Sábado, 31/07/2010
Jennifer Koppe
Antes de fazer essas fotos, o analista de sistemas Marcelo Júlio, 28 anos, nunca tinha feito uma paella. “Costumo pesquisar muito, se quero aprender a fazer um prato, experimento, analiso como ele é feito, comparo algumas receitas e dou o meu toque f
Publicado em 16/11/2008 | Jennifer Koppe - jenniferk@gazetadopovo.com.brA Future Foundation, instituição inglesa que faz estudos de mercado, realizou uma pesquisa com cerca de mil homens entre 25 e 44 anos e constatou que atualmente eles gastam cinco vezes mais tempo entre as panelas do que em 1961. Há 47 anos, a média era de cinco minutos diários, hoje é de 27.
Fotos: Pedro Serápio/ Gazeta do Povo
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O advogado Valmir Parisi, 37 anos, começou a cozinhar há pouco mais de dois anos. “Mesmo sem nenhuma prática, cozinhar melhorou o meu astral e trouxe vida à minha casa”, conta. A cada 15 dias, ele e os amigos promovem uma maratona gastronômica. Em cada encontro, uma dupla fica responsável pelo jantar e o melhor é premiado. Embora esteja solteiro, Valmir não pensa em usar o talento para uma eventual conquista. “Não quero ganhar uma mulher pela barriga, mas pelo que sou.”
Bons tempos em que bastava uma pizza e um chopinho pro sujeito se arriscar a fazer aquela tabelinha um-dois na conquista de uma pequena. Hoje as regras são outras.
De acordo com o estudo, existem vários fatores que levam os homens a se interessar pela culinária: muitos vivem sozinhos e precisam se virar para comer. E mesmo os casados têm de se familiarizar com as panelas, já que a maioria das mulheres trabalha fora. Além de necessidade, cozinhar também é um hobby e uma poderosa arma de conquista – 48% dos entrevistados ingleses afirmam: saber cozinhar os tornam mais atraentes às mulheres.
As revelações da pesquisa fizeram surgir um novo termo para classificar este homem bem resolvido que cozinha por prazer e para impressionar: gastrossexual.
Apesar de pouco sonoro – esquisito até – o apelido acabou pegando não só na Europa, mas também nas Américas.
Hoje, um homem com talento culinário é bom partido, mas por muito tempo ele foi banido das cozinhas por mães e esposas. Não deveria. Desde a invenção do fogo, o homem participa do ritual de preparar os alimentos para consumi-los.
Na Roma e na Grécia Antiga, quem preparava os banquetes eram os escravos homens. Durante a Idade Média também eram eles que comandavam as cozinhas das monarquias européias.
O preconceito em relação aos homens na cozinha costumava ser mais evidente em países da América Latina. Na Europa, principalmente na França e na Itália, os chefs mais celebrados eram e continuam sendo os do sexo masculino. No Brasil, eles também dominam o ramo. Foi apenas recentemente que as mulheres deixaram de encarar a culinária como obrigação doméstica para se profissionalizar.
O médico Roberto Moraes da Costa, 63 anos, sempre gostou de comer bem, mas foi criado na época em que cozinha não era lugar de homem. Separado e recém-aposentado, matriculou-se no curso de chef de cozinha e descobriu um novo talento. Gosta de cozinhar para a família e para os amigos. Sua especialidade? Carnes e frutos do mar. Diz não ter interesse em cozinhar para seduzir uma mulher, mas reconhece que não existe satisfação maior do que cozinhar a dois. “É um ritual que estimula o apetite e cria expectativa.”
Poder de atração
Mas, por que um homem dourando cebolas ou com colher de pau em riste é tão atraente aos olhos femininos? Para o chef Marcelo Amaral, proprietário do Lagundri Bistrô, preparar um alimento para o outro é um dos rituais mais elementares e nobres que existem. “Além de demonstrar afeto e cuidado, revela que você tem cultura e uma personalidade criativa”, explica o especialista, que por sua vez conquistou a mulher com uma receita de curry verde.
Para a terapeuta de casais Gilvânia Barzotto, o homem na cozinha desconstrói a idéia da falta de sensibilidade masculina, uma queixa antiga das mulheres. “Talvez seja justamente isso que as atraia: a capacidade do homem demonstrar que pode ser mais sensível às mulheres, ajudando nas tarefas domésticas, por exemplo.”
Para a consultora de relacionamento Marlene Heuser, a mulher se sente valorizada e especial quando sabe que o seu homem está na cozinha preparando algo para agradá-la. “Muitas vezes, a comida pode nem ter ficado tão boa, mas vale a intenção”, acredita.
A comida e o sexo estão intimamente ligados, estimulam os sentidos, causam prazer. “Dependendo do prato escolhido – uma receita mais exótica com temperos picantes – e do clima do momento, pode existir um forte apelo erótico”, argumenta Marlene.
O analista de sistemas Marcelo Júlio confessa que já usou os dotes culinários na conquista, mas que cozinhar bem tem um poder muito maior. “Atrai mulheres, mas também promove a confraternização entre amigos e a união da família. Por isso, o que mais me deixa satisfeito é receber as pessoas em casa”, conta.
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