica impressionante e facilidade para aprender.” Para que tenham sucesso, no entanto, é preciso que as empresas se ajustem às necessidades específicas daquele funcionário, pois cada pessoa com autismo é diferente da outra, assim como são diferentes suas necessidades, limitações e qualidades. “Os empregos devem levar em consideração os traços da síndrome e as características pessoais. Muitos são extraordinários em algumas áreas, mas é preciso empenho para que possam trabalhar no que gostam”, explica Estevão Vadasz.

Diego trabalha como ajudante de loja, ora no caixa, ora no estoque ou ajudando vendedores. Em seu tempo livre, navega no serviço de mapas do Google e, por causa dis­­so, conhece de cor o mapa de ruas de cidades onde nunca esteve, como Londrina. Nas ruas de Curitiba, poderia andar de olhos fe­­chados, e segue sonhando com o dia em que conseguirá entrar na faculdade e trabalhar como guia turístico.

    • Parabéns pela matéria! Como mãe de autista, estou apaixonada pela postura profissional de Adriana Amaral; e pelas empresas do grupo SBS. Estou confiante q matérias como esta permita novas possibilidades de inclusão para pessoas portadoras do Autismo. Muito obrigada! Ana Muniz - São Carlos - SP - Amais Saocarlos - 31/12/1969 21:00:00
    • NOTÍCIAS MAIS COMENTADAS
    • QUEM MAIS COMENTOU
    Publicidade
    Publicidade
    «

    Onde e quando quiser

    Tenha a Gazeta do Povo a sua disposição com o Plano Completo de assinatura.

    Nele, você recebe o jornal em casa, tem acesso a todo conteúdo do site no computador, no smartphone e faz o download das edições da Gazeta no tablet. Tudo por apenas R$ 69,30 por mês no plano anual.

    SAIBA MAIS

    Passaporte para o digital

    Só o assinante Gazeta do Povo Digital tem acesso exclusivo ao conteúdo do site, sem nenhum custo adicional ou limite.

    Navegue com seu celular ou baixe todas as edições no tablet - um novo jeito de ler jornal onde você estiver.

    CLIQUE E FAÇA PARTE DESSE NOVO MUNDO

    »
    publicidade