Domingo, 01/08/2010
Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo
Quase todo o guarda-roupas de Fátima Mercuri é formado por peças garimpadas em brechós
Mais que uma maneira de economizar e encher o armário de peças exclusivas, comprar roupas de segunda mão em brechós é quase um vício para algumas pessoas
Publicado em 07/02/2010 | Juliana Girardi - julianag@gazetadopovo.com.brE o vestido é apenas um dos “tesouros” garimpados por Fátima em lojas de roupas de segunda mão. Mais de 90% de seu imenso guarda-roupas é composto por peças que já pertenceram a outras pessoas, das mais diferentes partes do planeta. Há pelo menos 15 anos, Fátima, que sempre teve uma ligação forte com a moda, descobriu nos brechós uma maneira diferente e econômica de consumir. “Fui com uma amiga à casa de uma senhora que recebia peças da Alemanha e da Itália para vender no Brasil em prol de uma instituição religiosa. Foi a primeira vez que comprei roupas usadas e aquele foi o melhor brechó que eu já vi até hoje. Fiquei endoidecida”, lembra, citando carinhosamente um casaco de gabardine forrado com pele, adquirido naquela ocasião.
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O vestido tamanho 54 de Karen Tortato foi transformado em duas peças
Confira os endereços dos brechós preferidos das entrevistadas desta matéria:
Brechó Casarão
Rua Mateus Leme, 271, Centro, fone (41) 3224-7360.
Brechó Show Room
Rua Mateus Leme, 254, Centro, fone (41) 3224-9598.
Colete & Corselet
Rua Trajano Reis, 115, São Francisco, fone (41) 3224-8115.
Moradora do bairro São Francisco, Fátima, que trabalha no Largo da Ordem, virou freqüentadora assídua dos diversos brechós da Rua Mateus Leme, onde os comerciantes já a conhecem. “Quando eu não entro, me chamam”, diverte-se. Além de comprar roupas para ela e a filha, volta e meia adquire peças que a fazem lembrar de alguma amiga, para presentear. Além de serem surpreendidas com uma sacolinha de roupas, as amigas da produtora também contam com um vasto figurino à disposição, quando precisam de trajes emprestados para eventos ou ocasiões especiais. “Faço isso porque me dá prazer. Não cobro nada”, orgulha-se.
E quem imagina que Fátima desfila por aí com um figurino digno de um filme dos anos 70, está redondamente enganado. Entre os itens favoritos estão peças usadas de grifes como Gap e Chanel, abandonadas por suas donas originais em algum dos brechós da cidade. “Já vi mulheres estacionando seus carros importados e carregando dezenas de sacolas de roupas para dentro dos brechós. Adoro essas peruas que esvaziam o guarda-roupas a cada estação”, brinca.
Pesquisa
Um trabalho de criação para uma grife de skatewear, em meados dos anos 90, foi o caminho que levou a designer e ilustradora Karen Tortato, 35 anos, ao universo das roupas de segunda mão. “Eu pesquisava peças antigas, como camisas e calças de alfaiataria, para adaptá-las ao estilo skatewear”, conta. Mas a pesquisa acabou servindo para incorporar novas influências ao estilo da própria Karen. “Na época eu andava bastante inspirada por filmes da década de 60 e consegui encontrar peças iguais aos do figurino de Jeanne Moreau em Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (François Truffaut, 1962). Passei um ano me vestindo como ela”, diverte-se.
Hoje, são os tecidos e as estampas que motivam a designer a peregrinar entre brechós e bazares beneficentes em busca de peças exclusivas. Mais de 80% de sua coleção de roupas é formada por itens de segunda mão, incluindo acessórios como cintos, bolsas, colares de pérola e óculos de sol vintage. “A roupa nova você vai lá e compra. Com as usadas é diferente. Além da exclusividade, você nunca sabe o que vai encontrar”, compara.
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