Terça-feira, 09/02/2010
É dever dos pais dar o exemplo aos filhos, mas isso não impede que as crianças ensinem uma boa lição aos adultos de vez em quando e os ajudem a se livrar de maus hábitos como o cigarro
Publicado em 16/09/2007 | Jennifer KoppePara garantir que os seus filhos se alimentassem de maneira saudável, a professora Cinthia Talamini Protzek sabia que falar da boca para fora não seria o suficiente, ela também teria que aprender a comer melhor. “Sempre comi muita verdura, mas nunca comia fruta. No máximo, morango com leite condensado ou mamão com açúcar. Não porque eu não gostasse, acho que era falta de costume mesmo. Além disso, quando eu era criança, não se tinha uma variedade tão grande de frutas disponível o ano inteiro”, conta.
O contador Odair Rocha, 50 anos, fumava há quase 30 anos quando decidiu parar. Mas não sem um empurrãozinho das filhas Camila, 15, e Isabele, 13. “Parei há seis anos, época em que lançaram as fotos com os avisos atrás das carteiras de cigarro. Aquelas imagens já me incomodavam, mas a insistência das meninas foi fundamental para eu tomar a decisão”, conta. Elas pediam, insistiam, ameaçavam que iam começar a fumar também, reclamavam do cheiro da fumaça, escondiam o cinzeiro e jogavam os isqueiros no lixo. “Já tinha tentado parar outras seis vezes, mas foi o amor por elas que me ajudou a parar de vez. Eu comecei a fumar porque os meus pais fumavam. Era o meu dever dar o exemplo, para que elas não seguissem o mesmo caminho”, diz. (JK)
No colégio, o pequeno Felipe não pensa duas vezes em trocar o pedaço de bolo, o sorvete ou o crepe pela maçã vendida na cantina. “Uma vez estávamos numa dessas feiras de comida e pedi para que escolhesse a sobremesa. Ao invés de parar em frente à barraquinha dos doces, ele foi até a barraca das frutas. Na idade dele, eu não considerava fruta uma sobremesa” lembra Cinthia.
De acordo com a psicóloga clínica e psicopedagoga Tisa Paloma Longo, as crianças aprendem por observação a se comportar conforme o modelo e os valores dos pais. Portanto, obrigar a criança a comer verdura e não colocar uma folha de alface no prato não resolverá os problemas de alimentação de seu filho. “Um bom educador não se utiliza da frase: ‘Faça o que eu digo, não faça o que eu faço’. Os pais devem se comportar como gostariam que seus filhos se comportassem”, explica.
Serviço: Tisa Paloma Longo (psicóloga e psicopedagoga), fone (41) 3014-8779.
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