Terça-feira, 09/02/2010
A adolescência chegou e junto com ela a paquera, a paixão, o primeiro toque, a conquista, o namoro, o coração partido... Como agir diante dos filhos que estão descobrindo o amor?
Publicado em 11/05/2008 | Jennifer Koppe - jenniferk@gazetadopovo.com.brDar o primeiro beijo é um marco na vida de todo ser humano. Assim que a menina ou o garoto entram na adolescência e alguns colegas se tornam mais do que simples amigos(as), beijar é o momento mais esperado, um rito de passagem que prova para eles mesmos e para os outros que não são mais crianças.
O primeiro beijo também é considerado a primeira experiência sexual dos filhos e, por isso mesmo, motivo de preocupação e de dúvida para os pais. “Será que não foi cedo demais?” “Devemos falar sobre o assunto?” “Como agir a partir de agora?” são algumas questões que passam pela cabeça dos adultos.
De acordo com a psicóloga Eloá Andreassa, não existe idade certa para dar o primeiro beijo. “Geralmente, o interesse pelo sexo oposto começa a despertar durante a puberdade, a partir dos 12, 13 anos de idade, mas hoje em dia as crianças estão sendo estimuladas pela mídia e até mesmo por alguns pais a agir como adultos cada vez mais cedo”, afirma.
Mesmo que o beijo ocorra dentro da faixa-etária “esperada”, um pouco antes ou alguns anos depois, não importa. Qualquer que seja a situação, Eloá explica que os pais devem receber a notícia com naturalidade. “Não faça alarde e nem comemore. Tente descobrir como aconteceu e como o seu filho está se sentindo”, explica. Uma reação exagerada dos pais, além de deixar o adolescente envergonhado, também pode comprometer a relação de confiança entre eles.
“É importante os pais estarem disponíveis para ajudar os filhos a perceber o que sentem, o que pensam e como podem fazer escolhas. Nesse momento, os pais precisam se tornar confidentes de seus filhos, pois eles buscam alguém que os ouça e que os ensine. Durante a conversa, sempre que houver uma brecha, oriente o seu filho e fale de sua própria experiência”, recomenda a psicóloga Tisa Paloma Longo.
Brincadeira de criança
Se bem antes da pré-adolescência o seu filho chegar da escola dizendo que está namorando, não se assuste. É comum que crianças de 3 a 5 anos brinquem de namorar. Da mesma forma que brincam de casinha, escolinha e de polícia e ladrão. Eles observam os adultos e imitam o seu comportamento. Por isso, elegem um amigo especial, mandam cartinhas, dão presentes e até andam de mãos dadas, mas o relacionamento não passa disso.
As especialistas recomendam: se é uma brincadeira, trate como tal, ou seja, não dê muita importância para o assunto. “Não proíba, nem estimule. Se quiser conversar com a criança sobre o que está acontecendo, procure mostrar a importância da amizade, do afeto e do respeito por si e pelos outros”, explica Tisa.
Se surgirem dúvidas a respeito de sexo, não deixe de falar com eles sobre o assunto, mas não transforme uma simples resposta em sermão. “É interessante aproveitar a curiosidade das crianças para falar sobre sexo, mas responda apenas o necessário e à medida que as dúvidas surgirem”, orienta Eloá. Se esse tipo de orientação for dada desde cedo e nas doses certas, falar do tema será mais confortável tanto para os pais quanto para os filhos.
Vai dar namoro?
No caso dos adolescentes, é fundamental que, antes que se envolvam afetivamente com outra pessoa, já tenham um bom conhecimento sobre sexo e suas conseqüências, entre elas a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. “Mas essas conversas não devem se limitar à educação sexual. É muito importante que os pais transmitam valores positivos sobre o tema e que associem o sexo com afeto e compromisso. Nesta era do ‘ficar’, é cada vez mais difícil os adolescentes namorarem. Uma pena, pois namorar, ter um primeiro amor, é uma experiência muito enriquecedora, essencial para a formação e para o amadurecimento do indivíduo”, lembra Eloá Andreassa.
Embora seja recomendável deixar o adolescente vivenciar o namoro sem culpa ou constrangimentos, é necessário que os pais imponham alguns limites e regras para o relacionamento. Estabelecer horários e locais definidos para que o casal se encontre, por exemplo, é interessante para que o filho mantenha a sua rotina de estudos e atividades. “Senão, eles vão ficar 24 horas grudados um no outro”, brinca a psicóloga.
Ciúmes de você
Não é fácil ver a sua garotinha nos braços de outro, ou então, ouvir o filhão se derreter em elogios por uma amiga da escola. Sentir ciúmes dos rebentos é normal, passageiro e comum tanto para mães quanto para pais. “É um momento muito difícil para os pais, pois os adolescentes costumam se afastar da família para buscar independência, e os pais percebem que não são mais o centro da vida de seus filhos. Por isso, encaram essa fase como uma perda, que gera dor, desconforto e até inveja daqueles que estão recebendo mais atenção do que eles”, explica Tisa Paloma Longo.
Mas, por mais que o ciúme seja aceitável, não deve provocar conflitos. Querer competir com a namorada ou namorado está fora de questão. Além de não ser um comportamento saudável, é bem provável que você saia perdendo.
Serviço
Tisa Paloma Longo (psicóloga e psicopedagoga) – Psicologia Clínica, fone (41) 3014-8779, www.clinica.psc.br / Eloá Andreassa (psicóloga clínica) – Valle do Sol, fone (41) 3016-5036.
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