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Religião e política

De olho no voto evangélico, candidatos brigam por pastores

Um quarto dos curitibanos faz parte de alguma denominação religiosa evangélica. Segundo Datafolha, Ratinho Júnior está à frente nas intenções de voto desse segmento

  • Chico Marés
 
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As coligações dos candidatos à prefeitura de Curitiba Luciano Ducci (PSB) e Ratinho Júnior (PSC) disputaram, nas últimas semanas, o apoio do pastor Silas Malafaia, principal liderança nacional da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ratinho saiu-se melhor e Malafaia estará ao seu lado. O pano de fundo dessa "briga", que se repete na busca de alianças com lideranças religiosas em todo o país, é valioso voto dos evangélicos – que correspondem a 24% da população de Curitiba, ou 424 mil moradores.

Segundo dados do IBGE, os evangélicos pentecostais, grupo que inclui fiéis de igrejas como a Assembleia de Deus e a Universal do Reino de Deus, representam 16% dos curitibanos. Já outros evangélicos são 8% da população – ou seja, no total, eles representam um quarto do eleitorado da cidade.

Pesquisa eleitoral

Ratinho, por enquanto, leva vantagem sobre Luciano Ducci e Gustavo Fruet (PDT) no voto do evangélico, segundo pesquisa do Datafolha realizada entre os dias 10 e 11 de setembro. Entre os pentecostais, Ratinho tem 41% das intenções de voto, contra 27% de Ducci e 10% de Fruet – ou seja, o candidato do PSC conquistou mais eleitores que seus dois principais adversários somados. Já entre os evangélicos não pentecostais, os índices são de 41%, 24% e 19%, respectivamente.

Além da larga vantagem de Ratinho, a rejeição a Ducci é mais forte entre os evangélicos do que a dos outros candidatos – ainda que ele conte com o apoio de figuras importantes nesse meio, como o vereador Pastor Valdemir Soares (PRB), da Igreja Uni­­versal, e a deputada estadual Cantora Mara Lima (PSDB) e o deputado federal Fernando Francischini (PEN), integrantes da Assembleia de Deus.

Entre os pentecostais, o prefeito conta com 21% de rejeição, contra 13% de Ratinho e 10% de Fruet. Já entre os outros evangélicos, a rejeição é de 31%, 17% e 8%, respectivamente. O apoio de lideranças religiosas importantes como Malafaia poderia significar uma mudança considerável nesse quadro adverso para o prefeito.

Quadro geral

No quadro geral da pesquisa, Ratinho apareceu com 32%, Ducci 26% e Fruet 17% das intenções de voto. Já a rejeição é de 23% para o atual prefeito, 21% para o candidato do PSC e 11% para o pedesista. Uma pesquisa do instituto Ibope foi divulgada posteriormente, mas sua metodologia não inclui a estratificação por religião.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela RPC TV e pelo jornal Folha de S.Paulo, foi realizada entre os dias 11 e 12 de setembro, com 958 eleitores curitibanos. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. O registro no TRE tem o número 148-2012. Já a do Ibope, também encomendada pelas mesmas empresas, foi realizada entre 27 e 29 de agosto, com 858 eleitores e tem margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. O número do registro no TRE-PR é 85-2012.

Disputado por Ducci, pastor televisivo fica com Ratinho

O pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia confirmou apoio ao candidato Ratinho Júnior (PSC) na disputa eleitoral de Curitiba. Apresentador de um programa de televisão evangélico, ele confirmou à Gazeta do Povo sua vinda a Curitiba nesta segunda-feira para um evento religioso. E negou que poderia declarar apoio a Luciano Ducci (PSB) – conforme havia sido especulado pelo deputado Fernando Francischini (PEN), ligado à Assembleia de Deus. A igreja tem em Curitiba 69,1 mil fiéis, segundo o IBGE – Malafaia lidera apenas um ramo da denominação, intitulado Vitória em Cristo.

Na última segunda-feira, Francischini disse à coluna Conexão Brasília, do jornalista André Gonçalves, da Gazeta do Povo, que Malafaia viria a Curitiba para participar de um culto na igreja da Assembleia de Deus Vitória em Cristo do Boqueirão, e que haveria negociações para que ele desse apoio a Ducci. Consultado pela reportagem, o deputado disse que o pastor teria ficado irritado com declarações que Ratinho deu à imprensa, de que tem amigos gays e de que teria um homossexual na sua campanha.

O pastor confirmou a vinda para Curitiba, mas se mostrou irritado com a afirmação de que apoiaria Ducci. "Francischini não tem autoridade para falar em meu nome. Ele quer é forçar uma barra", disse Malafaia. "Eu vou pregar em uma igreja em Curitiba, do meu ministério, e o deputado quer forçar a barra e levar o candidato dele [Ducci]. E eu já disse, a imprensa noticiou, eu apoio o Ratinho e está acabado. Isso [o apoio ao prefeito] é ilação, é blablablá. Se o prefeito vier à minha igreja, vai passar vergonha, porque eu vou dizer na cara dele que meu apoio é do Ratinho."

Malafaia ficou particularmente aborrecido com a insinuação de que mudaria de lado. "Eu sou criança para ter esse tipo de comportamento venal, ficar mudando de cá pra lá? Se o Francischini apoia ele [Ducci], problema do Francischini. Gosto do Francischini, sei que ele tem um grande trabalho parlamentar, mas não tem conversa."

Malafaia ainda contou que o relacionamento que tem com o pai do candidato, o apresentador Ratinho, colaborou para seu apoio. Mas disse que também conhece o trabalho do candidato como deputado federal. Ele ainda cogita aparecer no programa eleitoral do candidato. "Já falei com o Ratinho: a hora que ele precisar, eu gravo. A última vez que estive em Curitiba, ele estava no culto comigo, e eu disse isso pra ele", afirmou.

Consultado pela reportagem, Francischini negou que tivesse dito que Malafaia estava de malas prontas para ingressar na campanha de Ducci. De acordo com ele, o pastor seria convidado para participar de um jantar de apoio ao prefeito em sua passagem por Curitiba, junto com outras lideranças evangélicas. "Ninguém falou que ele vinha apoiar o Ducci. Nós estamos esperando ele chegar, na segunda, para conversar com ele", afirmou o deputado.

Francischini disse também que vem trabalhando para trazer lideranças evangélicas para apoiar a campanha de Ducci e que tem conseguido reduzir a vantagem que Ratinho tem nesse segmento.

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