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O temor de ataques severos da lagarta Helicoverpa armigera -- nova praga da soja, que dizimou lavouras na Bahia um ano atrás -- levou ao uso desnecessário de inseticidas na agricultura, alertam os técnicos da Emater do Paraná. Eles monitoram 200 áreas (algumas com 85 dias) e dizem que, até o momento, o manejo mais adequado, nos lotes afetados, foi de apenas uma aplicação.

Na vizinhança dessas áreas, no entanto, há produtores que já fizeram até cinco aplicações, relata o agrônomo Celso Seratto, coordenador de programas de manejo da Emater na região de Maringá. Ele considera evidente também que o uso de produtos mais fortes está sendo feito desnecessariamente.

"A gente faz um trabalho de monitoramento e só recomenda o uso de defensivo quando a população de lagartas aumenta [veja o gatilho abaixo]. Em muitos casos, os próprios inimigos naturais estão controlando as pragas ante desse limite", aponta. A escolha do agrotóxico também exige cautela. "Quando a lagarta avança, os produtos seletivos [com ação específica] têm sido suficientes, com uma ou duas aplicações. Quem usa produtos mais fortes acaba matando também os inimigos naturais das lagartas e agravando o desequilíbrio ambiental", alerta.

Seratto não compara, no entanto, a pressão da lagarta registrada nas áreas em monitoramento com a força do inseto em regiões de infestação maior. Agricultores da Bahia e do Piauí compraram inseticidas para fazer até nove aplicações na soja. O agrônomo considera que ainda não há base científica para se afirmar que o manejo adotado no Paraná funcionaria nessas regiões.

Das 200 áreas monitoradas, em 130 o foco é o controle de pragas e em 68, as doenças, detalha o coordenador estadual desses programas, o agrônomo Nelson Harger. Ele prevê que o número de pulverizações nessas propriedades será bem menor do que a média. "Com uma ou duas aplicações, deveremos controlar a Helicoverpa armigera. E a previsão é que o Paraná faça 5,5 aplicações", compara.

Ferrugem

Nas 68 áreas monitoradas para o controle de doenças como a ferrugem asiática, também está ocorrendo menos aplicações do que na média do estado, conforme Harger. Ele acredita que até o final da safra será necessária apenas uma aplicação, enquanto os produtores em geral devem fazer entre duas e três.

Harger defende uma revisão na postura que os produtores chamam de "preventiva". Em sua avaliação essa prevenção, em boa parte dos casos, representa uso irracional de defensivos, sem que haja um diagnóstico da real necessidade dos mesmos. "Deveria ser como tomar remédio. É preciso saber a hora e a dose certa."

Campanha

O governo do Paraná e entidades que representam os produtores lançaram nesta safra uma campanha que envolve o uso racional de defensivos e busca sustentabilidade ambiental e econômica para o setor no médio e longo prazo. O projeto Plante Seu Futuro teve lançamentos regionais no início de novembro e soma 40 eventos.

A Helicoverpa armigera se tornou tema central da campanha, que nasce para debater temas centrais e apoiar projetos oficiais e da iniciativa privada que estimulem boas práticas na agropecuária. Os eventos que serão realizados a partir de janeiro devem focar o milho safrinha. Segundo Harger, a expectativa é que o Plante Seu Futuro ajude a alertar os produtores para o uso racional de agrotóxicos.

Boletins

Os produtores podem acompanhar boletins sobre as 68 áreas de soja monitoradas no site www.emater.pr.gov.br. O último boletim foi emitido dia 19 e detalha como está sendo o ataque não só da Helicoverpa armigera, mas também das outras lagartas comuns nas plantações da safra de verão.

GATILHO

4 lagartas

da espécie Helicoverpa armigera por metro linear na fase vegetativa da soja e 2 lagartas por metro na fase reprodutiva . Esse é o número que deve ser aguardado para o início das aplicações de inseticidas, conforme orientações repassadas pela Emater.

20 lagartas

comuns por metro linear na fase vegetativa da soja. Até esse limite, a população é considerada normal. A partir daí, recomenda-se o controle químico. Os produtores são orientados a fazer essa contagem ao menos uma vez por semana em pontos diversos das lavouras.

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